A Eurocopa acabou. Infelizmente. É muito bom ver tantos bons jogadores juntos, principalmente em jogos de mata-mata, jogando por seus países (quando os ânimos se exaltam). É ali que a gente vê quem é bom e quem não é, quem tem condições de suportar a pressão e quem não tem essa capacidade. A final, ontem, foi um exemplo claro disso.
Um jogão, apesar do placar mínimo. Taticamente, o jogo foi de uma simplicidade e pobreza franciscanas. Mesmo as alterações feitas pelos dois técnicos no segundo tempo foram óbvias e sequer precisavam de legendas ou comentaristas esportivos mais esclarecidos para entender o que cada um dos técnicos queria com cada substituição.
Durante a partida, ninguém demonstrou medo de perder o jogo – não de forma explícita – mas foi, digamos, o jogo do óbvio: a Alemanha jogando com força, toque e bola, correria e bola nas laterais para cruzar na área ou rolar para trás para alguém bater contra a Espanha do toque de bola e movimentação, encarnando a pureza de espírito da escola sul americana de futebol, como já havia feito na Copa do Mundo. Definitivamente o futebol mais vistoso e mais agradável aos olhos que tenho visto, entre seleções, nos últimos anos. Talvez só a Argentina de Riquelme e a Holanda de Van Pierse, quando quer, se aproxime dessa Espanha.
Deu Espanha e, para mim, um a zero foi pouco. A disposição da Espanha ontem, para marcar a Alemanha no campo alemão mesmo vencendo, aos 45 do segundo tempo, é uma lição que muito time grande ainda tem que aprender. E, por isso, venceu ninguém menos que a Alemanha, com sobras, com mérito.
Alguns breves comentários sobre os demais times:
A Holanda parece ter perdido o rumo: apesar do futebol bonito e objetivo, fiel aos seus princípios, sem organização interna e harmonia no grupo ela não vai – como nunca foi – a lugar nenhum.
Portugal não pode dizer que foi injustiçado por causa da falta (clara) não marcada pelo árbitro que Ballack fez sobre o defensor português antes de cabecear para marcar o terceiro gol da Alemanha naquela partida. A Alemanha, naquele momento, era muito superior a Portugal; se não fizesse aquele gol, não iria se encolher até levar o segundo. Portugal perdeu por confiar demais em Cristiano Ronaldo e de menos em Deco e Nuno Gomes (que ficou na reserva). Sobrou otimismo e faltou jogo de equipe.
A Rússia foi a grata surpresa da Eurocopa: jogando com aplicação, toque de bola (quem diria?) e objetivamente. Não deu espaço para a Holanda, mas acabou fraquejando (por cansaço mesmo) diante da Espanha. Não fosse aquela prorrogação contra a Holanda, talvez a Espanha não tivesse tanta moleza, principalmente no segundo tempo.
E a Turquia, para mim, foi o grande destaque da Eurocopa: sorte e perseverança foram a receita do seu sucesso. Venceu jogos perdidos (parecia, e na Europa foi apelidada assim, Fênix, ressurgindo das cinzas) e provou que futebol é mesmo, como diz o povo, uma caixinha de surpresas. Foi um grande pecado ela não ter sido recompensado com, ao menos, uma prorrogação contra a Alemanha.
É uma pena que a Euro seja apenas de quatro em quatro anos, e não de dois em dois, como é a Copa América.
