Publicado por: Leandro | 6 Julho 2009, 7:10 pm.

A culpa é da minha mãe

Metrô de hoje, 17:25h, lotadinho até a boca, mas não estava insuportável.  Não dava para cair no chão se o trem desse aquela paradinha logo depois de arrancar da estação, mas ninguém estava espremido, sem conseguir sequer respirar.  Enfim, estava ligeiramente além do limite da dignidade do passageiro-consumidor-pagador de impostos.

Quando o trem arrancou da Uruguaiana em direção à Presidente Vargas, enquanto um sujeito reclamava, o outro soltou a pérola:

- A culpa disso tudo é da minha mãe!

Eu, que estava com a cara enfurnada no meu livro, parei de ler na hora e apurei o ouvido.  “O que é que a mãe desse cara tem a ver com a superlotação do metrô?“, pensei.  O cara que estava reclamando deve ter feito a mesma cara que eu fiz.  E aí veio a explicação:

- É sim, a culpa é da minha mãe.  Se ela tivesse casado com um americano, eu não tava aqui.

Ele tinha razão…

Publicado por: Leandro | 5 Julho 2009, 7:18 am.

Enquete de hoje

É possível escolher mais de uma opção.

Publicado por: Leandro | 3 Julho 2009, 1:14 pm.

Cachecol

Que mal há em usar cachecol?  Nenhum, qualquer um responderia…  Realmente, desde que a temperatura permita (usar cachecol no verão do Rio de Janeiro não é aconselhável), e a moda também, não há mal nenhum.

Eu, particularmente, morro de medo de cachecóis.  Eu não consigo me imaginar usando algo no pescoço que me permita ser agarrado, preso, enforcado ou até mesmo arrastado por qualquer um que puxe.  Principalmente com o nó mostrado na foto ao lado – basta alguém puxar a parte maior e pronto: o dono do cachecol passa à condição de vítima.

Chego a ter arrepios toda vez que vejo, nesses dias de inverno, mulheres usando o acessório com nós dificilmente desatáveis na rua.  Será que elas têm noção do perigo que correm?  Não digo pela maldade das pessoas, que podem puxar, mas por acidentes que eventualmente podem acontecer.  O cachecol pode ficar preso na porta de um elevador, de um carro, metrô…

Publicado por: Leandro | 2 Julho 2009, 3:59 pm.

Me humilha que eu gosto – parte 1

Publicado por: Leandro | 1 Julho 2009, 8:01 am.

Curiosidades da terra

Você sabia que amanhã, dia 2 de julho é feriado no estado da Bahia, em comemoração à Independência da Bahia?  Descobri isso há alguns dias, quando recebi um informe corporativo a respeito do funcionamento dos serviços da empresa onde eu trabalho naquela localidade na referida data.

Quer saber mais sobre o assunto?  Clique aqui e leia.

Publicado por: Leandro | 30 Junho 2009, 7:43 pm.

Pau-de-arara

Há pouco tempo – pouco mesmo – estive novamente em São Luís do Maranhão a trabalho.  Dessa vez, não sobrou tempo para nada, nem para aquele turismozinho corrido das vezes anteriores.  O único momento de descontração foi a longa espera no aeroporto pelo avião que me tiraria dali (para me levar a Brasília, para uma conexão, antes de chegar ao Rio).

Pau-de-arara na versão tradicional

Pau-de-arara na versão tradicional

O número do voo é 1971.  Um verdadeiro pau-de-arara.  Contei mais de dez mulheres amamentando dentro do voo, a maioria acompanhando também uma outra criança um pouco mais velha que o bebê.  Eu sentei no corredor.  Ao meu lado, do outro lado do corredor – ainda bem! – vinha um sujeito tão gordo, mas tão gordo, que o cinto de segurança mal fechava na sua cintura, mesmo com a extensão.

Na minha frente, um sujeito enorme fazia contorcionismo para ficar sentado, enquanto, ao seu lado, uma criança (acompanhando uma mulher que amamentava um bebê), fazia estripulias, pulava no banco e não deixava ninguém dormir.  Perdi a conta de quantas vezes, naquelas duas horas e pouquinho, uma mulher sentada um pouco atrás de mim se levantou para levar uma menina de uns três anos ao banheiro.  Por falar em banheiro, em certa hora, havia fila de mães querendo trocar fraldas…

Mesmo depois de anoitecer, seria impossível dormir com aquele pandemônio.  E nenhuma turbulência atingiu o avião para fazer aquietar aquele povo todo.

Como nada é tão ruim que não possa piorar, ainda faltava a cereja do bolo: o cheiro da galera era de fazer inveja a qualquer francês!  Parecia que todos os pedreiros haviam embarcado no avião depois do expediente…  Cada um que passava para ir ao banheiro (será que havia alguma coisa muito legal naquele banheiro e eu perdi???) era uma tristeza!  Eu quase pedi para que as famigeradas máscaras de oxigênio, símbolo máximo do pânico a bordo de um avião, caíssem sobre a minha cabeça.

Esse voo, não pego nunca mais!

Publicado por: Leandro | 29 Junho 2009, 9:42 am.

Domingão esportivo

Ah, só faltou ganhar do Fluminense para o domingão ser perfeito.  Barba de manhã, com o bicampeonato do Flamengo na NBB.  Cabelo, de tarde, com o tricampeonato do Brasil na Copa das Confederações.  Faltou o bigode, de noite, contra o Fluminense…

1. NBB: Basquete é mesmo um jogo apaixonante.  É dinâmico, rápido, tenso, agitado…  Fora os jogos do colégio e da faculdade, eu jamais havia assistido um joguinho sequer antes da final dos Jogos Panamericanos, aqui no Rio.  Deu Brasil, naquela oportunidade, sem chances para Porto Rico.  O jogo foi no mesmo local, a Arena Multiuso.  Mas foi diferente…  Diferente principalmente por causa da torcida.  A torcida do Flamengo, modéstia à parte, é um espetáculo.

Torcer para o Brasil é um saco.  A torcida é totalmente passiva.  Naquela final, a torcida só se uniu para cantar ofensas ao Galvão Bueno e louvores a Oscar e Hortência.  Fora isso, só as comemorações de praxe a cada cesta.  Já torcer para o Flamengo, é outra coisa: a torcida dita o ritmo do jogo, aplaude e dá força ao jogador que perdeu seis (acreditem: SEIS!) lances livres seguidos no início do jogo, vaia quando o adversário pensa que vai atacar, comemora cada roubada de bola como se fosse a cesta do título…  Num jogo de basquete do Flamengo, a torcida joga, os jogadores só colocam a bola na cesta.  Em vários momentos, o DJ e o animador da torcida eram completamente dominados pela massa: eram relegados a terceiro plano e mal conseguiam trabalhar.

Assistindo o jogo, bateu um arrependimento de não ter acompanhado a campanha toda…  Deve ter sido um espetáculo atrás do outro – e tudo isso bem pertinho de mim, no Ginásio do Tijuca Tênis Clube.  Que bobeira a minha…  Mas eu me corrigi a tempo.  Fui à final e saí na foto do título.

Foto original do Globoesporte.com

Foto original do Globoesporte.com

2. Ainda a NBB: agradar um público de alto nível como o que estava na Arena ontem não é tarefa fácil.  Essa tarefa deve se concentrar em três aspectos: organização, entreterimento e no espetáculo em si.  Trocando em miúdos, é o seguinte: enquanto a bola não rola, deve-se dar ao povo outra coisa para ver ou fazer, com segurança e alegria.

A organização, a cargo da administração da Arena, é coisa que não se vê todo dia: desde as proximidades da Arena, várias pessoas de terno escuro e gravata vermelha orientam o público com objetividade e clareza.  Dentro da Arena, o estacionamento é organizado de uma forma que eu só vi na Disneyworld, em Orlando.  Ninguém escolhe a vaga que vai parar, mas para na primeira vaga livre, conforme orientação do pessoal de recepção da Arena.  O resultado disso é agilidade na recepção, praticidade e segurança para os espectadores, além de evitar filas na entrada do estacionamento.

O espetáculo em si, com o Flamengo em quadra, é garantido.  Dispensa comentários.

Mas a parte do entreterimento…  Só não afirmo que foi um fiasco porque, lá pelas tantas, o DJ colocou “La Banba” no último volume, depois de uma sequência alucinante de cestas do Flamengo e um pedido de tempo do Brasília, levando a galera à loucura.  Tinha um monte de marmanjo dançando na arquibancada, no melhor estilo NBA.  Fora isso…

Para começar, o hino nacional foi cantado pela Sandra de Sá (que mais parecia um camelô) ao ritmo de pagode…  O povo, em silêncio, ouviu boquiaberto, sem acreditar no que estava acontecendo.  Uns poucos tentaram bater palmas para acompanhar o ritmo empolgante (leiam esta frase em tom de ironia, por favor) das batucadas.  Depois do hino, só consegui fazer um comentário: “aquele de branco é vascaíno!“, disse apontando para o único pagodeiro sem camisa do Flamengo.

No intervalo, cinco mambembes maltrapilhos pularam como ginastas (aquilo é dançar?) no centro da quadra ao som de Michael Jackson…  Eu não aguento mais ouvir falar em Michael Jackson!

E aquele agitador…  Erros de concordância nas frases, perguntas idiotas (eu queria ter um microfone para dar a ele respostas imbecis)…  Era óbvio que ele perderia, em breve, o comando do evento.  A torcida tomou-o para si e não devolveu mais.

3. Duda é emoção, Marcelinho é razão.  Este caminha pela quadra silenciosamente, recebe a bola e arremessa.  Quando arma o time, o faz com a calma e a certeza da vitória.  Nos piores momentos do jogo, eu via nele a calma do Didi, no filme da Copa de 1958, pegando a bola no fundo das redes brasileiras e caminhando ao centro do campo com ela debaixo do braço.  Aquele, é vibração, correria, raça…  Do jeito que a torcida do Flamengo gosta.  E ele parecia saber exatamente a dimensão disso, quando chamava a torcida para o jogo.

4. Mudando de assunto: arrogante a vitória do Brasil.  Deixar-se levar dois gols para depois virar o jogo, sem reclamar de ter feito quatro gols para levar apenas três, em uma final?  Sim, existe um quê de arrogância nisso.  Senão por se deixar encontrar nessa situação, ao menos por sair dela estampando veladamente, para o mundo todo, que só lunáticos seriam capazes de criar um ranking de seleções no qual o Brasil pudesse estar de fora do topo.

5. Há muito tempo eu não via o Brasil jogar do jeito que jogou o segundo tempo do jogo…  Acho que desde a final da Copa de 2002.

6. O Dunga podia ter feito o aviãozinho do Zagallo depois do gol da virada…  De novo, 3×2, na África do Sul, de virada…  A história se repetia, era hora de repetir a história.  Eu fiz, sozinho, em casa, o meu aviãozinho.

7. Lucio chorando depois do gol…  Só lembro de ver um jogador chorar depois de fazer um gol decisivo em final de campeonato: o Lê, do Flamengo, há dez anos (final da Copa Mercosul de 1999).  Esse cara vai virar técnico da seleção, aposto!

8. De noite, o Fla x Flu não foi digno da magnitude dos outros eventos esportivos daquele dia.

Publicado por: Leandro | 27 Junho 2009, 7:50 am.

Bolão!

A cara do Michael Jackson quando ele chegou no céu e viu uma criança

A cara do Michael Jackson quando ele chegou no céu e viu uma criança

Michael Jackson morreu.

Mas, na boa, ele já estava morto há um bom tempo…  Não fazia uma música maneira há mais de dez anos, vivia endividado até o último fio de cabelo, tinha fama de comunista (porque comia criancinha), tinha se transformado numa maçaroca de células razoavelmetne organizadas sob uma forma pseudo-humana, não fazia mais shows, vivia de um passado longínquo o qual ele mesmo não queria admitir, lembrar, reviver…

Agora, pelo menos, vou poder baixar toda a discografia dele sem culpa e sem medo de ter que regravar o meu CD de MP3 para colocar no carro.  Esse álbum já está fechado (assim como o do Cazuza, o da Cássia Éller, da Legião Urbana, dos Beatles…).

Mas nada disso tem a ver com o título do post.  Ontem almocei no Palheta do Aeroporto Cunha Machado, em São Luís.  Era meio dia e o voo era só às 15:40h.  Joguei fora uma agradabilíssima conversa com meus colegas de trabalho que, assim como eu, curtiam os últimos minutos de fossa no exílio antes de retornar à pátria mãe.  Enquanto isso, o Jornal Hoje bombardeava notícias e fatos retrospectivos sobre a vida de Michael Jackson.  E, logicamente, ninguém perdia uma piada.  Nem eu, por isso, lancei um desafio:

- Vamos fazer um bolão?  De que cor vai ser o caixão do Michael Jackson?  Branco ou preto?

Publicado por: Leandro | 26 Junho 2009, 8:40 am.

Redes sociais

Essa semana eu recebi um e-mail do Facebook com o seguinte título: “Lembrete: 2 de seus amigos convidaram você para participar do Facebook.”  Abri o e-mail para ver quem eram os dois chatos que insistiam em me convidar para participar de uma rede social.  Minha prima e minha fisioterapeuta (ex-fisioterapeuta, melhor dizendo, já que eu não faço fisioterapia com ela já há uns quatro anos).

Primeiro: arrependi-me de ter dito que eram chatas as pessoas que me convidavam.  Elas não são!  O problema é que, sem saber quem era, eu saí esbravejando para todos os lados.

Segundo: odeio redes sociais.  Odeio gente tomando conta da minha vida e tenho medo de ficar viciado em bisbilhotar a vida alheia – essas coisas são como coçar…  Eu nunca tive Orkut.  Minhas cachorras já tiveram os seus.  Era um saco manter aquilo.  Dava tanto trabalho que eu extingui o perfil delas.  Já acho que meu Flickr me expõe demais…

Terceiro: morro de medo de não conseguir ser sincero quando aquele mala que estudou comigo no C.A. pedir para ser meu amigo numa rede social dessas…  Pior ainda se isso acontecer vindo daquela mala que trabalha comigo (qual delas?), para quem eu sorrio pelo estrito cumprimento do dever sócio-corporativo…  Eu não vou resistir em responder “não”!!!  E, se tiver espaço, ainda vou escrever o motivo!

Quarto: o tal e-mail ainda apresentava um fato, digamos, pitoresco.  Além de me lembrar dos dois convites ignorados anteriormente e mostrar quantos amigos cada uma das pessoas que me convidou tem atualmente, ele ainda apresentava uma outra seção, chamada “Outras pessoas que talvez você conheça no Facebook“.  Olhei as seis fotos, li os seis nomes e os respectivos locais de origem e não conheci ninguém…  Chute muito do mal dado!

Por essas e por outras, aviso: não me convidem para redes sociais!  Eu sou um antissocial virtual!

Publicado por: Leandro | 25 Junho 2009, 8:04 am.

Sátira comercial

Essa é uma das sátiras comerciais mais engraçadas que eu já vi.  Reparem que ela aborda todos aqueles aspectos fajutos que os vendedores de televisão tentam passar ao telespectador.  Divirtam-se!

Publicado por: Leandro | 19 Junho 2009, 7:34 pm.

Números, senhas e memória

Hoje resolvi contar quanta informação eu sou obrigado a armazenar no meu cérebro com números, senhas e outras coisas mais.  Comecei contando quantas senhas eu tenho decoradas.  Cheguei ao absurdo número de dezenove senhas: banco, cartão de crédito, internet, trabalho…  São dezenove códigos diferentes para ter acesso a todas as funcionalidades (ou imposições) da vida moderna que eu desfruto ou tenho acesso.  Letras, números, letras e números, maiúsculas e minúsculas, uma combinação sem fim…  Tudo isso para que só eu tenha acesso àquilo que eu quero que só eu tenha acesso – o que deveria ser a coisa mais normal do mundo.

E outros dados não tão secretos quanto as senhas?  Eu ainda sou do tempo em que aniversário de amigo se sabia de cor.  Esse negócio de só lembrar da data porque apareceu um lembrete no Orkut é moderno demais para mim.  Aliás, acho que é coisa de gente que não se preocupa muito com os amigos.  Identidades, CPF, endereços, Cep’s, aniversários, número dos cartões de fidelidade de companhias aéreas, matrícula do trabalho, números de telefone…  Depois que inventaram a memória do telefone celular, ninguém mais decora o número de ninguém (exceto eu…).  Agora tenho que decorar também os nomes dos filhos dos amigos – essa tem sido a tarefa mais difícil, na minha opinião.

É muita informação.  Some-se a isso o mapa da cidade onde você mora, os caminhos alternativos, nomes de ruas, localização exata dos buracos, pardais, tempo de sinais de trânsito…  E também o mapa daquelas cidades para onde você costuma ir, já foi, pretende ir ou retornar…

E depois a Fiona quer que eu lembre onde eu guardei um papel, um documento ou qualquer outro objeto!  É lógico que eu vou perder ou esquecer onde guardei.  Acho isso uma injustiça!  Os papéis guardados tinham todos que ter localizadores melhores que os da caixa preta do avião da Air France.

Publicado por: Leandro | 18 Junho 2009, 10:25 am.

Mais nostalgia

Continuação do vídeo da semana passada.  Isso é que é nostalgia…

Publicado por: Leandro | 17 Junho 2009, 11:50 pm.

Todo dia…

Certa vez eu vi um filme (não me pergunte o nome porque eu não lembro) no qual um dos personagens, há anos, tirava fotos todos os dias no mesmo lugar, na mesma hora, do mesmo cenário.  Um cenário comum, numa esquina da cidade que ele vivia.  No filme, lá pelas tantas, ele percebe que em uma das fotos aparecia a mulher dos sonhos de um amigo e isso apimenta o roteiro…

Não lembro de mais nada sobre o filme, mas essa ideia me fascinou – tanto que eu não a esqueci.  Mas a tal ideia virou projeto e eu resolvi colocar em prática há quase dois meses, dentro das limitações que a minha categoria de fotógrafo amador me permite.  Decidi que todos os dias eu fotografaria o pôr-do-sol a partir de um mesmo local, no caminho do trabalho para casa.

Lógico que nem sempre isso é possível.  Nem todos os dias é possível sair do trabalho a tempo de pegar o pôr-do-sol, nem todos os dias eu vou do trabalho direto para casa, tem as viagens…  Mesmo assim, eu estou bastante satisfeito com o resultado do projeto.

Só hoje eu consegui colocar as primeiras fotos no ar.  Quem quiser vê-las, clique aqui.  Aos poucos, vou colocando as demais no ar também.  As fotos não têm nome nem referência: a série existe fala e se explica por ela mesma.  E estão em ordem cronológica.

Quem lembrar o nome do filme, por favor diga.

Publicado por: Leandro | 17 Junho 2009, 9:22 am.

Política podre

Há muito tempo eu não escrevo sobre política.  Embora eu goste muito do assunto, as controvérsias que existem ao seu redor não me fascinam tanto quanto as referentes a futebol, viagens, e outras barbaridades cotidianas.  Fascina-me apenas a política – a ciência mais que a arte.  Mas depois de ontem, não consegui ficar quieto.

Fiquei estupefato de ouvir alguns trechos do discurso feito ontem pelo Senador José Sarney que, a propósito, é o presidente do Senado Federal (em termos mais populares e mais diretos, ele está para o Senado como o Ali Babá está para o seu bando).  A cara de pau, o cinismo…

Chamou a minha atenção, em especial, mais do que dizer que a crise não era dele, mas do Senado Federal, enquanto instituição, o seguinte trecho: “...e acho que não posso ser julgado, é uma injustiça do país julgar um homem como eu, com tantos anos de vida pública, com a correção que tenho, de vida austera, família bem composta, que tem prezado a sua vida pela dignidade do, do, do… da sua carreira…“  E disse isso com dedo em riste, com ar de elevada indignação.

Eu pergunto, sem o ar de indignação peculiar ao ilustre Ali Babá, mas com a humildade de quem realmente não entende direito o que está acontecendo: os parlamentares têm lá a sua imunidade, mas será que julgar alguém com família bem constituída, com anos de vida pública, é em si uma injustiça?  Eu acho que injustiça é não julgar alguém quando se deve fazê-lo…  Afinal de contas, ninguém acusou Ali Babá de ter família degradada, de ter poucos anos de vida pública.

Numa rápida pesquisa, descobri que Ali Babá é a maior rolha política do Brasil de todos os tempos: era da UDN e líder do governo Jânio Quadros.  Veio o golpe militar e ele filiou-se à ARENA – e continuou no poder.  Chegou a ser presidente do partido que sustentava o regime militar.  A ditadura passou e ele virou de lado, filiando-se ao PDS e mantendo-se no poder após derrotar Paulo Maluf nas eleições presidenciais.  Virou presidente depois da morte do Tancredo.  Estava, mais que nunca, no poder.  Depois, o seu PMDB apoiou o governo FHC por oito anos.  Não hesitou em mudar de lado e apoiar Lula pelos oito anos seguintes.  Nunca foi oposição.

Hoje, Ali Babá domina o Maranhão: é dono das maiores emissoras de televisão (filiadas à Rede Globo) e rádio do estado, do maior jornal, sua filha é governadora, São Luís é uma cidade abaixo da crítica, o interior do estado, pior ainda…  Mas ele é senador pelo Amapá, pasmem!  Nas horas vagas, escreve romances – que devem ser muito bons, já que eles o conduziram à imortalidade (uma cadeira na ABL).

Vá lá que ele não admita ser julgado.  Mas daí a dizer que é uma injustiça julgá-lo vai uma diferença muito, mas muito grande mesmo.

Publicado por: Leandro | 16 Junho 2009, 7:32 am.

A mulher invisível

Cartaz do filme

Cartaz do filme

Como é que histórias tão idiotas e triviais viram filmes sensacionais?  Eu vou contar, porque é tão simples que até eu entendi: chame Selton Mello, Fernanda Torres e Vladimir Brichta para fazer graça, e chame a Luana Piovani para tirar a roupa enquanto dá um sorrisinho sapeca.  Não tem erro!

Deixando a brincadeira de lado, o filme é um primor do humor.  Não só pelas tiradas, mas pela capacidade de transformar uma história triste em algo muito engraçado, do início ao fim.  O enredo é todo baseado numa história de esquizofrenia do personagem principal, interpretado por Selton Mello.  Chega a ser politicamente incorreto – se eu tivesse um parente nessas condições, eu ficaria extremamente ofendido.  Mas é tão engraçado, que você nem pensa nisso.

Ele se apaixona por uma mulher que só existe na sua imaginação e, por isso, é perfeita: assiste e comenta futebol da terceira divisão como poucos, arruma a casa toda vestida apenas com roupas íntimas, sabe exatamente o que ele quer comer e fazer.  E para ele explicar isso para o amigo?  E, depois, para o amigo explicar o que realmente está acontecendo para ele?

No fim, tudo acaba num tradicional triângulo amoroso, como a maior parte das histórias de humor nacionais.

Deficiente, no filme, só mesmo o trabalho da atriz que interpreta Vitória.  Pudera: ao lado do resto do elenco, ela é que se torna (tanto a atriz quanto a personagem) a mulher invisível do filme – essa frase é da Fiona.  Seu personagem é muito importante no enredo, ela tem um rosto bonito e expressivo, mas as cenas de corpo inteiro e de perfil são de chorar na rampa.  E com aquele sotaque paulista forte, quem vai acreditar que ela mora no Rio e nasceu no interior de Minas?  Felizmente não compromete o filme.

Ah, a trilha sonora também é excepcional!

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