O fuso horário do madrilenho não é o mesmo que o dos passarinhos. O madrilenho não acorda cedo, nem dorme cedo. E ainda dorme de tarde (a siesta, sagrada siesta). Eu, turista, querendo otimizar o dinheiro gasto na viagem, acordava cedo e ia para a rua. E só encontrava bêbados…
Bêbados mesmo! Com bafo de cana, daqueles que se riscar um fósforo faz labareda. Na rua, dormindo na calçada (primeiro mundo também tem disso), nas estações de metrô, em todo lugar.
Depois percebi que a bebedeira não era coisa das horas remotas da manhã. A qualquer hora do dia, nos lugares mais improváveis, era possível encontrar alguém que ostentasse, sem se importar muito ou sem se dar conta do fato, um bafão de cana. Até um dos seguranças do Palácio Real de Madri, de serviço, apresentava o hálito etílico.
O pior é que desse eu não esperava. Fui pego completamente desprevenido, enquanto buscava uma informação. Resultado: não deu para disfarçar a cara… Sorte que ele, preocupado em se fazer entender enquanto dava a informação, com característico ar rude e mal humorado, não percebeu.
Dali por diante resolvi: pedir informações ou falar com qualquer pessoa na rua, só de longe. Não valia a pena correr o risco.
