A Espanha foi, durante muitos e muitos anos (alguns séculos, na verdade), a maior nação católica do mundo. Isso ainda se reflete no dia-a-dia de Madri: passear pelas suas ruas, especialmente no centro antigo da cidade, significa ver inúmeras igrejas e conventos, de todos os tipos, origens e tamanhos, de todas as ordens, em homenagem aos santos mais variados.
A devoção católica madrilenha é parte da sua cultura. É por isso que em todas as inúmeras igrejas há várias missas sendo celebradas todos os dias. Acho – e digo isso sem medo de errar – que cada igreja da cidade tem pelo menos quatro missas por dia, todos os dias. É um número espantoso, principalmente porque há público e padres suficiente para isso. Chega a ser uma opulência.

Senhor dos Passos
A devoção madrilenha é um pouco distinta da brasileira. O povo é mais ortodoxo nas vestimentas e no modo de ser: é comum ver senhoras com véus andando nas ruas e pessoas, de todas as idades, ostentando crucifixos em seus cordões. Os santos de preferência popular também são um pouco diferentes: o Senhor dos Passos e a Nossa Senhora das Dores são os campeões. Depois deles, os santos de nacionalidade espanhola – que são incontáveis – são os preferidos do povo (San Isidro, Santa Eulália, Domingos de Gusmão, Inácio de Loyola, Santiago Mayor, San Pedro d’Alcântara e Francisco Xavier). Bem diferente do Brasil, onde a tradição portuguesa legou a preferência por Santo Antônio, São Francisco, Santa Luzia, Santa Rita, São José, Nossa Senhora do Carmo e do Rosário. É raro encontrar um desses santos nos altares espanhóis.
Mosteiro da Encarnação
É igualmente impressionante a quantidade de relíquias expostas nas igrejas, conventos e museus madrilenhos. Em um deles, o Mosteiro da Encarnação, perto do Palácio Real (que nem estava no meu roteiro mas eu, por acaso, acabei descobrindo e entrando para ver), há uma sala enorme somente com inúmeras relíquias de santos.
Depois de observar tanta fervorosidade, dá para entender o que deve ter sido a Espanha na época dos reis católicos e seus sucessores (Felipes II, III, IV…). As heranças desse passado longínqüo ainda permanecem vivas na cultura madrilenha.
