Publicado por: Leandro | 28 Fevereiro 2008, 1:26 pm.

La Bombonera

Meu último ato de turismo em Buenos Aires foi, certamente, o melhor: conhecer o mítico estádio do Boca Juniors.

Explicando para o Gabriel, quando o conheci, a impressão que um brasileiro tinha da Bombonera, disse mais ou menos que o estádio joga por si próprio.  O medo que jogar ali verga nos times brasileiros não depende do time que se enfrenta nem da torcida que o apóia.  Jogar ali é simplesmente jogar contra um estádio que se recusa a perder uma partida sequer.  Quem vai jogar na Bombonera vai para não perder de goleada: perder de um a zero é um grande negócio.

E olhando aquele estádio alto, do lado de fora, mesmo sabendo que ele estava vazio e não era dia de jogo, não pude deixar de sentir um baita frio na barriga – e uma vontade louca de entrar logo e conhecê-lo.

La Bombonera

Rua no entorno da Bombonera

A visita também começa na boutique do clube, anexa ao Museu de la Passión Boquense – na minha opinião, o melhor da cidade.  A visita completa (que inclui o museu e uma visita guiada pelas dependências do estádio) é uma baba: 22 pesos (que valem a pena).  Na loja, tudo é muito caro, mais caro do que em qualquer outro ponto da cidade – sem falar que as coisas do Boca são sempre mais caras do que qualquer outro material esportivo, inclusive da seleção argentina.

A visita percorre as escadarias apertadas por dentro do estádio, as dependências internas (quadras de futsal e campos de bocha), vai à moderna mas apertada sala de imprensa do estádio, ao vestiário do Boca, às arquibancadas e, por fim, no gramado.  Tudo isso percorrendo corredores estreitos e escadas apertadas, sempre desviando a cabeça das colunas pintadas de azul e amarelo.

Estádio La Bombonera

Corredor sob as arquibancadas

Estádio La Bombonera

Vista do campo

 

Imaginei, assim como em Nuñez, como seria uma evacuação dali.  Também impossível: aquelas escadas em zigue-zague constante, apertadinhas e com teto baixo eram mais claustrofóbicas do que as do Monumental.  A arquibancada é incrivelmente vertical e os torcedores ficam a um braço de distância (um pouco mais, talvez), da bandeirinha de escanteio.  E ali também existe arame farpado – confirmando a minha teoria de que o povo ali é tratado igual gado.  Um estádio absolutamente sem condições de abriga o público que abriga e de receber os jogos que recebe.

Estádio La Bombonera

Campo de jogo

La Bombonera

Campo de jogo

 

Percebi, também durante a visita, que muita gente vai ali em romaria.  A visita, em si, parece uma missa em devoção ao Boca e ao seu deus, Maradona.  Todos querem saber tudo sobre ele: onde senta, quanto pagou pelo seu camarote…  Tirar foto ao lado de sua estátua e de sua camisa, no museu, é um sufoco, tamanho o apelo popular que ele evoca.  Ali, cada um acha que Maradona é parte de sua família, tanta ternura existe em seus olhares.  Como pode tanta irracionalidade nesse amor?

Mas a minha curiosidade foi saciada…


Respostas

  1. Oi Leandro!

    Cheguei em vc ao navegar procurando informações sobre visitas à estadios em bs.aires. passarei por lá com meus dois filhos, de 7 e 9 anos, fanáticos por futebol com vc, netos de um flamenguista.
    Será que vc tem o telefone dos estadios pra me passar? eu queria agendar as visitas!
    Muito simpático o seu blog. Suas dicas são preciosas!
    brigada, ilana

    Ilana,
    Não agendei nenhuma visita aos estádios. Escrevi para a administração do River Plate e eles responderam que não é necessário agendamento. Nem tentei escrever para o Boca Juniors pois não tinha a intenção de fazer uma visita longa, mas acabei fazendo porque, por acidente, cheguei na hora em que o grupo ia partir. Havia vagas ainda: não hesitei e fui. Só fique de olho porque em dias de jogo as visitas não ocorrem ou são encerradas bem cedo. Consulte uma tabela do campeonato argentino antes de se programar.


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