27 janeiro 2012, 9:27 pm.

Um seguro para a minha coleção de orquídeas

por Leandro

Eu gosto muito de orquídeas. Tanto que eu as coleciono. Já cheguei a ter mais de 70 diferentes, somando espécies e híbridos. Hoje devo ter umas 40. Muitas não resistiram ao tórrido verão do ano passado. E, desde que eu descobri que podia compra-las pela internet – entrega rápida, segura, de indivíduos sãos em porções generosas – minha coleção deslanchou. Tudo facilitado pelo fato de morar em casa e ter a casa dos meus pais muito próxima, com várias árvores e um quintal que pode comportar tamanha coleção.

Já cheguei a ter um orquidário. Não era propriamente uma estufa, mas era um canto da casa reservado especialmente para abrigá-las, peduradas sob uma escada de madeira desmontada e apoiada sobre uma parede da varanda. Foi bom durante um tempo, mas muitas orquídeas não se adaptaram ao local, morreram (mesmo depois que cessou o calorão do ano passado). Eu já estava disposto a desfazer o orquidário quando descobri que a madeira da escada havia apodrecido. Não havia resistido ao tempo. Pudera: aquela escada devia ser mais velha do que eu.

Elas foram todas alojadas novamente no quintal da casa do meu pai. Todas elas estão lá hoje. E quase que diariamente eu as passo em revista, acompanhando seu crescimento, notando detalhes, fotografando cada florada, comemorando novas folhas que nascem.

Algumas delas florem a qualquer época do ano. Outras, somente em datas específicas – tão específicas que são capazes de me lembrar de coisas importantes associadas à sua floração, como o aniversário de uma das filhas do Márcio. A maioria delas, porém, nunca floriu, e eu continuo aguardando, paciente e ansiosamente, até que elas se sintam maduras e à vontade o suficiente para, enfim, desabrochar.

Orquídeas são um grande barato no exercício da paciência e do relacionamento com a natureza. É uma terapia calma e demorada, simples e delicada como elas próprias o são. Orquídeas são, também, mais fortes do que se imagina. Uma delas, que ganhei da minha tia, sobreviveu a uma semana esquecida no portamalas do meu carro. Hoje, ela cresce agarrada na jaqueira, sem ter dado uma flor sequer… Por enquanto.

A orquídea da foto acima, é uma Cattleya forbesii. Esse é o seu nome científico. Foi a primeira orquídea da coleção. A partir dela que tudo começou. Floresce sempre no início da primavera, na última quinzena de setembro e, depois, concede uma nova florada lá para meados de novembro – a segunda florada não tem data tão certa quanto a primeira para acontecer. Nem preciso dizer que ela é o meu xodó. Está presa à caramboleira, de frente para a varanda da casa da minha mãe, bem coberta do sol, que a vê apenas nas nesgas de espaço que as folhas da caramboleira deixam escapar.

Ao redor dela, todas as orquídeas que eu pus – já devem ser umas dez ou doze – vingaram e cresceram, mesmo aquelas que eu já considerava fadadas à morte certa. Não sei, até hoje, se foi a simbiose com ela ou com a caramboleira que as fez vingar com tanto vigor. Fato é que ali é a UTI do quintal, e todas ali se dão muito bem.

Já há algum tempo, resolvi fazer um seguro da minha coleção de orquídeas. Não um seguro comum, financeiro. Nada disso. Um seguro natural, tão natural quanto elas próprias. Uma medida muito simples, aliás. Sempre que possível, eu tiro mudas das minhas orquídeas e as dou para quem quiser cultivá-las. Geralmente, os agraciados são pessoas que têm quintal e cultivam orquídeas também. Mas já dei mudas para outras pessoas que nada tinham senão a vontade de iniciar uma coleção.

Além da doação, ensino noções básicas de cultivo, preservação, instalação da muda e, eventualmente, presto assistência técnica domiciliar, em caso de problemas ou dificuldades de qualquer natureza. Gosto também de, sempre que possível, realizar visitas para acompanhar o crescimento e o desenvolvimento delas.

A única condição que eu imponho para os agraciados que recebem as mudas é que, em caso de morte da minha planta, receber uma muda de volta. Não é para devolver o indivíduo todo, mas somente uma muda. Essa brincadeira é o que eu passei a chamar de seguro.

Certa vez, tive o privilégio de encontrar uma pessoa que se interessou pela minha coleção. Começamos a conversar e ele me disse que fazia parte de um grupo de criadores que se encontrava frequentemente para mostrar as suas florações e trocar experiências. Convidou-me para ingressar no grupo. Eu estava tentado a aceitar, embora fosse difícil para mim levar qualquer indivíduo aos encontros, pelo fato simples de que quase todas as minhas orquídeas não ficam em vasos, mas em árvores.

A conversa estava boa, até que eu mencionei o lance do seguro, visualizando uma boa oportunidade de achar pessoas com quem eu pudesse “segurar” a minha coleção. Foi quando ele disse que o espírito das reuniões não era bem esse: as pessoas do grupo eram muito competitivas, gostavam mesmo era de exibir seus indivíduos para os demais. Quando muito, a troca de mudas era acompanhada de negociações financeiras pesadas. O espírito que imperava ali, pelo que entendi, era a inveja, não a camaradagem. Aquilo não ia dar certo. Agradeci o aviso e deixei para lá.

Embora eu nunca tenha precisado, estou muito feliz com todos os seguros que fiz até agora. E os meus seguradores também.

26 janeiro 2012, 7:49 pm.

O último gol de Pelé

por Leandro

Fechando o mês de janeiro, a despedida do Rei – o seu último gol.

25 janeiro 2012, 11:49 pm.

Pragas suburbanas – o vendedor de gás

por Leandro

Sábado de manhã.  Cedo, bem cedo.  Você acorda ao som dos berros de um sujeito na rua:

- Alô, gaeeez!!!…  Alou, gasbraeeeezzz!!!…

É o vendedor de gás, anunciando sua presença e fazendo o seu marketing.  Presente demais na vida do morador suburbano carioca, o vendedor de botijões de gás faz questão de exercitar o dom da voz diariamente – especialmente nas manhãs de sábado – gritando na calçada.  E é sempre a mesma ladainha, com a mesma potência, a mesma entonação, em qualquer canto do subúrbio.

O canto da gasbraez é tão envolvente que o próprio vendedor se empolga com a sua voz, repetindo aquela melodia folclórica pelo simples prazer da repetição automática e ritmada, seguindo a cadência de suas passadas lentas e descompromissadas.  O gestual do vendedor também é sempre o mesmo: ele caminha olhando para baixo, e só ergue a cabeça para gritar suas palavras de ordem.  Tão logo termina o canto do acasalamento, baixa novamente a cabeça e segue a lenta caminhada pelas ruas do subúrbio.

Bujão ou Botijão?

Bujão ou Botijão?

Viver no subúrbio não é sinônimo de fornecimento de gás canalizado na porta.  Ou, mesmo quando a rua é servida por gás canalizado, muitas vezes ele não está ligado na sua residência e, por isso, você simplesmente não pode ser cliente da concessionária de distribuição de gás canalizado – ela não faz questão nenhuma de construir o ramal para sua casa.  A única alternativa restante é contar com o velho e bom botijão (ou bujão, ninguém no subúrbio sabe o certo, e é possível que ambos estejam certos) para cozinhar o alimento-nosso do dia-a-dia.

Além do sujeito cantor que perambula pelas ruas do subúrbio, onipresente, os botijões também são vendidos por caminhões que circulam pelas ruas do subúrbio buzinando ou tocando musiquinhas – dessas de caixinhas de música – para anunciar sua presença à vizinhança.  Em alguns caminhões, a musiquinha é intercalada com gritinhos gravados com voz de taquara rachada: “Ó o gás!!!“  Já é ruim, tosco, suburbano.  Pior ainda com o característico barulho de botijões se chocando uns contra os outros, na caçamba do caminhão.

Mais recentemente, a venda de botijões de gás recebeu mais um curioso elemento suburbano: o motoqueiro.  Percebendo o nicho de mercado causado pela ineficiência das distribuidoras de gás, muitas biroscas de fundo de quintal abriram portas para estocar e revender botijões de gás, entregando-os na casa do cliente (com uma garrafa pet cheia de cloro de brinde).  As entregas são feitas por motos, que circulam pelas ruas (e calçadas) com botijões pendurados na traseira (quicando em cada buraco da rua, com risco de se desprender da moto e sair rolando rua abaixo).

Tudo isso sem falar nos casos em que a distribuição de gás é assumida por máfias locais – milícias, também – que obrigam os moradores de determinada comunidade ou região a apenas comprar botijões – muitas vezes roubados de uma distribuidora oficial – com eles.  Coisas que fazem o vendedor cantor de gás parecer o menor dos problemas do subúrbio.

24 janeiro 2012, 9:13 am.

Mais um recorde

por Leandro

Gráfico de visitas do blog

Um dos desejos para 2012 já se realizou: na última sexta-feira, mais um recorde de audiência do blog foi quebrado, com espetaculares 856 visitas em um único dia (216 em uma única hora) – muito superior ao recorde anterior, de 572 visitas em um dia, em 29 de maio de 2011 (aniversário do blog).  Tudo se deveu à reexibição, no programa insosso e bobo da Ana Maria Braga, de uma matéria acerca da Costela no Bafo servida pelo Cachambeer.  A costela está lá todos os dias, de domingo a domingo – e é, realmente, uma delícia (para usar o adjetivo da moda).  Mas só por aparecer na televisão, gerou um furor internáutico que respingou aqui no blog (que bom!) e gerou filas quilométricas sob o sol de verão do Cachambi – gente alienada, ávida por expermimentar os sabores da moda, seguindo as dicas da televisão.  O que mais este ano reserva?

23 janeiro 2012, 9:20 pm.

Mobilidade florentina

por Leandro

O sistema de transporte de Florença é muito parecido com o de Roma: predominantemente rodoviário, integrado, administrado e operado por uma única empresa pública (a ATAF).  Com uma grande diferença: o aeroporto de Florença é muito – mas MUITO ruim.  Pior que o mais mediano dos aeroportos do Brasil.

Margem do Rio Arno

Só a pé é possível observar alguns detalhes de Florença

Florença não tem metrô.  Nem deveria ter: a cidade é pequena, não tem necessidade de transportes de massa nem de longa distância.  A alternativa rodoviária seria, para Florença, sem sombra de dúvidas a mais adequada para o transporte público.  Seria.  Não fosse pela mais antiga alternativa de transporte deste mundo: andar a pé.  Em Florença, andar a pé chega a ser tão ou mais interessante mesmo que andar de bicicleta.  Com um centro tão pequeno e tão apertado – chega a ser congestionado – andar a pé é a melhor forma de conhecer a cidade, seus detalhes, ver as pessoas e tudo o mais que a cidade tem a oferecer.  Principalmente porque a ZTL de Florença é bastante grande e engloba quase todo o centro histórico da cidade, e porque várias ruas do centro histórico são completamente restritas ao acesso de veículos a motor.

Os ônibus levam qualquer um a qualquer lugar em Florença.  Poucas linhas circulam pelo miolo do centro histórico – acho que só as linhas C1, C2, C3 e D fazem isso (não me perguntem a origem dessa nomenclatura).  Essas linhas são servidas por microônibus, para melhor circulação nas ruas apertadas do centro histórico de Florença.  A maior parte das outras linhas (identificadas apenas por números de dois algarismos) circula por zonas mais periféricas do centro (por mais contraditório que isso possa parecer), usando a Estação de Santa Maria Novella e a Piazza San Marco como principais pontos de parada no centro histórico.

E, assim como em Roma, uma mesma linha de ônibus pode ter diferentes itinerários.  Normalmente, essa diferença reside na extensão da linha.  A maioria dos ônibus de uma determinada linha vai até o lugar “x”, na periferia da cidade, enquanto alguns passam do lugar “x” e vão até o lugar “y”, e uns poucos passam desses dois lugares e vão até o lugar “z”, cobrindo a maior extensão possível daquela linha e servindo os lugares mais distantes, onde há menos demanda, com menor frequência.

Diferentemente de Roma, os ônibus em Florença seguem à risca os seus horários.  Por vezes, eles até antecipam um pouco – o que é pior do que se atrasar um pouco -, mas tudo depende da demanda.  Com poucas paradas, ele acelera a viagem; com poucas paradas ele passa direto do ponto e diminui o tempo de viagem.  É bom ter cuidado e estar atento aos horários.

Da estação de Santa Maria Novella – a principal estação ferroviária de Florença – parte também a única linha de VLT (bonde) da cidade, em direção à periferia oeste da cidade.  Recém implantada, cheira a nova!  Ela serve muito pouco – quase nada – ao visitante da cidade.  Na verdade, ela é muito mais um sinal dos tempos para uma cidade que parece estar crescendo e precisa de um sistema de transporte mais eficiente, rápido e capaz de cobrir longas distâncias do que uma ferramenta à disposição dos turistas, que costumam ficar apenas no centro da cidade.  E todo caso, arrumar um hotel baratinho próximo a uma das paradas dessa linha de bonde, mesmo um pouco afastado do centro histórico, pode valer bastante a pena.

Como em toda a Europa, a integração entre todos os modais de transporte (ônibus e bonde) é total.  Os bilhetes valem para uso em qualquer desses modais, indistintamente.  E há inúmeros tipos diferentes de bilhetes, para todos os gostos e usos.

  • Bilhetes simples (válidos por 70 minutos após a primeira validação);
  • Bilhetes duplos (válidos para dois usos de 70 minutos após a primeira validação de cada uso);
  • Bilhetes comprados a bordo (válidos por 90 minutos), mais caros que os bilhetes simples;
  • Bilhetes quádruplos (quatro bilhetes válidos por 90 minutos cada, após a primeira validação de cada um deles);
  • Bilhetes de dez, vinte e cartão de trinta usos (válidos para 90 minutos de uso após a cada validação);
  • Bilhetes vendidos por SMS, via telefone celular;
  • Bilhetes comprados em parquímetros;
  • Bilhetes para 24h, 3 dias, 7 dias (uso irrestrito durante o período de validade do bilhete);
  • Bilhetes familiares (para uso conjunto de adultos e crianças integrantes de uma mesma família).

São tantos tipos de bilhetes diferentes que vale a pena consultar o significado e as condições de uso de cada um para se ter certeza do mais adequado às suas necessidades.  Como eu adotei a estratégia de andar a pé pela cidade o dia todo, pegando apenas um ônibus para voltar para o hotel no fim do dia e para fazer eventuais passeios a lugares mais distantes, a alternativa de comprar bilhetes unitários e duplos, conforme a necessidade, se revelou a economicamente mais interessante.

Ponte Vecchio

Muitas ruas, como a Ponte Vecchio, são exclusivas de pedestres

Vale a pena mencionar que há ainda uma linha de ônibus fazendo ligação direta entre o pífio aeroporto de Florença e a Estação de Santa Maria Novella: o Volainbus.  Para usá-lo, é necessário adquirir um bilhete específico.

Apesar de toda essa disponibilidade e facilidade em usar o transporte público, ou mesmo à tentação e ao benefício de fazer boas caminhadas a pé pela plana Florença, as duas rodas são mesmo a preferência da maior parte de sua população.  Não podia ser diferente: na Itália, é assim que as coisas são.  Para quem gosta de se inserir no meio social dos lugares visitados, não há jeito melhor de se sentir um verdadeiro florentino que não alugando uma vespa – e rezando para conseguir um lugar para estacioná-la.

22 janeiro 2012, 10:35 am.

Essa moleza vai acabar!

por Leandro

O que o Picnik é capaz...Como assim?  Vai acabar?  Do nada?  Sem nenhuma explicação, nenhuma causa aparente, nenhum porquê?!!!

A ferramenta mais fácil de edição de fotos que já se criou – o Picnik – vai ser extinta em 19 de abril de 2012 – para o meu desespero.  É disso que estou falando.  Agora vou ter que usar o dificílimo photoshop (que é lento, pesado, cheio de ferramentas pouco amigáveis e palavras que fazem pouco sentido para um usuário não profissional, como eu) para tratar minhas fotos…  Só para vocês terem uma ideia, acho que todas as fotos exibidas aqui no blog desde maio do ano retrasado foram editadas no Picnik.  Se vocês apreciaram a qualidade fotográfica dessas imagens, devam muito disso a ele.

O que era só curiosidade se tornara vício (chegou a virar um fotoblog, já extinto, puro fogo de palha); o que era vício, agora vai acabar.  Vou ter crises de abstinência, provavelmente.  Antes mesmo de 19 de abril, já estou sofrendo – por antecedência, o que é pior.  Odeio sofrer por antecedência, odeio quem sofre assim.  Mas não tem muito jeito, tenho que me conformar e aproveitar que, até 19 de abril, todas as ferramentas (inclusive as disponíveis apenas para contas premium) estão disponíveis.  A molezinha tem data certa para acabar…

21 janeiro 2012, 10:57 am.

Sai pra lá, inveja!

por Leandro

Clique na imagem para ver seu site de origemO diálogo retratado abaixo tem sido bastante comum nas últimas duas semanas.  Não ocorre sempre com essas mesmas palavras, mas é mais ou menos assim:

- E aí?  Tem dormido?
- Tenho.  Ela é tranquila, dorme bastante.  Tem vezes que dorme quatro horas direto.
- E chora muito?
- Chora nada.  Para ser sincero, nem lembro a última vez que ela chorou.  Quando quer mamar, faz um barulho, suga o ar ou a mão (como se estivesse dando beijinhos na própria mão) e só.
- Sério?
- Sério!
- Você deu sorte!  Mas espere só até ela ter cólicas…  Aí você vai ver o que é bom.

Por que as pessoas desejam tanto a desgraça alheia?  Por que isso acontece especialmente quando as pessoas viveram a situação de desgraça e percebem que outras pessoas, por puro acaso do destino, não encontraram em suas vidas o mesmo infortúnio.  Nem todas as crianças sentem cólicas.  Felícia, felizmente, é uma delas.

Fineza guardar para si a sua inveja e não usá-la como justificativa para rogar pragas no filho alheio.

20 janeiro 2012, 4:12 pm.

Piada pronta

por Leandro
19 janeiro 2012, 11:43 am.

Pelé no cinema

por Leandro

Pelé cantava mal, não sabia dar bandeirada, tentava justificar o injustificável e ainda se arriscava no cinema…  Dava margens a cenas incrivelmente lamentáveis como essas aí.  Mas tudo bem, era o Rei, e o Rei nunca erra.  Pelé tem tanto crédito que podia até aprontar das suas nas telas de cinema Brasil afora.

18 janeiro 2012, 2:40 pm.

Pragas suburbanas – ruas fechadas por “condomínios”

por Leandro

A rua existe no mapa, liga um lugar a outro.  O GPS manda você entrar nela, mas há um portão na esquina limitando o acesso público à rua – um bem público por excelência.  O portão foi instalado por moradores da rua, que resolveram privatizá-la, à revelia do Poder Público, a pretexto de aumentar a própria segurança e a despeito de eventual discordância de algum morador da rua que não concordava com a medida.


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Não adiante reclamar, não adianta argumentar que a rua é pública, não adianta forçar a barra: você não vai entrar na rua.  Nem o portão, nem o porteiro, vão permitir.  Na foto acima, note que nem o Google Street View entrou na rua (e nas ruas adjacentes também).  O fechamento de ruas periféricas é um fato tão corriqueiro no subúrbio carioca que ninguém mais estranha.  Se alguém tentar explicar que a rua é pública, vai ser tratado como um extraterrestre.  Lembro que, durante certa época, até houve um esforço da prefeitura em acabar com esse expediente – encerrado com a mesma velocidade com que surgiu, provavelmente em atendimento ao pedido de algum figurão que tinha interesse na manutenção do portão que isolava a sua rua.

Vá lá que, em ruas sem saída, o expediente seja utilizado.  Não é certo, mas é aceitável.  Ruas de vila, por exemplo.  Ela não liga a rua a lugar nenhum.  Assim, ficam bastante reduzidas as chances de alguém precisar circular por aquela via.  Quem tem interesse de circular por uma rua sem saída, que não seus moradores?

O problema, que já era grande e absurdo, ficou ainda pior quando, em algumas localidades, pessoas estranhas aos moradores de determinadas ruas começaram a “investir” na instalação dos tais portões e oferecer “serviço” de segurança compulsória aos moradores.  Com ou sem ameaças, eles persuadem moradores a contribuir financeiramente para o “investimento” e para o “serviço”.  O portão que devia servir à segurança dos moradores, passou a sser o principal sinônimo de sua intranquilidade.  E nenhuma providência palpável do Poder Público ocorreu até hoje…

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