Atravessar a rua é um gesto tão natural que quase todas as pessoas que eu conheço o fazem sem pensar. Eu confesso que tento me ligar antes de cruzar a via, prestar atenção, algo como: “acorda, você está colocando sua vida em risco, presta atenção nisso e depois pensa no resto!“, mas é impossível se concentrar no ato de atravessar a rua em 100% das travessias. E nem todo mundo tem noção do risco a que expõem as suas vidas quando praticam esse gesto tão cotidiano e tão urbano.
Na Europa, a coisa é diferente: um dos maiores choques que o turista da urbe brasileira sofre é com a educação de trânsito que os europeus, em geral, têm.
Lembro da primeira e única vez que estive em Zurique (uma cidade fantástica), em 1998: havia faixas de pedestre pintadas de branco, nos sinais, e outras pintadas de amarelo, em locais onde não havia sinais de trânsito. Nestas, bastava o pedestre se aproximar para todos os carros pararem instantaneamente; naquelas, os carros só paravam no sinal vermelho – muito justo, por sinal. E eu, moleque, ficava me jogando na frente dos carros na faixa amarela só para testar a novidade e aferir, depois de umas duzentas travessias, que ela funcionava mesmo (os freios dos carros também)!
Voltando lá esse ano, pude constatar que tudo continua na mesma. E é impressionante como isso é chocante (no sentido que choca, não no sentido da velha gíria dos anos 80). Na primeira travessia de peito aberto na frente de um carro em razoável velocidade, cujo motorista foi fundo no freio para respeitar a faixa, a Fiona (que nunca havia visto aquilo), congelou na calçada. O carro parou e eu tive que parar no meio da travessia, voltar na calçada de origem, pegá-la pelo braço e rebocá-la até o outro lado, afirmando: “é seguro, aqui os carros param mesmo!“ Só depois de muitos testes ela acreditou – como São Tomé.
Mas sobre esse gesto urbano singelo e que, na Europa, parece tão simples e despreocupado, em dois lugares onde estive a coisa era bem diferente: Barcelona e Amsterdã.
Em Barcelona, chamava a atenção um escrito colocado em todas as travessias de pedestres, com ou sem sinal de trânsito, que dizia: “em Barcelona, um em cada três mortos no trânsito, estava a pé“. Cada um tire as suas próprias conclusões sobre a estatística…
Em Amsterdã, a coisa não era só perigosa da boca para fora. Atravessar uma rua, lá, é uma verdadeira aventura, daquelas de subir a adrenalina até os limites máximos tolerados pelo organismo humano. Lá, na mesma via transitam simultaneamente bondes, carros e bicicletas (e os pedestres, pobres pedestres, tentam cruzar a via perpendicularmente). E os ciclistas só andam em alta velocidade, e agem como se a prioridade fosse deles: não freiam nunca – os pedestres que se virem para sair da frente. É uma loucura!!! Não sei como eles se entendem.
Chega a ser emocionalmente desgastante olhar para os lados tantas vezes, mesmo atravessando na faixa de segurança com o sinal verde para o pedestre. Uma verdadeira aventura! Pior que ter que olhar para os lados quando se sai de um caixa eletrônico no Rio de Janeiro. Depois não entendem porque eu não gostei e Amsterdã… Cada vez que no meu caminho havia uma rua, era esse stress.

hahhaaha… como não gostou de Amsterdã??? A cidade é maravilhosa! Vc precisa vir novamente pra curtir mais! E os ciclistas! Ah, eles fazem de propósito, pra assustar turista… ao menos essa é a minha teoria…
Por: batateira em 12 Agosto 2008, 5:34 pm.
às 5:34 pm