Posted by: Leandro | 16 Julho 2008, 7:59 am.

Jogo de Amor em Las Vegas

Cartaz do filme

Cartaz do filme

Mais um filme daqueles que eu e Fiona adoramos ver: comédia romântica, água com açúcar.  Sem tiroteios, sem perseguições de carro e sem grandes picos de suspense na trama, ele é só mais uma história de amor com final feliz, como tantas outras que o cinema norte-americano já produziu desde o fim dos anos 80.

O que faz a diferença neste filme em relação a todos os outros é a disputa entre os dois personagens principais por um prêmio de cassino no valor de três milhões de dólares.  Só isso.  Por esse motivo, eles se engalfinham e se esfaqueiam pelas costas o filme todo e, no final, óbvio, acabam juntos, com os três milhões de dólares - e quem não é feliz com três milhões na conta?

Mas o filme é engraçado.  As tiradas são muito boas (não chegam a ser ótimas, mas valem a pena), tem uma certa dose de sarcasmo e uma pitada de cores, seguindo o estilo Disney de fazer filmes.

É mais um filme para se ver com a namorada, dividindo a pipoca e o refrigerante, numa tarde inocente de domingo ou numa sessão de dia de semana, cedo, depois do trabalho (que foi o meu caso), seguida de um passeio igualmente inocente de mãos dadas no shopping.

Apesar disso, acreditem, o filme faz mais jus ao preço do ingresso do que muitos dos últimos filmes que vi e comentei aqui no blog - a não ser que você odeie esse estilo de filme.  Questão de gosto.  E mesmo que você não goste, vale a pena conferir algumas cenas rápidas, só para ver como Cameron Diaz é feia e está um bagaço chupado (ou espremido) de laranja - nem a maquiagem conseguiu salvar.

Posted by: Leandro | 14 Julho 2008, 2:45 pm.

Dica literária

Eu ainda nem peguei o livro para ler a orelha, mas tenho certeza de que ele é de grande valia.  Na última semana o Ricardo Freire lançou seu livro sobre viagens, chamado 100 Dicas para Viajar Melhor.  Uma pechincha que pode render muita economia de tempo, dinheiro (porque tempo é dinheiro, principalmente viajando) e stress: custa em média doze reais.  Eu vou comprar o meu hoje, antes que esgote.

Posted by: Leandro | 14 Julho 2008, 2:35 pm.

O dia-a-dia d’além mar

A realidade européia é mesmo muito diferente da realidade brasileira.  Apesar de antipático e grosseirão, o povo é, em geral, bem educado - no sentido, vamos dizer, comunitário da palavra.  A educação de trânsito (já falei sobre isso quando mencionei as faixas de pedestre), a limpeza das ruas, tudo chama a atenção.  Para quem está acostumado a viver na selva do Rio de Janeiro, então, é uma diferença enorme.

O friozinho gostoso da primavera e aquela sensação de secura do ar (parecido com Brasília) importam muito menos perto de todas as novidades cotidianas que se deve ver. 

Mantenha a direita

Mantenha a direita

A começar pelo simples gesto de subir uma escada rolante (quando ela existe, o que é raro, principalmente em Paris): todas as pessoas se posicionam à direita da escada (mesmo em Londres) quando querem se deixar conduzir pela escada.  Quem está com pressa, sobe correndo pela esquerda, como no trânsito.  E ai do brasileiro desavisado que parar do lado esquerdo!  Vai conhecer de perto a antipatia dos locais.

As calçadas são quase todas sinalizadas para orientar os deficientes visuais com aquelas listras e bolinhas em alto relevo.  A faixa amarela das plataformas ferroviárias também têm essas marcas.  Os sinais de trânsito, em geral, têm dispositivos sonoros para indicar aos mesmos deficientes quando é a hora de atravessar e quando não é.  E tudo isso, acreditem, ajuda muito também a quem enxerga bem.

Metrô de Barcelona

Metrô de Barcelona

No metrô, há um letreiro luminoso que indica quanto tempo falta para o próximo trem chegar: em Madri, Paris e Bruxelas, apenas os minutos restantes são indicados; em Barcelona a coisa é melhor e até os segundos restantes são indicados.  E bate certinho: quando o letreiro luminoso indica restarem quinze segundos para a chegada do trem, ele entra na plataforma.  Não falhou uma vez sequer.  Até os ônibus em Paris dispõem de dispositivo semelhante!

Nem preciso dizer que tudo isso (mesmo o transporte rodoviário) funciona com precisão, pontualidade e confiabilidade…

Por causa do frio vigente na maior parte do ano, nos metrôs, trens e bondes a porta só abre quando acionada manualmente pelo usuário.  Isso mesmo: o trem pára mas as portas não abrem, a não ser que alguém queira entrar ou sair, caso em que deverá acionar o dispositivo pertinente (uma alavanca, um botão ou um sensor).  Quem não está familiarizado com a coisa, é bom observar os habitantes locais nas primeiras vezes.

Ainda na área o transporte público - que é, de longe, o que mais me impressiona -, não posso deixar de dizer que, apesar de todas essas facilidades, ele é sujo e barato.  Os metrôs estão sempre pichados e as plataformas nunca estão limpas (nisso o metrô carioca é um exemplo).

Carte Orange de Paris

Carte Orange de Paris

Mas os bilhetes custam preços irrisórios, se você adquirir bilhetes combinados ou de longa duração.  Em Madri, por exemplo, uma viagem custa de 1 a 1,90 euro, dependendo do trajeto.  O bilhete combinado para dez viagens custa 6,70 euros.  Um bilhete turístico para cinco dias, com uso ilimitado do transporte, custa 15 euros e o bilhete para um mês inteiro custa pouco mais de 42 euros - sempre dependendo da zona de utilização, conforme explicado a seguir.

E a coisa é distribuída equitativamente: todas as cidades são distribuídas por zonas concêntricas, em geral numeradas: a zona central recebe o número 1, a periferia mais próxima o número 2 e assim sucessivamente.  Para usar o transporte público somente em uma determinada zona, o preço é mais barato que usar em mais de uma zona.  Quem utiliza o transporte por longas distâncias paga mais por isso; quem utiliza por menores distâncias, em tese, paga menos.  Quase sempre, o turista só perambula pela zona central, a gema do ovo.

Quase sempre também os bilhetes para o aeroporto têm preços diferenciados e o bilhete comum não serve para esse destino específico.  Deve-se estar atento a isso.

E toda a rede de transporte está integrada: ônibus, barcos, trens, bondes e metrô operam juntos, utilizando os mesmos bilhetes e com muitas conexões entre eles.  Tudo para facilitar a vida do usuário - igualzinho ao Brasil…  A coisa funciona tão bem que até mesmo quem tem carro usa o transporte público.  E não é raro ver velhinhas emperequetadas com jóias usando o transporte com a mesma desenvoltura que os universitários.

O casaco também é uma figura onipresente: todas as pessoas, mesmo nos dias de calor, mesmo no interior do transporte público (onde faz muito calor, por ser fechado, sem janelas e concentrar um monte de gente em espaço pequeno), usam casaco.  Casacos bons, daqueles que esquentam bastante, feitos para o inverno.  Uma loucura!

Nem tudo são rosas: lá não tem feijão, não tem carne (não ao preço que há no Brasil), não tem restaurante a peso e, quando faz frio, faz frio mesmo - aí o casaco é necessário.  Mas o saldo é positivo: viver lá é, sem dúvida, melhor do que viver aqui.  E você só dá valor ao que a Europa tem de bom a oferecer depois que você volta e, apesar de sentir aquele calorzinho, esbarrar com pessoas tremendamente simpáticas e comer uma boa feijoada ou ir a um rodízio de carne, percebe que é impossível usar o transporte público porque ele vive abarrotado e cobra tarifas elevadíssimas, não há segurança pública e a sujeira impera na cidade.

Posted by: Leandro | 11 Julho 2008, 1:20 pm.

Miss simpatia

Realizar um concurso de miss simpatia em Madri é simplesmente impossível.  As pessoas - todas elas - fazem questão de serem antipáticas, grosseiras, rudes, egoístas, mal educadas, carrancudas e frias.  Tudo ao mesmo tempo.

Avião da Iberia

Avião da Iberia

Aliás, em todos os lugares que fui nesta viagem vi muitas pessoas assim: a ampla maioria, digo sem medo de errar.  Mas em Madri era demais: conclui que todos os habitantes de Madri são infelizes; não há outra explicação.  Nem quando conversam entre si eles riem, sorriem ou dão a entender estarem se divertindo.  Nem os comissários de bordo da Ibéria sorriem para o passageiro: eles se limitam a fazer o seu trabalho, com aquele ar de quem faz um tremendo favor para o passageiro, não pedem licença ao transitar pelo corredor nem pedem desculpas depois de dar uma baita bordoada no passageiro.

Na rua, pedir informação para um madrilhenho é quase como pedir para ser agredido.  Dá para ver na testa deles que, enquanto respondem a sua pergunta, eles dizem em pensamento: “imbecil!

Como é que essas pessoas agüentam viver?  Sem sorrisos, sem piadas, sem afeto nem senso de afeição mútua pelo próximo?  Essa é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores choques que eu, brasileiro, sofri durante a viagem.  Nem com o fuso horário (de cinco horas a mais) foi tão difícil de acostumar.

Para ilustrar o que digo, conto uma história que aconteceu em Barcelona.  Não é Madri, mas é Europa (as diferenças entre Madri e Barcelona eu conto depois, em outro post.  Barcelona também tem gente carrancuda, em menor proporção, mas ainda a maioria das pessoas).

Cheguei na estação de trem de Sants, em Barcelona, para pegar o trem com destino ao aeroporto El Prat.  Por questão de segundos perdi um trem e tive que aguardar o próximo.  Como não havia visto quando e de que plataforma partiria o trem seguinte, resolvi perguntar ao guarda ferroviário que transitava com as mãos para trás pela plataforma, balançando o cassetete pendurado na cintura.

Chamei uma vez, chamei outra, chamei em inglês, portunhol e nada.  Ele me ignorava.  Aí eu me aproximei e toquei no ombro dele com a ponta de dois dedos duas vezes.  Ele virou para mim (finalmente!) num gesto defensivo e autoritário (???) e quase gritou: “não me toque, ok?”  Eu fiz aquela cara de quem não entendeu - porque eu não havia entendido mesmo o motivo daquele piti - e, depois que percebi a cara que eu mesmo estava fazendo, sorri e concordei, pedindo desculpas e pensando num palavrão impublicável.

Perguntei se o próximo trem para o aeroporto partiria também daquela plataforma e ele apontou para o letreiro luminoso e perguntou: “sabe ler?“.  Respondi, debochando: “sei, tanto que ali não está escrito aeroporto“.  Ele disse: “espere“.  O letreiro virou e mostrou mais um monte de trens que passariam pela estação nos próximos minutos e nada de aeroporto.  Aproveitei e disse: “e você, já leu o aeroporto ali?“.  Ele entendeu a gozação e não falou nada.  Depois da segunda virada do letreiro é que apareceu o destino desejado.  Ele perguntou: “viu?“, respondi que sim e ele acrescentou: “sabe ver números?“, apontando para o horário do trem e virou-se e foi embora, sem me dar direito de resposta.

Esperei vinte minutos pelo trem bolando um jeito de matar aquele sujeito que insistia em transitar pela minha frente, zanzando de um lado para outro da plataforma.  A melhor maneira que encontrei foi empurrá-lo nos trilhos quando um trem estivesse chegando.  Para resistir ao meu instinto assassino-vingativo, fui para o cantinho da plataforma, onde ele não transitava e esperei o trem lá por mais dez minutos.

Posted by: Leandro | 11 Julho 2008, 9:30 am.

A Imigração espanhola

Madri foi o meu primeiro ponto na viagem.  Aqui, então, cabe uma pequena observação: durante toda a viagem eu fiz um diário de bordo, com tópicos sobre as coisas que mais chamaram a atenção.  Todos os dias, antes de dormir, eu escrevia o que havia rolado de legal naquele dia para, agora, relatar no blog.  É muita coisa, mas aos poucos eu chego lá, na ordem cronológica dos acontecimentos.  Essa ordem só foi quebrada por começar a escrever sobre Amsterdã, meu último ponto na viagem, porque ali eu já estava meio sem saco de fazer o diário de bordo e, por isso, com medo de esquecer o que se passou, pus tudo logo no papel (quero dizer, na tela).  Mas agora, volto para onde tudo começou: Madri.

A imigração - a famosa e temida imigração espanhola - mostrou que não está lá para fazer amigos.  A oficial espanhola, que estava sorrindo para o australiano e o norte-americano que estavam à minha frente na fila, fechou o rosto tão logo viu meu passaporte tupiniquim.  E começou a fazer um monte de perguntas e exigências: passagem de volta, roteiro, reservas de hospedagem, tudo foi exibido - com um bocado de cagaço - para a ríspida oficial.  Se ela fechasse o tempo, a viagem terminava ali mesmo.  Mas eu estava com tudo certinho, minuciosamente preparado, conferido e reconferido.  As respostas todas ensaiadas, na ponta da língua.

Ela carimbou os passaportes e devolveu a papelada toda, bufou e chamou o próximo, sem esboçar um sorriso ou um simples: “sejam bem vindos!“.  A cara era de quem faz questão de parecer antipática embora, no fundo, não seja.  Como o meu passaporte estava carimbado (eu o abri para conferir e vibrar internamente), segui meu caminho aeroporto adentro.  A viagem havia, enfim começado.

Posted by: Leandro | 8 Julho 2008, 4:33 pm.

Museus de Amsterdã

Eu vi dez museus em Amsterdã.  Poderia ter visto mais, já que os museus são pequenos e eu tinha o I Amsterdam card, que me permitia livre acesso a mais duas dezenas deles.  Não quis.  Julguei os dez suficientes e preferi passear pela cidade de maneira descontraída.

Dos museus que vi, faço o ranking abaixo, do pior para o melhor:

Foto da birosca

Foto da birosca

10. Stedelijk Museum: uma grande bosta.  O museu atualmente está com sua sede em reforma e, em vez de exibir em outro lugar algumas das suas principais peças, ele simplesmente abriu uma birosca para exibir nada além de vídeos desconexos e ambientes vazios e mal iluminados.  O grande barato do museu (que eu, revoltado, voluntariamente não curti) é colar quatro adesivos retangulares azuis no chão da birosca.  Mas o pior é que você não pode colá-los onde quiser: tem que seguir tantas regras que brocham por completo o tesão da brincadeira.

9. De Oude Kerk: a catedral velha da cidade hoje em dia é um prédio vazio, largado no meio do Red Light District.  É simples por fora e por dentro, além de completamente desprovida de ornamentos, por conta do saque promovido pelos protestantes há muitos e muitos anos atrás.  É um bocado decepcionante, mas é honesto: a história é essa e o visitante sabe disso antes de entrar lá.

Interior da Nieuwe Kerk

Interior da Nieuwe Kerk

8. De Nieuwe Kerk: assim como a Oude Kerk, a nova catedral da cidade também é nua por dentro, embora, por ser mais nova, tenha ornamentos mais bonitos (vitrais e entalhes de madeira do coro).  Só que ela é utilizada hoje em dia para exposições temporárias, tal como um centro cultural.  Sem problemas, mas a sua nudez (igualmente honesta) também a torna um passeio um tanto decepcionante.

Rembrandt

Rembrandt

7. Het Rembrandthuis: Rembrandt van Rijn foi o principal artista holandês - quiçá a maior personalidade holandesa de todos os tempos, ao lado de Vincent van Gogh, à frente inclusive de Marco Van Basten e René Descartes.  Conhecer a sua casa ajuda a entender um pouco a sua obra e o estilo de vida do seu tempo.  Como ele foi à bancarrota no fim da vida, todo seu patrimônio foi expropriado pelos credores; assim, o museu que pretende expor a sua casa, na verdade, expõe uma recriação da sua casa a partir do inventário de seus bens feito pelos credores.  É muito interessante, muito mais pela sensação de conhecer a casa de Rembrandt, onde ele pintou seus mais famosos quadros, do que propriamente pelo acervo em exposição.

Capela de Nossa Senhora do Sótão

Capela de Nossa Senhora do Sótão

6. Amstelkring Museum, também chamado de Ons’ Lieve Heer op Solder (Capela de Nossa Senhora do Sótão): com explicações igualmente esclarecedoras, o visitante é conduzido pela casa de um antigo comerciante católico holandês a ver como era o dia-a-dia da prática às escondidas da religião católica num país protestante.  Além de conhecer a casa, em si, e poder ver como eram os hábitos de tempos antigos (uma cozinha do século XVII, por exemplo), a principal atração do museu é a capela construída no andar superior do prédio.

Rijksmuseum

Rijksmuseum

5. Rijksmuseum: o museu, assim como toda a cidade, está em obras que perdurarão até 2013.  Por isso, ao contrário do Stedelijk, ele bolou uma exposição curta (não mais que duas horas de visita) de algumas das suas principais peças.  A decepção fica, justamente, por conta de não poder ver todo o seu acervo - o que, para mim, era uma grande expectativa.  Mas nem de longe a visita é ruim ou dispensável: essa pequena exposição é eclética, concisa, conexa, muito bem organizada, com roteiro bem definido e repleta de explicações breves mas suficientes sobre as obras em exposição.  Mesmo sem audioguide (eu não quis alugar), é possível compreender das obras bem mais do que simplesmente admirá-las - coisa que eu não vi em outros museus na Europa, que se limitavam a colocar nas placas dados como o nome do autor da obra, anos do seu nascimento e morte, nome da obra e ano em que ela foi feita, uma descrição óbvia da obra, do tipo “óleo sobre tela” ou “escultura em mármore“, o local onde foi feita e suas dimensões.  Interessante notar ali, na parte que o museu aborda a história da própria Holanda, como os holandeses se vangloriam da sua história, admitindo abertamente terem se tornado a maior potência marítima dos séculos XV e XVI à custa da pilhagem e da pirataria.  Ali a história não é deturpada, nem mesmo pelos vencedores.

Van Gogh

Van Gogh

4. Vincent van Gogh Museum: o prédio moderno do museu se destaca na paisagem de Amsterdã; seu conteúdo também.  Por mais que eu não apreciasse tanto aquelas pinturas que mais pareciam brincadeira de criança do que as pinturas renascentistas, é impossível não se deixar levar pela beleza das peças deste museu.  Ele conta toda a vida do grande pintor holandês através de suas obras, mostrando inclusive várias pinturas dos seus contemporâneos - também impressionistas.  O museu é amplo e bem iluminado, com acesso facilitado e ótima infra-estrutura.  No fim, a loja do museu é ótima para quem quer comprar livros mas fraca para lembrancinhas.

Entrada do museu

Entrada do museu

3. Amsterdams Historisch Museum: só é possível entender Amsterdã de verdade após fazer um cruzeiro pelos seus canais e ver este museu.  Ele narra o nascimento e o crescimento de Amsterdã (e, por conseqüência, do país também) por meio do seu acervo.  O itinerário interno é um pouco enrolado e pode confundir o turista que não prestar muita atenção ao mapa da visita.  Mas vale muito a pena.  Há belas obras, bastante interatividade e muito mais para ver do que coisas em desuso.  No meio da visita, vi uma exposição temporária sobre a família real holandesa que também ajudou-me a entender aquela dinastia, a história e a cultura do país.  A lojinha do museu, no fim da visita, também é ótima.

Fachada do museu

Fachada do museu

2. Verzetsmuseum (ou Museu da Resistência Holandesa): eu não havia planejado ver este museu; resolvi vê-lo somente porque era de graça (eu tinha o I Amsterdam card), havia tempo sobrando e o tema me agradava muito.  A minha surpresa foi descobrir que ele era muito melhor (apesar de menor) do que eu imaginava.  A história e o dia-a-dia da Segunda Guerra Mundial em Amsterdã é contada cronologicamente, com uma riqueza de detalhes impressionante e muita interatividade.  Todas as gravações (narrações atuais ou gravações de época) são apresentadas em duas línguas, bastando apertar o botão acionador da gravação novamente para ouvi-la em inglês.  Ali é possível ter perfeita idéia do perrengue que foram os anos de guerra, do sentimento nacionalista holandês durante a ocupação alemã e, ainda, da fome que houve no último inverno da ocupação (em 1944/45).  O museu é uma delícia, principalmente se visto com calma.

Fachada do museu

Fachada do museu

1. Anne Frank House: esse é o único museu desta lista que não está coberto pelo I Amsterdam card.  Na sua porta formam-se filas quilométricas todos os dias, a toda hora, mas é possível evitá-las comprando o ingresso antecipadamente pela internet ou no escritório de informações turísticas.  Mesmo que o ingresso tenham dia e hora certos, o pessoal da recepção é flexível e recebe os visitantes fora do dia/hora previstos.  E o museu é fantástico, apesar de a casa ser um pouco nua, mesmo para quem não conhece a história de Anne Frank, não é judeu ou não gosta de história de guerra.  A história da jovem se afigura mais impressionante do que no livro, narrada por vídeos e gravações - o último filme, uma fala de Otto Frank, é emocionante.  O único pecado do museu é não expor o original do famoso diário.  Apesar disso, foi o melhor passeio de Amsterdã, na minha opinião.

Posted by: Leandro | 4 Julho 2008, 3:38 pm.

I Amsterdam card

O turismo na capital holandesa é coisa séria: mais séria que as bicicletas, as bandeirinhas laranja e a maconha que por lá abundam.  A vida do turista é facilitada sempre que possível, a começar pela existência deste cartão.

Adquirir um I Amsterdam card é fácil e econômico.  Você pode adquiri-lo pela internet ou no escritório de informações turísticas, que fica exatamente em frente à estação central de trem da cidade, utilizando-se de qualquer forma de pagamento.

I Amsterdam card

I Amsterdam card

Com esse cartão, você pode utilizar toda a rede de transportes públicos de Amsterdã gratuitamente, visitar os principais museus da cidade também sem pagar nada e, ainda ter acesso a várias outras atrações com descontos que giram em torno de 20% do preço normal dos seus ingressos.

Há três tipos de cartão: para 24h, 48h e 72h, sempre contadas a partir do primeiro uso.  O pacote que você recebe quando adquire o cartão consiste no seguinte: cartão I Amsterdam card, que você usa para “adquirir” as entradas dos museus; ticket de transporte para o período igual ao do cartão, que pode ser utilizado em metrô, ônibus e bondes livremente; e um caderninho com as atrações incluídas no ticket, bem como outras que a apresentação do ticket dá desconto.

O ticket de transporte deve ser apresentado ao bilheteiro ou ao motorista quando da primeira utilização: ele carimba algo incompreensível na parte de baixo do bilhete.  Depois, você só precisa reapresentá-lo a cada embarque.

O cartão deve ser apresentado em todas as bilheterias de museus para a retirada dos respectivos ingressos, mediante a emissão de cupom fiscal com valor zero.  Nas atrações com desconto, o cartão deve ser apresentado juntamente com a filipeta destacável da atração que há no fim do caderninho.

E tudo funciona muito bem.  É uma ótima fonte de economia, especialmente porque os museus de Amsterdã são pequenos (o Rijksmuseum está pequeno durante as reformas que vão até 2013) e, assim, é possível visitar um monte deles em pouco tempo.

O único museu de Amsterdã que não tem desconto nem está no caderno de descontos é o museu da casa de Anne Frank.  Mas sobre ele, eu falo em outro post.

Posted by: Leandro | 4 Julho 2008, 12:04 pm.

No meio do caminho, a rua

Atravessar a rua é um gesto tão natural que quase todas as pessoas que eu conheço o fazem sem pensar.  Eu confesso que tento me ligar antes de cruzar a via, prestar atenção, algo como: “acorda, você está colocando sua vida em risco, presta atenção nisso e depois pensa no resto!“, mas é impossível se concentrar no ato de atravessar a rua em 100% das travessias.  E nem todo mundo tem noção do risco a que expõem as suas vidas quando praticam esse gesto tão cotidiano e tão urbano.

Na Europa, a coisa é diferente: um dos maiores choques que o turista da urbe brasileira sofre é com a educação de trânsito que os europeus, em geral, têm.

Lembro da primeira e única vez que estive em Zurique (uma cidade fantástica), em 1998: havia faixas de pedestre pintadas de branco, nos sinais, e outras pintadas de amarelo, em locais onde não havia sinais de trânsito.  Nestas, bastava o pedestre se aproximar para todos os carros pararem instantaneamente; naquelas, os carros só paravam no sinal vermelho - muito justo, por sinal.  E eu, moleque, ficava me jogando na frente dos carros na faixa amarela só para testar a novidade e aferir, depois de umas duzentas travessias, que ela funcionava mesmo (os freios dos carros também)!

Voltando lá esse ano, pude constatar que tudo continua na mesma.  E é impressionante como isso é chocante (no sentido que choca, não no sentido da velha gíria dos anos 80).  Na primeira travessia de peito aberto na frente de um carro em razoável velocidade, cujo motorista foi fundo no freio para respeitar a faixa, a Fiona (que nunca havia visto aquilo), congelou na calçada.  O carro parou e eu tive que parar no meio da travessia, voltar na calçada de origem, pegá-la pelo braço e rebocá-la até o outro lado, afirmando: “é seguro, aqui os carros param mesmo!“  Só depois de muitos testes ela acreditou - como São Tomé.

Mas sobre esse gesto urbano singelo e que, na Europa, parece tão simples e despreocupado, em dois lugares onde estive a coisa era bem diferente: Barcelona e Amsterdã.

Em Barcelona, chamava a atenção um escrito colocado em todas as travessias de pedestres, com ou sem sinal de trânsito, que dizia: “em Barcelona, um em cada três mortos no trânsito, estava a pé“.  Cada um tire as suas próprias conclusões sobre a estatística…

Em Amsterdã, a coisa não era só perigosa da boca para fora.  Atravessar uma rua, lá, é uma verdadeira aventura, daquelas de subir a adrenalina até os limites máximos tolerados pelo organismo humano.  Lá, na mesma via transitam simultaneamente bondes, carros e bicicletas (e os pedestres, pobres pedestres, tentam cruzar a via perpendicularmente).  E os ciclistas só andam em alta velocidade, e agem como se a prioridade fosse deles: não freiam nunca - os pedestres que se virem para sair da frente.  É uma loucura!!!  Não sei como eles se entendem.

Chega a ser emocionalmente desgastante olhar para os lados tantas vezes, mesmo atravessando na faixa de segurança com o sinal verde para o pedestre.  Uma verdadeira aventura!  Pior que ter que olhar para os lados quando se sai de um caixa eletrônico no Rio de Janeiro.  Depois não entendem porque eu não gostei e Amsterdã…  Cada vez que no meu caminho havia uma rua, era esse stress.

Posted by: Leandro | 3 Julho 2008, 7:59 pm.

Gozação pós-final

Todas as gozações estão reunidas aqui.  Eu vi todas e ainda acho que o pessoal está pegando leve com os torcedores do Fluminense…

Posted by: Leandro | 3 Julho 2008, 7:41 am.

Biocombustível

Um estudo recente conduzido pela Universidade Federal mostrou que cada brasileiro caminha na media 1.440 km por ano.  Outro estudo feito pela Associação Medica Brasileira mostrou que na media o brasileiro toma 86 litros de cerveja por ano.  Isso significa que, na média, o brasileiro faz 16,7 km por litro.

Isso me deixa muito orgulhoso de ser brasileiro !!!

Posted by: Leandro | 2 Julho 2008, 11:17 am.

Hotéis

Vou falar um pouco dos hotéis em que me hospedei na minha viagem à Europa.  Assim, poderei falar de algumas curiosidades relacionadas e dar algumas dicas - quiçá úteis - para quem pretende viajar para os lugares onde estive.

Antes, porém, preciso explicar o critério de escolha que eu me impus quando realizei a pesquisa e, finalmente, as reservas: uma conjugação de preço e localização, com certa dose de bom senso e o poder de veto da Fiona.  Nada de hotéis listados em revistas especializadas em turismo: isso é coisa de magnata.  Ainda assim, todos os que escolhi se revelaram mais que satisfatórios.  Vamos a eles.

Praça do Sol vista do quarto do Hostal Victoria

Madri: depois de muito pesquisar, recebi de uma amiga a dica de me hospedar no Hostal Victoria, na Praça do Sol (não é na praça, mas é a quinze passos dela, sem exagero).  Uma dica ótima, tanto pela localização quanto pelo conteúdo (o preço, então, nem se fala: paguei 52€, uma pechincha em se tratando de Europa).  Não é um, mas são três Hostals, e escolhi ficar no mais perto da Praça do Sol, o Victoria II.  Apesar de a arrumadeira brasileira ser uma anta e não saber dar nenhuma informação (nem sobre um bom restaurante nas redondezas), eu não tenho o que reclamar do hotel.

Fachada do hotel

Fachada do hotel

Barcelona: procurei bastante por uma pechincha em Barcelona (preço bom e localização boa), mas esse binônio lá é cruel: preço e localização são dois lados da mesma moeda e quando um está para cima, o outro está para baixo.  Aí eu resolvi seguir a dica do meu pai e pegar um hotel que, apesar de um pouco mais caro, era muito bem localizado - o Hotel Condal, o hotel em que Johnny (do filme “Meu nome não é Johnny”) vai vender a cocaína que levou para a Europa, e que apresentou uma boa relação custo-benefício.  Um dos recepcionistas, que trabalha durante o dia nos dias de semana, é luso-brasileiro, morou em São Paulo, e é um sujeito fora de série.  Os demais são bastante mal-humorados.  O hotel é limpo mas os serviços são um pouco falhos: não colocaram toalha no meu apartamento em um dia (eu só descobri depois que terminei o banho) e, no outro, não colocaram copos descartáveis.  Nada muito terrível, salvo o fato de ter que se vestir molhado para descer e pegar uma toalha, já que o hotel só dispõe de um funcionário durante a noite (na recepção) e ele não pode abandonar o posto.  Além disso, o hotel não tem um tratamento acústico muito bom, e como as ruas em Barcelona são todas muito barulhentas, quem tem problemas para dormir pode sofrer um pouco (não é o meu caso).  O café da manhã de lá (não incluído na diária), na verdade, não é um café da manhã de hotel (em que se paga uma quantia para comer o que quiser de um buffet), mas uma lanchonete que fica aberta e você paga pelo que você pede - enfim, é uma lanchonete, e cara.

Recepção do hotel

Recepção do hotel

Paris 1: na minha primeira parte da estada em Paris, fiquei no Hotel Albouy.  É um hotel jeitosinho, no 10º arrodissement, a 100 metros (ou um pouquinho mais que isso) da estação de metrô mais próxima.  Tem o menor elevador que eu já vi na vida: só dá para duas pessoas e olhe lá.  Mas no resto ele é ótimo: limpo, cheiroso e bonito, com atendentes muito simpáticos e solícitos.

Localização do escritório do hotel

Localização do escritório do hotel

Veneza: fiquei no Dimora dei Fiori, perto da estação de trem e do terminal de ônibus.  Na verdade, a recepção fica ali, porque o hotel em si (quero dizer, os apartamentos) ficam em outro lugar (não muito distante), numa rua calma e silenciosa, na beira do caminho sul para a Praça de San Marco.  Os quartos ficam num prédio residencial, e por isso você tem que andar com quatro chaves no bolso (para entrar no condomínio, no prédio, no andar e no apartamento) tem uma decoração meio estranha mas é bom.  Na alta temporada, há um cafezinho da manhã frugal (biscoitos maisena e torradinhas com geléia) deixado no quarto como cortesia.  A decoração é meio estranha, mas eu não estou nem aí para isso.  Não tem chuveiro, só ducha de mão.  O pagamento é feito no check-in e a recepcionista foi extremamente atenciosa, dando um mapa e todas as informações minimamente necessárias sobre Veneza e o funcionamento do hotel.

Hotel Ibis La Defènse

Paris 2: na volta de Veneza, fiquei no Hotel Ibis La Defènse Centre, o Mc Donald’s dos hotéis.  Tem o mesmo padrão no mundo todo, boa localização e bom preço, principalmente no fim de semana, quando ele se torna definitivamente a melhor opção de hospedagem em Paris.  Fica na zona 3 e, por isso, vc tem que comprar o Carte Orange (bilhete semanal de metrô) para abrigar esta zona - paga-se cerca de cinco euros a mais por isso mas vale a pena.

Localização privilegiada do Hotel The Moon em Bruxelas

Bruxelas: o Hotel The Moon ganha qualquer outro pela localização.  Ele fica a 200m (ou menos) da Grande Praça e a 300m (ou menos) da Gare Central.  É arrumadinho e tem café da manhã suficiente incluído na diária (pão de forma, croissant, queijo, suco, café, leite e mais umas coisinhas).  As paredes são um pouco finas e, por isso, o barulho da rua e das áreas comuns do hotel entram no quarto, mas não de maneira insuportável.  Não tem elevador, mas ele fica tão perto da estação de trem que vale mais a pena subir as escadas que andar por Bruxelas com a bagagem na mão.  O pagamento também é no check-in.

Fachada do City Hotel Utrechtsestrasse, em Amsterdã

Amsterdã: foi a escolha mais difícil, visto que era a hospedagem mais cara do meu roteiro pela Europa.  A escolha ficou entre dois hotéis, mas um foi vetado pela Fiona porque nas suas avaliações constava a aparição de um rato no quarto de um hóspede.  Optei, então, pelo City Hotel Utrechtsestraat, que fica a cinco metros da Rembrantplein - o centro da vida noturna de Amsterdã, o que pude comprovar no sábado, dia do jogo entre Holanda e Rússia pelas quartas-de-final da Eurocopa.  A Holanda perdeu e, mesmo assim, durante a noite, o barulho vindo da rua incomodou; imagina se a Holanda houvesse ganhado?…  Além disso, para chegar ao meu quarto, eu tinha que subir 67 degraus…  Mas o quarto era muito espaçoso (com direito a varandinha dando para a praça) e o banheiro também (aliás, o banheiro era um espetáculo).  O café da manhã custava cinco euros por pessoa, pagos antes de cada café, e era muito satisfatório - opção melhor que fazer compras.  É bem servido de transporte, com três linhas de bonde sendo que duas ligando com a estação central.  Os funcionários oscilam entre o falsamente simpático e o verdadeiramente antipático e não ajudam a subir as malas pelos 67 degraus.  Aqui, também, o pagamento é no check-in.

Posted by: Leandro | 1 Julho 2008, 11:53 am.

Planeta bizarro

Acabei de receber da minha amiga Sarita, com espanto e quase morrendo de tanto rir, um endereço eletrônico de um sujeito que se denomina “amigo de aluguel”.  Quem quiser contratá-lo, basta ligar para os números que aparecem no tal site.  Quem quiser morrer de rir, também pode visitar o site, que atende a ambas as intenções com o mesmo desempenho.

Posted by: Leandro | 30 Junho 2008, 11:28 am.

Sobre a Eurocopa

A Eurocopa acabou.  Infelizmente.  É muito bom ver tantos bons jogadores juntos, principalmente em jogos de mata-mata, jogando por seus países (quando os ânimos se exaltam).  É ali que a gente vê quem é bom e quem não é, quem tem condições de suportar a pressão e quem não tem essa capacidade.  A final, ontem, foi um exemplo claro disso.

Um jogão, apesar do placar mínimo.  Taticamente, o jogo foi de uma simplicidade e pobreza franciscanas.  Mesmo as alterações feitas pelos dois técnicos no segundo tempo foram óbvias e sequer precisavam de legendas ou comentaristas esportivos mais esclarecidos para entender o que cada um dos técnicos queria com cada substituição.

Durante a partida, ninguém demonstrou medo de perder o jogo - não de forma explícita - mas foi, digamos, o jogo do óbvio: a Alemanha jogando com força, toque e bola, correria e bola nas laterais para cruzar na área ou rolar para trás para alguém bater contra a Espanha do toque de bola e movimentação, encarnando a pureza de espírito da escola sul americana de futebol, como já havia feito na Copa do Mundo.  Definitivamente o futebol mais vistoso e mais agradável aos olhos que tenho visto, entre seleções, nos últimos anos.  Talvez só a Argentina de Riquelme e a Holanda de Van Pierse, quando quer, se aproxime dessa Espanha.

Deu Espanha e, para mim, um a zero foi pouco.  A disposição da Espanha ontem, para marcar a Alemanha no campo alemão mesmo vencendo, aos 45 do segundo tempo, é uma lição que muito time grande ainda tem que aprender.  E, por isso, venceu ninguém menos que a Alemanha, com sobras, com mérito.

Alguns breves comentários sobre os demais times:

A Holanda parece ter perdido o rumo: apesar do futebol bonito e objetivo, fiel aos seus princípios, sem organização interna e harmonia no grupo ela não vai - como nunca foi - a lugar nenhum.

Portugal não pode dizer que foi injustiçado por causa da falta (clara) não marcada pelo árbitro que Ballack fez sobre o defensor português antes de cabecear para marcar o terceiro gol da Alemanha naquela partida.  A Alemanha, naquele momento, era muito superior a Portugal; se não fizesse aquele gol, não iria se encolher até levar o segundo.  Portugal perdeu por confiar demais em Cristiano Ronaldo e de menos em Deco e Nuno Gomes (que ficou na reserva).  Sobrou otimismo e faltou jogo de equipe.

A Rússia foi a grata surpresa da Eurocopa: jogando com aplicação, toque de bola (quem diria?) e objetivamente.  Não deu espaço para a Holanda, mas acabou fraquejando (por cansaço mesmo) diante da Espanha.  Não fosse aquela prorrogação contra a Holanda, talvez a Espanha não tivesse tanta moleza, principalmente no segundo tempo.

E a Turquia, para mim, foi o grande destaque da Eurocopa: sorte e perseverança foram a receita do seu sucesso.  Venceu jogos perdidos (parecia, e na Europa foi apelidada assim, Fênix, ressurgindo das cinzas) e provou que futebol é mesmo, como diz o povo, uma caixinha de surpresas.  Foi um grande pecado ela não ter sido recompensado com, ao menos, uma prorrogação contra a Alemanha.

É uma pena que a Euro seja apenas de quatro em quatro anos, e não de dois em dois, como é a Copa América.

Posted by: Leandro | 27 Junho 2008, 8:22 am.

Grandes dilemas da humanidade, capítulo…

O ser humano é apegado às coisas por natureza.  Ele se apega a tudo ao seu redor que lhe dá conforto e suporte, seja humano ou não.  É por isso que existe a família, é por isso que existem os amuletos, é por isso que existe sótão, as coleções de figurinhas, selos e quaisquer outras coisas e, creio, é para isso que inventaram as caixas de sapato (porque sapato não precisa de caixa para ser vendido, né?).  É lá que os seres humanos guardam as coisas às quais se apega.  E todo mundo tem uma quinquilharia guardada no fundo do armário de casa - na qual não mexe há anos, não tem perspectiva de usar, pode comprar outra facilmente no mercado mas dela não se desfaz de jeito nenhum.

Calma, se você é assim, você é normal.  Anormal é quem vive por aí sem nada, não guarda nada nem se apega a nada.  Só no dia de fazer a mudança é que você vai ver quanta tralha existe no seu armário, coisas que você nem lembrava que tinha, e outras que você lembrava que tinha mas não lembrava onde havia guardado.  Nem é preciso descer a maiores detalhes porque todos sabem do que eu estou falando.

Guardar as coisas é um ato automático; se livrar delas é que é difícil.  Tanto que é normal você nem lembrar onde guardou algo (”guardei em algum lugar, não lembro onde“); é normal também você lembrar muito bem que já o jogou fora, em que lixeira e quando.

Aí é que vem o grande dilema deste post.  Uma pessoa que trabalha comigo fez a seguinte pergunta (nem precisa dizer que eu não soube responder): “Por que a gente guarda contra-cheque?“  Se alguém puder ajudar…

Posted by: Leandro | 26 Junho 2008, 1:55 pm.

Europa

Durante a minha estada na Europa, Fiona me perguntou a origem do nome do continente.  Eu lembrava que era alguma coisa relacionada à mitologia grega; não lembrava se se tratava de uma deusa ou semi-deusa (ou algo parecido).  Sabia, porém, que era mãe de alguns dos muitos filhos de Zeus e também o nome de uma das quatro maiores luas de Júpiter (nome de Zeus na mitologia romana).  Agora, com a internet à mão, fica mole de dizer quem era Europa.  Aí vai:

De acordo com a mitologia grega, Europa foi uma mulher muito bonita que despertou os amores de Zeus (Júpiter), deus-rei do Olimpo. No dizer de Homero, na Ilíada, ela era filha de Fênix, ancestral dos fenícios, ou então de Agenor, rei de Tiro, e por isso irmã de Cadmo. Uma outra lenda grega conta que o deus maior a vira quando passeava com algumas amigas em uma praia da Fenícia, atual Líbano, e não resistindo aos seus encantos decidiu ir ao seu encontro disfarçado como um imponente touro branco, para então raptá-la.

Sobre essa passagem, o mitologista Thomas Bulfinch (1796-1867) escreve em “O Livro de Ouro da Mitologia”, que a mortal Aracne - “uma donzela que atingira tal perfeição na arte de tecer e bordar, que as próprias ninfas costumavam deixar suas grutas e suas fontes para admirar seu trabalho, que era belo não somente depois de feito, mas belo também ao ser feito” -, entendeu que poderia desafiar sua mestra, a deusa Minerva, para uma competição de bordados, pretendendo demonstrar dessa forma que sua habilidade como bordadeira era inigualável. Em um dos trabalhos feitos nessa oportunidade, ela mostrava que Europa, iludida por Zeus (Júpiter) sob a forma de um touro, sentiu-se encorajada pela mansidão do animal, e por isso aventurou-se a cavalgá-lo. Júpiter, então, entrou no mar e levou-a a nado para Creta. Dessa união entre a jovem e o deus supremo, nasceram três filhos, Minos, Radamanto e Sarpedonte.

Na descrição desse seqüestro de autoria divina, costuma-se dizer que Europa, passeava um dia com algumas amigas em certa praia de Tiro, cidade mediterrânea ao sul do atual Líbano, a uma distância relativamente curta da pastagem onde se encontrava o rebanho de seu pai. As moças colhiam flores, e caminhavam assim, alegres e satisfeitas, quando Europa notou que um touro de porte majestoso e com pelagem branca e brilhante, era o que mais se destacava entre todos os bovinos ali reunidos.  Ela nunca o tinha visto e por isso, curiosa, aproximou-se dele, e ao acariciá-lo sentiu que pairava no ar o odor de açafrão. O touro então dobrou os joelhos e deitou-se a seus pés, de forma a permitir que ela subisse em seu dorso, e a esse convite explícito a jovem não resistiu: montou, ornou os cornos do animal com as flores que carregava, e este em seguida pôs-se de pé, caminhou diretamente para o mar, entrou na água e nadou até Gortina, ao sul da ilha de Creta, acompanhado por nereidas navegando sobre tritões e delfins. Lá chegando, o touro transmudou-se em Zeus, (Júpiter), deu-se a conhecer a Europa, e o casal então se amou junto a uma fonte e debaixo de plátanos que, segundo a lenda, conservaram para sempre a sua folhagem.

Europa recebeu três presentes de Júpiter; Talos, um gigante de bronze dotado de movimentos, capaz não só de atirar pedras como o de se aquecer a ponto de queimar os intrusos, cuja missão era guardar a ilha de Creta contra possíveis invasores; um cão que seguia sempre a pista de sua presa, e uma lança que nunca errava o alvo. Por ordem de Júpiter ela casou-se posteriormente com Astério, rei de Creta, que adotou seus três filhos. Um deles, Minos, assumiu o trono da ilha quando da morte do padrasto. Porém, segundo uma outra tradição, Europa foi primeiramente transportada para a Beócia, onde teve um filho, Carnao, antepassado dos égides, que eram os filhos de Egeu, ou atenienses.

Seu pai, durante toda a vida, a procurou em vão, e ela, uma vez morta, foi elevada por Zeus à categoria de divindade e transformada em constelação. Em homenagem a Europa, várias festas eram realizadas em Creta e na Grécia. Seu rapto foi ilustrado por artistas de todos os tempos, desde aqueles que representaram a cena em templos arcaicos, ou então sobre vasos, moedas, afrescos e mosaicos, até aos pintores de épocas mais recentes, como Veronese, Ticiano, Tintoreto e outros mais.

Fonte: http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=558126

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