Publicado por: Leandro | 25 Julho 2008, 4:06 pm.

Museus de Madri

Na ordem em que eu os vi (ou não), são os seguintes:

Interior do estádio

Interior do estádio

1. Santiago Bernabéu: o estádio do Real Madrid (para os que não vivem no planeta Terra, é o principal clube de futebol da capital espanhola) está permanentemente aberto a visitação do público e tem um museu no seu interior.  A visita é muito legal (principalmente para quem gosta de futebol).  O estádio tem excepcional capacidade (mais de 80.000 pessoas) e é apertadinho, aconchegante.  Mesmo com tantos lugares, ele deve proporcionar um ótimo efeito “caldeirão”.  Mas é meio sujo, ao estilo Maracanã.  O museu nada mais é do que uma grande sala de troféus ganhos pelo clube no futebol e em outros esportes.  É muito didático, bem arrumado, requintado e auto-explicativo.  A lojinha, no fim, tem preços honestos e uma farta variedade de produtos, licenciados ou não.  Vale a visita, apesar de a entrada custar um pouco caro demais (15€ por pessoa).

O Gabinete Real

O Gabinete Real

2. Museu Nacional de Ciências Naturais: fica próximo ao Bernabéu (uma estação de metrô de distância). Ele é um pouco lusitano, pois se divide em duas partes que não se comunicam – você tem que sair do museu para entrar novamente em outro lugar e continuar a vê-lo.  Apesar desse trote, o museu é bom, principalmente para crianças, que podem ver vários bichos empalhados e uns tantos esqueletos fósseis.  Destaque para o Gabinete Real (foto ao lado), uma das salas do museu que fica meio escondida, já que o tour não segue um roteiro lógico.

Relógio de Sol

Relógio de Sol

3. Museu Arqueológico Nacional: para ser sincero, eu não esperava muita coisa do museu.  E passei a esperar menos ainda quando eu, na entrada, fui avisado que a visita seria gratuita pois ele estava em obras de recuperação – o que significava que apenas pequena parte do seu acervo disponível para visita.  Surpreendi-me, e teria me surpreendido mesmo em relação à expectativa original.  O museu é lindo, muito bem organizado e um bom acervo – não espere ver caquinhos de vasos antigos.  A visita, por causa das obras, é rápida e, assim, não cansa nem um pouco.  Destaque para o lindíssimo e engenhoso relógio de sol (na foto ao lado) e, também, para as Leis Julianas que lá estão expostas.

Palácio Real

Palácio Real

4. Palácio Real: encaixei sua visita no fim do dia, o que acabou me obrigando a vê-lo com mais pressa do que ele merece.  A visita se divide, basicamente, em três partes: a farmácia, o palácio em si e a armeria.  Comecei pela farmácia e, confesso, não me encantei muito – acho que a minha irmã ia gostar mais desta parte: um monte de vidros com nomes de substâncias químicas expostos em muitas prateleiras e nada mais.  Depois, vi os aposentos (o palácio em si).  Foi lá que encontrei o guarda-bafo-de-cana que mencionei em um post anterior.  É lindo, mesmo para quem já havia visto o Louvre e os palácios de Versailles, de Bruxelas e de Sintra (como eu).  Destaques para a sala do trono e para a sala de porcelana (na qual as paredes são revestidas por porcelana!).  Por fim, e já com tempo suficiente, vi a Real Armeria, a parte do palácio que expõe as armaduras reais (feitas para humanos e para cavalos).  Foi, sem dúvida, uma das cinco coisas mais interessantes que vi na viagem toda.  Só ela já vale o preço todo do ingresso.

Interior da catedral

Interior da catedral

5. Catedral de Santa Maria a Real de Almudeña: não é propriamente um museu, mas pode entrar neste rol.  A entrada é pela porta lateral, e não pela porta da frente.  Não se paga para entrar (salvo para fazer uma visita à torre, cuja entrada é ao lado da estátua de São Paulo, do lado esquerdo da fachada), mas paga-se para acender as luzes dos altares laterais e, assim, poder admirá-los – prática que, depois constatei, é muito comum na Europa.  Quem quiser acendê-los, deposita uma moedinha na caixa ao lado do altar e as luzes ficam acesas por um tempo (não mais que um minuto).  Quem não quiser, não deposita a moeda e espera outra pessoa depositar para admirar o altar aceso.  Mas a Catedral, por ser muito nova (foi consagrada em 1993), tem excelente luminosidade captada do exterior e poucos adereços que a tornem demasiadamente interessante.  Na prática isso significa a completa desnecessidade de gastar moedinhas para ver os altares iluminados.  Destaque negativo para o porteiro: a simpatia em pessoa, bem ao estilo madrilenho.

Fachada do museu

Fachada do museu

6. Museu de Arte Thyssen-Bornemisza: ele tem uma das coleções mais interessantes – e bem arrumadas – que eu vi na viagem.  Foi ali que eu aprendi a admirar, gostar (enfim: virei fã) daqueles quadros flamencos que mais parecem tirinhas de desenho animado sobre temas religiosos.  As explicações dos quadros nas placas ao lado são bem interessantes.  A parte que eu não gostei da coleção são as obras muito modernosas – um monte de tinta jogado nas telas, como sempre.  Nada que retire do museu a recomendação de visita.

Entrada lateral do museu

Entrada lateral do museu

7. Museu Nacional do Prado: um dos maiores museus do mundo, visitar no Prado, para mim, era um sonho.  E valeu a pena!  O museu tem três entradas de fáceis acesso e localização.  Entrei pelos fundos, a maior entrada.  De mapa em mãos, visitei sala por sala, até completar todas, feliz da vida.  O museu fica aberto até as 20h e, depois das 17h, não se cobra pela entrada.  Eu não queria esperar até lá e paguei o ticket para visitá-lo, entrando às 15h.  Acelerei o passo, porque imaginava que ele seria do tamanho do Louvre.  Não é: em três horas consegui ver tudo, em um bom ritmo (nem muita calma nem muita pressa).  Quando saí, a fila estava enorme novamente, cheia de gente querendo aproveitar o horário em que a visita é gratuita.  Os destaques são, obviamente, para as obras de Goya, El Greco e Velázquez.  Nem precisa dizer que a visita é imperdível…

Guernica

Guernica

8. Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofiaapesar do nome pomposo, o museu é uma bela porcaria.  Só presta porque expõe Guernica – a obra máxima de Pablo Picasso – ao público (foto ao lado).  Então, ao visitá-lo, faça o seguinte: entre, vá direto ver Guernica e saia!  Não perca tempo com o resto.  No dia que eu fui visitá-lo, a entrada era franca, mas Guernica sempre valerá o ingresso.  E mesmo sendo franca a entrada, o visitante deve pegar um bilhete na bilheteria.  Vai entender…

Fachada leste e o jardim dos frades

Fachada leste e o jardim dos frades

9. El Real Sítio de San Lorenzo de El Escorial: o sítio é patrimônio mundial, tombado pela Unesco.  Só por aí já dá para sentir que “o buraco é mais embaixo“.  O sítio é um complexo que fica a uma hora de Madri (pegar ônibus 661 ou 664 do terminal de Moncloa – pelo menos dois ônibus por hora para cada linha, tarifa módica paga ao motorista, recomenda-se não ir de trem) e inclui o monastério de San Lorenzo, o palácio real, a biblioteca e a catedral.  É visita para quase um dia inteiro: por isso, é bom chegar às 10h, hora que o museu abre, ou antes, para bater fotos com calma do lado de fora, como eu fiz.  Aviso: por ser lugar alto e perto da mata, é mais frio que em Madri.  O mosteiro é simples, o que justifica ter sido construído em tempo recorde: entre 1563 e 1584, apesar do imenso tamanho.  A visita tem vários pontos imperdíveis: o museu de arquitetura, o panteão dos infantes, a sala das batalhas, a biblioteca.  Mas nada se compara – nada mesmo – ao panteão dos reis, cripta onde os reis da Espanha e as esposas deles cujos filhos se tornaram reis estão enterrados.  Para visitar tudo, exceto o panteão dos reis, o bilhete de entrada é suficiente.  Para visitar o panteão dos reis, é necessário adquirir o audioguide.  Seria mais honesto cobrar dois preços diferenciados do que impor ao visitante a obrigação de carregar o pesado audioguide pendurado no pescoço, cujas lições são extremamente superficiais (com destaque hilário-negativo para as tentativas dos narradores de interpretar os personagens bíblicos retratados nas obras nas quais eles estão representados, como se fosse rádio-novela).  Há muitas obras, especialmente pinturas, repetidas do Museu do Prado e, por isso, não sei se vi as originais no Prado, no Escorial ou em nenhum dos dois.  Lembro que em 2001 visitei os jardins dos frades (jardim do lado leste do mosteiro – foto ao lado); desta vez, não havia visita aos jardins.  Fora o sítio, a cidade ao lado é pequenina, bonitinha, mas não tem nada para ver.  Não perca tempo nela: volte logo para Madri.

Fachada da igreja do mosteiro

Fachada da igreja do mosteiro

10. Convento da Encarnação: em Madri, novamente, o mosteiro, conforme eu disse em um post anterior, foi uma grata surpresa.  Ele não está em nenhum guia turístico, mas a visita é interessante.  Ele tem obras de arte bonitas e uma coleção imensa de relicários, o que leva a duvidar da autenticidade daqueles ossos todos e também refletir a validade de se esquartejar o corpo de santos para pôr em redomas de ouro e vidro (óbvio que esse pensamento partiu da Fiona, e não de mim, mas eu o apreendi para reflexão, sem ter chegado a nenhuma conclusão).  O mais interessante da visita, porém, é que ela é feita dentro de um mosteiro em funcionamento, ou seja, com clausura cheia de freiras.  Por causa disso, as visitas são feitas em grupos, com um segurança à frente e outro atrás do grupo, que deve sempre permanecer junto.  Mesmo assim, a visita não demora mais que quarenta minutos.


Respostas

  1. QUEM IGNORA ARTES… DEVERIA SE CALAR AO TECER COMENTÁRIOS… O MUSU REINA SOPHIA DE MADRI É DONO DE UMA PINACOTECA DAS MELHORES DO MUNDO… POSSUI OBRAS DE PINTORES RESPEITADÍSSIMOS E … É LINDÍSSIMO… EMOCIONANTE !… COMO ARQUITETA.E PROFUNDA CONHECEDORA DE HISTÓRIA DA ARTE.. ME EMOCIONEI DIANTE DE TUDO O QUE VI POR LÁ E … É IMPERDÍVEL !…
    MEU MARIDO… QUE É IGNORANTE DO ASSUNTO… SE MARAVILHOU E ATÉ CHOROU DIANTE DE TANTA GRANDIOSIDADE !…
    SE VC IGNORA… RESPEITE E … LEIA MAIS… ESTUDE… VIAGEM É CULTURA E … APROVEITE PARA ASSIMILAR AQUILO QUE O DINHEIRO LHE PROPORCIONA…. LEMBRE-SE DE QUE A MAIORIA DOS BRASILEIROS NÃO TÊM ACESSO BENS CULTURAIS … VÁ MUSEUS AQUI… ACONSELHO IR O MAM/RJ E AO INSTITUTO MOREIRA SALLES, QUE HOJE ESTÃO COM BOAS EXPOSIÇÕES DE ARTISTAS BRASILEIROS… FREQÜENTE GALERIAS E LEILÕES DE ARTES… COMPRE LIVROS… ENFIM… APERFEIÇOE SEUS CONHECIMENTOS… PARA NÃO REPETIR UM COMENTÁRIO DESTES !…

    Olá, Tânia, seja bem vinda e volte sempre.
    A impressão que eu tive do museu foi partilhada por uma série de amigos que me recomendaram fazer o que eu escrevi, mas eu só acreditei quando vi o museu. Pedaços de papel marché jogados por uma sala do tamanho da minha casa não é arte. Aranhas de arame numa sala do tamanho da grande área do Maracanã não é arte. Quadros com pinturas que são iguais às que o meu sobrinho de 4 anos de idade faz não é arte. Eu também chorei quando vi o museu, de decepção pelo tempo que eu perdi lá dentro e por causa do pum que um cara soltou no elevador de vidro.
    Acho que todo tipo de arte deve ser valorizada, inclusive a não-arte. Mas acho também, e principalmente, que todo tipo de opinião deve ser respeitada, inclusive a minha. Se você não concorda com a minha opinião, discorde dela, fale mal dela. Não fale mal de mim. São coisas diferentes.


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