Meu último ato de turismo em Buenos Aires foi, certamente, o melhor: conhecer o mítico estádio do Boca Juniors.
Explicando para o Gabriel, quando o conheci, a impressão que um brasileiro tinha da Bombonera, disse mais ou menos que o estádio joga por si próprio. O medo que jogar ali verga nos times brasileiros não depende do time que se enfrenta nem da torcida que o apóia. Jogar ali é simplesmente jogar contra um estádio que se recusa a perder uma partida sequer. Quem vai jogar na Bombonera vai para não perder de goleada: perder de um a zero é um grande negócio.
E olhando aquele estádio alto, do lado de fora, mesmo sabendo que ele estava vazio e não era dia de jogo, não pude deixar de sentir um baita frio na barriga – e uma vontade louca de entrar logo e conhecê-lo.
A visita também começa na boutique do clube, anexa ao Museu de la Passión Boquense – na minha opinião, o melhor da cidade. A visita completa (que inclui o museu e uma visita guiada pelas dependências do estádio) é uma baba: 22 pesos (que valem a pena). Na loja, tudo é muito caro, mais caro do que em qualquer outro ponto da cidade – sem falar que as coisas do Boca são sempre mais caras do que qualquer outro material esportivo, inclusive da seleção argentina.
A visita percorre as escadarias apertadas por dentro do estádio, as dependências internas (quadras de futsal e campos de bocha), vai à moderna mas apertada sala de imprensa do estádio, ao vestiário do Boca, às arquibancadas e, por fim, no gramado. Tudo isso percorrendo corredores estreitos e escadas apertadas, sempre desviando a cabeça das colunas pintadas de azul e amarelo.
Imaginei, assim como em Nuñez, como seria uma evacuação dali. Também impossível: aquelas escadas em zigue-zague constante, apertadinhas e com teto baixo eram mais claustrofóbicas do que as do Monumental. A arquibancada é incrivelmente vertical e os torcedores ficam a um braço de distância (um pouco mais, talvez), da bandeirinha de escanteio. E ali também existe arame farpado – confirmando a minha teoria de que o povo ali é tratado igual gado. Um estádio absolutamente sem condições de abriga o público que abriga e de receber os jogos que recebe.
Percebi, também durante a visita, que muita gente vai ali em romaria. A visita, em si, parece uma missa em devoção ao Boca e ao seu deus, Maradona. Todos querem saber tudo sobre ele: onde senta, quanto pagou pelo seu camarote… Tirar foto ao lado de sua estátua e de sua camisa, no museu, é um sufoco, tamanho o apelo popular que ele evoca. Ali, cada um acha que Maradona é parte de sua família, tanta ternura existe em seus olhares. Como pode tanta irracionalidade nesse amor?
Mas a minha curiosidade foi saciada…






Oi Leandro!
Cheguei em vc ao navegar procurando informações sobre visitas à estadios em bs.aires. passarei por lá com meus dois filhos, de 7 e 9 anos, fanáticos por futebol com vc, netos de um flamenguista.
Será que vc tem o telefone dos estadios pra me passar? eu queria agendar as visitas!
Muito simpático o seu blog. Suas dicas são preciosas!
brigada, ilana
Ilana,
Não agendei nenhuma visita aos estádios. Escrevi para a administração do River Plate e eles responderam que não é necessário agendamento. Nem tentei escrever para o Boca Juniors pois não tinha a intenção de fazer uma visita longa, mas acabei fazendo porque, por acidente, cheguei na hora em que o grupo ia partir. Havia vagas ainda: não hesitei e fui. Só fique de olho porque em dias de jogo as visitas não ocorrem ou são encerradas bem cedo. Consulte uma tabela do campeonato argentino antes de se programar.
Por: ilana katz em 13 Julho 2008, 7:08 pm.
às 7:08 pm