Quando eu saí de férias, no final de setembro, os comentaristas esportivos diziam que o Palmeiras era franco favorito ao título. O Fluminense, favas contadas, já estava rebaixado. O Flamengo talvez conseguisse uma vaga na Libertadores. O Goiás era um dos candidatos a tirar o título do Palmeiras, junto com Atlético-MG e São Paulo. O Cruzeiro terminaria o campeonato numa posição modesta, quem sabe brigando mas dificilmente conseguindo uma vaga para a Libertadores. Internacional e Grêmio poderiam também conseguir vagas na mais vistosa competição sul americana do ano que vem, pois tiravam o sono dos seus adversários.
Quando eu voltei das férias, há quinze dias, avisei os meus amigos: “a diferença de pontos é irrisória, vai ganhar este campeonato o time que tiver mais camisa“. O Palmeiras era o líder, seguido de São Paulo, Atlético-MG e Flamengo. A diferença do primeiro para o último dessa lista era de quatro ou cinco pontos, não lembro ao certo. E eu ainda avisava: “Atlético-MG e Palmeiras não têm tanta camisa quanto São Paulo e Flamengo!“.
Agora chegou aquela hora da maratona que os dois melhores apertam o ritmo, se destacam do pelotão e vão disputar sozinhos a vitória. O da frente dita o ritmo das passadas, acelera e diminui para testar o adversário, que vem atrás, marcando, controlando, pressionando, esperando a hora certa de dar o bote. Eles não se olham, mas se estudam reciprocamente. Faltam três quilômetros e tudo pode acontecer: até mesmo nenhum dos dois vencer.
Conforme o Ricardo Boechat cantarolou no rádio hoje de manhã: “Alô Bambi! Alô Tchutchuca! Olha pra trás que tem Mengão na sua nuca!“ Outro grito tão criativo quanto esse poderia ser cantado pela torcida do São Paulo também. Afinal de contas, não me recordo a última vez que o São Paulo perdeu uma liderança de Campeonato Brasileiro.
E eu, daqui do meu modestíssimo canto, não vou ser louco de arriscar uma previsão sequer para o fim do campeonato, mesmo faltando somente três rodadas para o fim. Não aposto nem no rebaixamento do Fluminense…


