A equação acima é verdadeira. É difícil lidar com novidades, desde o simples fato de estar em um lugar desconhecido até compreender os hábitos (e a cultura) mais arraigados no povo local – aquelas coisas que todo mundo faz mas ninguém sabe bem o porquê, afinal de contas, aquilo sempre foi assim, sempre funcionou, e todo mundo praticamente já nasceu sabendo.
O simples fato, por exemplo, de ligar um chuveiro, pode ser desastroso e, conseqüentemente, ser enquadrado na tal equação.

Exemplo de torneira. Repare no botão acionador do chuveirinho no centro.
Para começar, é bom deixar claro, para quem não conhece, que na Europa não existem chuveiros como nós temos no Brasil: há uma banheira, quase sempre escorregadia (que pode ou não ser grande o suficiente para receber uma pessoa deitada no seu interior), uma torneira e um chuveirinho. Esse chuveirinho, quase sempre, pode ser pendurado no alto para fazer as vezes de um chuveiro. Quase sempre, mas nem sempre.
Quando você aciona a torneira, a água sai por ela mesma, e não no chuveirinho. E não adianta desligar a torneira para acionar a alavanca que direciona a água para o chuveirinho. É necessário fazer isso com ela ligada. E eu não sabia disso.
Liguei para a recepção e tentei, em portunhol, fazer a mulher entender o meu problema. Depois de um certo esforço, ela tentou, em espanhol, me explicar a solução. Mas eu não compreendia – ou ela não conseguia ser clara sobre – o detalhe da operação: o acionamento do botão tinha que ser feito com a bica aberta.
Não teve jeito: ela teve que vir ao quarto para me mostrar como funcionava. Coisa tão simples. Como é que eu não conseguia usar aquilo? De onde eu vinha não havia chuveiro, bica, torneira? Que vergonha…
