Ah, só faltou ganhar do Fluminense para o domingão ser perfeito. Barba de manhã, com o bicampeonato do Flamengo na NBB. Cabelo, de tarde, com o tricampeonato do Brasil na Copa das Confederações. Faltou o bigode, de noite, contra o Fluminense…
1. NBB: Basquete é mesmo um jogo apaixonante. É dinâmico, rápido, tenso, agitado… Fora os jogos do colégio e da faculdade, eu jamais havia assistido um joguinho sequer antes da final dos Jogos Panamericanos, aqui no Rio. Deu Brasil, naquela oportunidade, sem chances para Porto Rico. O jogo foi no mesmo local, a Arena Multiuso. Mas foi diferente… Diferente principalmente por causa da torcida. A torcida do Flamengo, modéstia à parte, é um espetáculo.
Torcer para o Brasil é um saco. A torcida é totalmente passiva. Naquela final, a torcida só se uniu para cantar ofensas ao Galvão Bueno e louvores a Oscar e Hortência. Fora isso, só as comemorações de praxe a cada cesta. Já torcer para o Flamengo, é outra coisa: a torcida dita o ritmo do jogo, aplaude e dá força ao jogador que perdeu seis (acreditem: SEIS!) lances livres seguidos no início do jogo, vaia quando o adversário pensa que vai atacar, comemora cada roubada de bola como se fosse a cesta do título… Num jogo de basquete do Flamengo, a torcida joga, os jogadores só colocam a bola na cesta. Em vários momentos, o DJ e o animador da torcida eram completamente dominados pela massa: eram relegados a terceiro plano e mal conseguiam trabalhar.
Assistindo o jogo, bateu um arrependimento de não ter acompanhado a campanha toda… Deve ter sido um espetáculo atrás do outro – e tudo isso bem pertinho de mim, no Ginásio do Tijuca Tênis Clube. Que bobeira a minha… Mas eu me corrigi a tempo. Fui à final e saí na foto do título.

Foto original do Globoesporte.com
2. Ainda a NBB: agradar um público de alto nível como o que estava na Arena ontem não é tarefa fácil. Essa tarefa deve se concentrar em três aspectos: organização, entreterimento e no espetáculo em si. Trocando em miúdos, é o seguinte: enquanto a bola não rola, deve-se dar ao povo outra coisa para ver ou fazer, com segurança e alegria.
A organização, a cargo da administração da Arena, é coisa que não se vê todo dia: desde as proximidades da Arena, várias pessoas de terno escuro e gravata vermelha orientam o público com objetividade e clareza. Dentro da Arena, o estacionamento é organizado de uma forma que eu só vi na Disneyworld, em Orlando. Ninguém escolhe a vaga que vai parar, mas para na primeira vaga livre, conforme orientação do pessoal de recepção da Arena. O resultado disso é agilidade na recepção, praticidade e segurança para os espectadores, além de evitar filas na entrada do estacionamento.
O espetáculo em si, com o Flamengo em quadra, é garantido. Dispensa comentários.
Mas a parte do entreterimento… Só não afirmo que foi um fiasco porque, lá pelas tantas, o DJ colocou “La Banba” no último volume, depois de uma sequência alucinante de cestas do Flamengo e um pedido de tempo do Brasília, levando a galera à loucura. Tinha um monte de marmanjo dançando na arquibancada, no melhor estilo NBA. Fora isso…
Para começar, o hino nacional foi cantado pela Sandra de Sá (que mais parecia um camelô) ao ritmo de pagode… O povo, em silêncio, ouviu boquiaberto, sem acreditar no que estava acontecendo. Uns poucos tentaram bater palmas para acompanhar o ritmo empolgante (leiam esta frase em tom de ironia, por favor) das batucadas. Depois do hino, só consegui fazer um comentário: “aquele de branco é vascaíno!“, disse apontando para o único pagodeiro sem camisa do Flamengo.
No intervalo, cinco mambembes maltrapilhos pularam como ginastas (aquilo é dançar?) no centro da quadra ao som de Michael Jackson… Eu não aguento mais ouvir falar em Michael Jackson!
E aquele agitador… Erros de concordância nas frases, perguntas idiotas (eu queria ter um microfone para dar a ele respostas imbecis)… Era óbvio que ele perderia, em breve, o comando do evento. A torcida tomou-o para si e não devolveu mais.
3. Duda é emoção, Marcelinho é razão. Este caminha pela quadra silenciosamente, recebe a bola e arremessa. Quando arma o time, o faz com a calma e a certeza da vitória. Nos piores momentos do jogo, eu via nele a calma do Didi, no filme da Copa de 1958, pegando a bola no fundo das redes brasileiras e caminhando ao centro do campo com ela debaixo do braço. Aquele, é vibração, correria, raça… Do jeito que a torcida do Flamengo gosta. E ele parecia saber exatamente a dimensão disso, quando chamava a torcida para o jogo.
4. Mudando de assunto: arrogante a vitória do Brasil. Deixar-se levar dois gols para depois virar o jogo, sem reclamar de ter feito quatro gols para levar apenas três, em uma final? Sim, existe um quê de arrogância nisso. Senão por se deixar encontrar nessa situação, ao menos por sair dela estampando veladamente, para o mundo todo, que só lunáticos seriam capazes de criar um ranking de seleções no qual o Brasil pudesse estar de fora do topo.
5. Há muito tempo eu não via o Brasil jogar do jeito que jogou o segundo tempo do jogo… Acho que desde a final da Copa de 2002.
6. O Dunga podia ter feito o aviãozinho do Zagallo depois do gol da virada… De novo, 3×2, na África do Sul, de virada… A história se repetia, era hora de repetir a história. Eu fiz, sozinho, em casa, o meu aviãozinho.
7. Lucio chorando depois do gol… Só lembro de ver um jogador chorar depois de fazer um gol decisivo em final de campeonato: o Lê, do Flamengo, há dez anos (final da Copa Mercosul de 1999). Esse cara vai virar técnico da seleção, aposto!
8. De noite, o Fla x Flu não foi digno da magnitude dos outros eventos esportivos daquele dia.