Publicado por: Leandro | 30 Junho 2008, 11:28 am.

Sobre a Eurocopa

A Eurocopa acabou.  Infelizmente.  É muito bom ver tantos bons jogadores juntos, principalmente em jogos de mata-mata, jogando por seus países (quando os ânimos se exaltam).  É ali que a gente vê quem é bom e quem não é, quem tem condições de suportar a pressão e quem não tem essa capacidade.  A final, ontem, foi um exemplo claro disso.

Um jogão, apesar do placar mínimo.  Taticamente, o jogo foi de uma simplicidade e pobreza franciscanas.  Mesmo as alterações feitas pelos dois técnicos no segundo tempo foram óbvias e sequer precisavam de legendas ou comentaristas esportivos mais esclarecidos para entender o que cada um dos técnicos queria com cada substituição.

Durante a partida, ninguém demonstrou medo de perder o jogo – não de forma explícita – mas foi, digamos, o jogo do óbvio: a Alemanha jogando com força, toque e bola, correria e bola nas laterais para cruzar na área ou rolar para trás para alguém bater contra a Espanha do toque de bola e movimentação, encarnando a pureza de espírito da escola sul americana de futebol, como já havia feito na Copa do Mundo.  Definitivamente o futebol mais vistoso e mais agradável aos olhos que tenho visto, entre seleções, nos últimos anos.  Talvez só a Argentina de Riquelme e a Holanda de Van Pierse, quando quer, se aproxime dessa Espanha.

Deu Espanha e, para mim, um a zero foi pouco.  A disposição da Espanha ontem, para marcar a Alemanha no campo alemão mesmo vencendo, aos 45 do segundo tempo, é uma lição que muito time grande ainda tem que aprender.  E, por isso, venceu ninguém menos que a Alemanha, com sobras, com mérito.

Alguns breves comentários sobre os demais times:

A Holanda parece ter perdido o rumo: apesar do futebol bonito e objetivo, fiel aos seus princípios, sem organização interna e harmonia no grupo ela não vai – como nunca foi – a lugar nenhum.

Portugal não pode dizer que foi injustiçado por causa da falta (clara) não marcada pelo árbitro que Ballack fez sobre o defensor português antes de cabecear para marcar o terceiro gol da Alemanha naquela partida.  A Alemanha, naquele momento, era muito superior a Portugal; se não fizesse aquele gol, não iria se encolher até levar o segundo.  Portugal perdeu por confiar demais em Cristiano Ronaldo e de menos em Deco e Nuno Gomes (que ficou na reserva).  Sobrou otimismo e faltou jogo de equipe.

A Rússia foi a grata surpresa da Eurocopa: jogando com aplicação, toque de bola (quem diria?) e objetivamente.  Não deu espaço para a Holanda, mas acabou fraquejando (por cansaço mesmo) diante da Espanha.  Não fosse aquela prorrogação contra a Holanda, talvez a Espanha não tivesse tanta moleza, principalmente no segundo tempo.

E a Turquia, para mim, foi o grande destaque da Eurocopa: sorte e perseverança foram a receita do seu sucesso.  Venceu jogos perdidos (parecia, e na Europa foi apelidada assim, Fênix, ressurgindo das cinzas) e provou que futebol é mesmo, como diz o povo, uma caixinha de surpresas.  Foi um grande pecado ela não ter sido recompensado com, ao menos, uma prorrogação contra a Alemanha.

É uma pena que a Euro seja apenas de quatro em quatro anos, e não de dois em dois, como é a Copa América.


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