Publicado por: Leandro | 23 Julho 2008, 10:30 am.

Religiosidade madrilenha

A Espanha foi, durante muitos e muitos anos (alguns séculos, na verdade), a maior nação católica do mundo.  Isso ainda se reflete no dia-a-dia de Madri: passear pelas suas ruas, especialmente no centro antigo da cidade, significa ver inúmeras igrejas e conventos, de todos os tipos, origens e tamanhos, de todas as ordens, em homenagem aos santos mais variados.

A devoção católica madrilenha é parte da sua cultura.  É por isso que em todas as inúmeras igrejas há várias missas sendo celebradas todos os dias.  Acho – e digo isso sem medo de errar – que cada igreja da cidade tem pelo menos quatro missas por dia, todos os dias.  É um número espantoso, principalmente porque há público e padres suficiente para isso.  Chega a ser uma opulência.

Senhor dos Passos

Senhor dos Passos

A devoção madrilenha é um pouco distinta da brasileira.  O povo é mais ortodoxo nas vestimentas e no modo de ser: é comum ver senhoras com véus andando nas ruas e pessoas, de todas as idades, ostentando crucifixos em seus cordões.  Os santos de preferência popular também são um pouco diferentes: o Senhor dos Passos e a Nossa Senhora das Dores são os campeões.  Depois deles, os santos de nacionalidade espanhola – que são incontáveis – são os preferidos do povo (San Isidro, Santa Eulália, Domingos de Gusmão, Inácio de Loyola, Santiago Mayor, San Pedro d’Alcântara e Francisco Xavier).  Bem diferente do Brasil, onde a tradição portuguesa legou a preferência por Santo Antônio, São Francisco, Santa Luzia, Santa Rita, São José, Nossa Senhora do Carmo e do Rosário.  É raro encontrar um desses santos nos altares espanhóis.

Mosteiro da Encarnação

Mosteiro da Encarnação

É igualmente impressionante a quantidade de relíquias expostas nas igrejas, conventos e museus madrilenhos.  Em um deles, o Mosteiro da Encarnação, perto do Palácio Real (que nem estava no meu roteiro mas eu, por acaso, acabei descobrindo e entrando para ver), há uma sala enorme somente com inúmeras relíquias de santos.

Depois de observar tanta fervorosidade, dá para entender o que deve ter sido a Espanha na época dos reis católicos e seus sucessores (Felipes II, III, IV…).  As heranças desse passado longínqüo ainda permanecem vivas na cultura madrilenha.


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