Numa aula de Direito Empresarial, uma mosca insiste em desfilar pela sala. O professor pára a aula para pedir aos alunos que, quem puder, mate aquele mosquito porque poderia ser um mosquito da dengue. Ato contínuo, a Isabella diz: “mas é uma mosca…“, e o David emenda: “deve ser uma mosca da dengue“. Risada geral na sala de aula.
O professor não perde a pose e ataca: “é porque o mosquito da dengue tem uma característica bastante marcante, que é a de ser persistente. Ele não desiste.“ Nisso o David emendou, anonimamente: “o mosquito é brasileiro e não desiste nunca!“.
O professor continuou o devaneio, alheio à piada e ao estouro de riso da turma, ainda sobre a persistência do mosquito: “o mosquito fica rondando, você tenta matá-lo, não consegue e ele volta, até conseguir o que quer. E é nessa hora da manhã que ele ataca.“ Já eram umas dez horas da manhã.
Nisso a Rafhaela tirou uma lata de repelente aerosol da bolsa (não me pergunte o que a lata estava fazendo ali, deve ser coisa de mineiro mesmo, sempre precavido) e mostrou ao professor. Ele não titubeou e foi buscar a lata. Pegou, sacudiu e lançou o spray sobre o local onde ele estava sentado. O David, novamente, não perdoou: “isso é para passar na pele!…“
Eu mesmo abaixei a cabeça para rir atrás do computador. Era daquelas cenas que você vê e pensa: “não acredito que ele está fazendo isso… não pode ser sério. Se eu contar, ninguém vai acreditar“.
O professor devolveu o repelente para a Rafhaela, que o deixou sobre a mesa até o fim da aula (novamente, não me perguntem por quê – eu também não sei). Voltou para o seu lugar, já devidamente “dedetizado“, sentou-se e voltou à aula.
