O ser humano é apegado às coisas por natureza. Ele se apega a tudo ao seu redor que lhe dá conforto e suporte, seja humano ou não. É por isso que existe a família, é por isso que existem os amuletos, é por isso que existe sótão, as coleções de figurinhas, selos e quaisquer outras coisas e, creio, é para isso que inventaram as caixas de sapato (porque sapato não precisa de caixa para ser vendido, né?). É lá que os seres humanos guardam as coisas às quais se apega. E todo mundo tem uma quinquilharia guardada no fundo do armário de casa – na qual não mexe há anos, não tem perspectiva de usar, pode comprar outra facilmente no mercado mas dela não se desfaz de jeito nenhum.
Calma, se você é assim, você é normal. Anormal é quem vive por aí sem nada, não guarda nada nem se apega a nada. Só no dia de fazer a mudança é que você vai ver quanta tralha existe no seu armário, coisas que você nem lembrava que tinha, e outras que você lembrava que tinha mas não lembrava onde havia guardado. Nem é preciso descer a maiores detalhes porque todos sabem do que eu estou falando.
Guardar as coisas é um ato automático; se livrar delas é que é difícil. Tanto que é normal você nem lembrar onde guardou algo (”guardei em algum lugar, não lembro onde“); é normal também você lembrar muito bem que já o jogou fora, em que lixeira e quando.
Aí é que vem o grande dilema deste post. Uma pessoa que trabalha comigo fez a seguinte pergunta (nem precisa dizer que eu não soube responder): “Por que a gente guarda contra-cheque?“ Se alguém puder ajudar…
