Fachada com elevador
Museu Reina Sofia, em Madri (aquele que só presta porque exibe Guernica, de Pablo Picasso, em sua coleção). Eu e Fiona esperávamos para pegar o elevador panorâmico, que sobe e desce envolto em um caixote de vidro feio pra caramba e que torna o prédio (que já é feio) mais feio ainda – veja na figura ao lado e tire suas próprias conclusões.
O elevador parou, abriu a porta e dois sujeitos saíram rindo do seu interior. Eu e Fiona entramos e a porta se fechou atrás de nós, sem dar tempo nem chance para um refugo. Na primeira inalada do ar quente do interior do elevador, o cheiro de peido podre quase nos fez desmaiar. Olhamos um para o outro e: “Puta-que-o-pariu!!!“, gritamos simultaneamente, sem ter tempo para sair do elevador e desistir da viagem.
O elevador subiu até o último andar, enquanto nós prendemos a respiração após ter expirado aquele ar medonho. A porta se abriu e nós saímos de dentro do elevador maldito com aquele ar de mergulhador desesperado porque o cilindro de oxigênio acabou no meio do mergulho. Do lado de fora, duas senhoras aguardavam o elevador – e a sina que me fora destinada instantes antes. Com o calor que fazia dentro do elevador, e porque ele não tinha nenhuma ventilação, aquela mesma sina seria destinada ainda a muitos outros visitantes do museu (como se o museu, por si só, já não fosse uma sina para lá de inglória para o visitante).
Saímos do elevador e, na segunda respiração, com a curiosidade sádica aflorando, olhei para trás com aquele riso de quem havia sido o autor da peça e, enquanto via a porta se fechar em meio a caretas de sofrimento e desespero, gritei, com punho fechado erguido em frente ao rosto: “Argentina!“ A porta se fechou e engoliu as duas senhoras, conduzindo-as ao inferno.
Essa eu aprendi com meus amigos Márcio e Fernanda…
* História que, apesar de verídica, foi contada com o requinte (ou a prerrogativa) concedido(a) aos contadores de contos de aumentar um ponto.
