Dicas para arrumar seu quarto

Mais uma vez, um post inspirado no Chá de Saquinho (um blog muito bonitinho, inteligente e interessante, que não tem muuuuita atualização, mas que vive me dando idéias para escrever posts – é incrível como das poucas e singelas coisas que a autora escreve me vem a inspiração para escrever posts derivativos).

Voltando ao assunto (aliás, eu nem o havia começado, salvo pelo título), vamos às dicas para ter sucesso na arrumação do seu mafuazinho de estimação:

1. Sempre que possível, peça alguém para arrumá-lo por você.  Essa primeira dica é essencial para o sucesso na empreitada.  Se você conseguir levá-la a efeito, o sucesso estará garantido (a não ser que você fique do lado dessa pessoa acompanhando a arrumação, caso em que somente o desastre da empreitada estará garantido, porque você não resistirá em intervir, dar palpites e até, eventualmente, meter a mão na massa).  O terceiro desinteressado é importante por vários motivos: ele é imparcial e não está nem aí para o afeto que você tem a pequenas coisas, como canetas sem carga, folhas de caderno, pulseiras coloridas velhas, brinquedos Kinder Ovo, bonequinhos quebrados do Mc Donald’s e provas velhas do tempo da escola.  Ele vai jogar tudo fora e provar para você que você pode viver sem aquilo.  Outro motivo para a importância do terceiro desinteressado na erradicação da bagunça do seu quarto é que ele vai reorganizar tudo, dando novos lugares às coisas, o que forçará seu cérebro a trabalhar e, com isso, ele ajudará a evitar que você desenvolva o Mal de Alzheimer – por mais que você o xingue por um mês por não encontrar mais nada, apesar de o quarto estar um brinco enquanto antes, no meio daquela bagunça, você se achava com facilidade.  E, ainda, o terceiro vai olhar para o seu cafofo com um olhar diferente: ele vai enxergar novas possibilidades de arrumação, vai identificar aquela coisa quebrada com a qual você há tanto tempo convive e vai consertar (ou comprar outro, porque aquele não tem mais jeito) e, dependendo da liberdade/intimidade, vai até mesmo sugerir uma nova pintura para a parede, novos quadros, novas fotografias…  Enfim: ele vai dar uma remodelada completa na sua vida.  E acredite: você vai sofrer no início, mas vai ser melhor.  Difícil é arrumar um terceiro disposto a isso (mãe não vale!).

Se você não conseguir um terceiro para fazer o serviço sujo para você, aí vão mais duas dicas que podem ajudá-lo a se safar.  Siga-as à risca e boa sorte!  O sucesso estará garantido.  Mas o Ministério da Saúde adverte: isso pode causar dor, muita dor no coração.

2. Apego material zero: reze, medite, ore, faça yoga, o que você quiser.  Mas eleve seu espírito para se desapegar por completo dos bens materiais.  Olhe para eles da mesma força que você olha para o paralelepípedo da calçada, o saco de lixo ou o ar que enche o pneu do seu carro – sem nenhum apreço.  Pense que nada daquilo lhe pertence, que se você morrer tudo vai ser jogado fora mesmo, respire fundo, segure a lágrima que escorrerá  do canto dos seus olhos e vá em frente.  Finja ser um monge beneditino.  Nada de lembrar da pessoa que te deu aquilo nem do momento que você ganhou.  Jogar fora o objeto não fará você esquecer o fato nem a pessoa.  A lembrança estará sempre com você (aliás, esteve o tempo todo e você não esteve olhando o objeto o tempo todo, já que ele estava escondido, quiçá perdido, no fundo da gaveta, soterrado por um monte de outras coisas igualmente inúteis).

3. Pegue o objeto e faça para você mesmo, com sinceridade e honestidade, a seguinte pergunta: eu usei isso para alguma coisa nos últimos três anos?  Essa primeira pergunta deve ser refletida com calma.  Às vezes, faz dez anos que você o usou pela última vez, mas parece que foi ontem.  Três anos são três anos e ponto – o mesmo que 1095 dias.  O critério é objetivo e inflexível.  Roubar aqui pode significar o insucesso da arrumação (e a falta de espaço no armário).  Isso vale para tudo, inclusive e principalmente roupas que, em três anos, saem de moda (e você saiu do figurino, porque engordou).  Se a resposta for negativa, passe à próxima pergunta.  Se for positiva, também.

4. Pegue o objeto e faça para você mesmo, com sinceridade e honestidade, a seguinte pergunta: eu tenho perspectiva de usar isso nos próximos seis meses?  Novamente, o critério é objetivo e inflexível.  E a resposta aqui não pode ser daquelas “hum, pode ser que sim, vai depender disso, daquilo, sei lá“.  Não!  O apego é zero, lembra?  Se você não lembrar, de estalo, data, hora, local e razão para usar aquilo, certamente você não o usará.  Não se engane nem se iluda ao responder essa pergunta.  Então o destino daquilo é a lixeira (ou a doação, no caso de roupas e brinquedos em bom estado de conservação)!  Se a resposta às duas perguntas (esta e a anterior) for negativa, passe à próxima etapa; se ambas forem (honesta e sinceramente) positivas, pode guardar o objeto.  Se uma tiver sido positiva e a outra negativa, avance também à próxima etapa.

5. Pegue o objeto e faça para você mesmo, com sinceridade e honestidade, a seguinte pergunta: eu posso comprar isso no mercado?  Essa pergunta é traiçoeira, porque quinquilharias você não pode comprar no mercado.  Portanto, para as quinquilharias, você terá que imaginar a compra de um objeto novo, idêntico ou similar (substituto normal).  Não vá querer comprar uma caneta Kilométrica porque isso você não acha mais: imagine uma Bic mesmo.  Aqui, responder “sim” significa que a resposta é negativa.  Responder “não”, significa que a resposta é positiva em relação à sua intenção de guardar o objeto.  Portanto, se a resposta for negativa para as três perguntas, pergunte-se apenas o que aquilo ainda faz no seu armário e jogue no lixo (ou encaminhe para doação, se for o caso).  Se for positiva para apenas uma delas, idem.  Se apenas a última resposta for positiva (ou seja, se você não puder encontrar isso no mercado), aja com cautela, mas pense fortemente em jogar aquilo fora, tendo em vista que você já não o usa para mais nada mesmo.

Pronto: está aí a receita do sucesso.  Só falta agora tomar coragem para arrumar o mafuá!  Boa sorte!

27 thoughts on “Dicas para arrumar seu quarto

  1. Hum, amei o post mulherzinha…bom, sou suspeita pois não tenho o menor apêgo a quinquilharias, roupas, sapatos, presentes de tias e afins.Meu maior problema é minha mãe q fuxica as sacolas onde coloco as coisas e fica: “Q isso, vai se desfazer dessa calça???”… ” Esse casaco é tão bonito, e vc quase não usou”…ou então “Foi seu tio q trouxe dos EUA pra vc”…entre outras pérolas maternas.

    Post mulherzinha? Hahahaha… Foi inspirado num blog feminino, chamado Chá de Saquinho. O link para lá tá no corpo do texto e na barra do lado direito.

  2. Nossa, nossa, tenho comentários enormes para fazer dessa vez. Se prepare! Pronto? Aí vai!

    First of all, obrigada pelos elogios! Foi muito bom você ter tocado no ponto da falta de atualizações frequentes no Chá, isso me dá um gás para escrever. Às vezes dá aquela sensaçãozinha de “Vou escrever de novo pra que? Ninguém vai ler mesmo…” Vou tentar atualizar com mais freqüência por você (ó, que moral, hein!)

    Sobre as dicas do post, vou na ordem:
    1. Perfeita a idéia da terceira pessoa. Meu primeiro namorado arrumou meu quarto uma vez. Tenho que assumir que foi muito sofrido pra mim, porque ele pegava as coisas, perguntava pra mim “você precisa disso?” e eu “acho que…” e, antes de eu terminar de responder, já estava no lixo. Um herói esse menino, até hoje foi a única pessoa que teve coragem de interferir no meu mafuá.
    2. Ai, o apego… Tenho que parar com isso… Acabo parecendo maluca! Realmente a sensação é que, jogando o objeto fora, estou jogando junto a lembrança no momento (vide http://www.inesemorta.wordpress.com).
    3. Acho que a pergunta em relação aos meus objetos seria “Eu usei isso na última década?”.
    4. Não, não tenho a menor perspectiva de usar a maior parte da minha bagulheira nos próximos 6 meses. Por isso grande parte dela descansa agora num saco preto destinado a doações.
    5. “Eu posso comprar isso no mercado?” Taí uma boa pergunta. Acho que a maior parte das minhas traquitanas não são compráveis no mercado. Mas são apenas imãs de poeira, não servem pra nada.

    Eu realmente tenho uma dificuldade muito grande de jogar as coisas fora, mas me sinto outra no meu quarto agora. Estou feliz de ver tudo limpinho e arrumado não ter que empurrar nada que tente me atacar de volta pro armário.

    Excelente post, Leandro! Adorei!!!

    Putz, eu também adorei os seus comentários! Mas não ignore que cada coisa que eu escrevi ali, inspirada por você (pelo seu post, na verdade), eu escrevi pensando em mim também. Eu também sou um pouco assim como você, principalmente em relação aos meus bem preservados brinquedos de infância (playmobil, ferrorama, carrinhos de corrida, atari…).

  3. Ótimo!! Fez o meu dia. Principalmente porque sou destas pessoas que chora quando joga algo fora… Parabéns mesmo!
    Adorei o post.

    Érica, seja bem vinda ao blog e volte sempre. Tomei a liberdade de unificar seus comentários em um só.
    A idéia do post foi apenas compartilhar experiências – longe de ter ou não a razão. Fico feliz que você tenha gostado e espero que, após pôr em prática, você volte aqui para contar a sua experiência.

  4. Pingback: O milésimo! « O Cachambi não é aqui!

  5. Pingback: A maré não está para peixe | O Cachambi é aqui!

  6. Pingback: O Cachambi entrevista, com Érica Furlan | O Cachambi é aqui!

  7. odiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiieeeeeeeeeeeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
    esssssssssssssaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
    meeeeeeeeeeeereeeeeeedaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

    Julia, responderei seu comentário chulo com um post.
    Volte sempre!

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  8. Pingback: Neguinho tem m… na cabeça | O Cachambi é aqui!

  9. Oi Leandro, bacana o post. Acabei de tirar 16, isso mesmo, dezesseis camisas/camisetas/malhas, 3 calças, 1 sandália, 1 tênis, 1 sapato social e 6 pares de meias que já não usava há um tempo. As cuecas furadas…bem, são de estimação, rs, brincadeira – já que não uso cueca… Agora vai tudo para doação…

    Minha maior libertação foi jogar fora, depois de guardar por anos, um jornal – já amarelado, com a meu nome na lista dos aprovados do vestibular…bom… era meu primeiro vestibular e numa facu pública…mas pra quê eu guardava aquilo mesmo?

    Um dia me peguei guardando vidros de perfume…tá…só uso perfume bacana, vidros com design do fulano que nunca ouvi falar, inspirados no “movimento das tamareiras sob o vento do deserto” ou “num dia ensolarado em Montmartre”…ahh…vai se f…véi, que putaria essa de ficar acumulando tranqueira. Foi tudo pro lixo.

    P.S.:

    Dado, seja bem vindo e volte sempre!
    Que bom ter ajudado. Mas vc podia me poupar dos detalhes sórdidos, como as cuecas furadas etc e tal.

  10. Pingback: Rubem Braga | O Cachambi é aqui!

  11. Pingback: Recorde!!! | O Cachambi é aqui!

  12. Excelente post, e excelente dicas! Obrigado.

    Tamanha é a necessidade do meu quarto de uma arrumação, de jogar…e jogar e jogar coisas foras…que cheguei a esse ponto de colocar no google “dicas para arrumar quarto” ..hauahua…mas, achando que não fosse encontrar nada interessante, e pra minha surpresa encontrei esse post no seu blog…que me motivou a ir à luta.
    Garanto que vou tentar…acho que não estou preparado para deixar um terceiro interessado vir organizar meu quarto…tenho medo de que não vá sobrar quase nada rs…
    Enfim, tenho esse, digamos, maldito apego… huahauaha…é papéuzinhos dos mais variados…e por aí vaí… para revistas, jornais…textos.. antigos.
    Vou tentar não somente organizar… mas, me livrar de coisas realmente inúteis. Normalmente fico uns dois dias mexendo no quarto e só mexo as coisas de um lugar para outro…”escondendo”…
    Com relação à roupas….tenho mais facilidade…há uns dois meses atrás… retirei 8 ou 9 calças que eu já não usava, e outras peças do meu guarda ropua… e passei para minha mãe encaminhar para doação…
    Valeu! pelas dicas…

    De nada! Volte sempre.

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  19. Leandro,

    Muito bom esse seu post. Sensacional, principalmente a frase entre parêntesis – mãe não vale – eu é que não quero entrar no quarto do meu filho e arrumar aquela zona que, diga-se de passagem, não é das piores.

    Eu só vivo dizendo que ele tem que organizar e jogar lixo no lixo…..DESAPEGO, é isso aí….faço isso direto nos meus pertences e na vida.

    Vim ao seu blog por conta de uma amiga da sua mãe. Ela, a sua mãe, enviou à minha amiga algumas informações sobre seus posts do Vale do Loire e esta encaminhou prá mim, Estou planejando uma viagem e queria te fazer algumas perguntas sobre sua viagem. Será que vc tem tempo prá umas dicas?

    Vc escreve muito bem! Parabéns. Vou recomendar o blog aos meus amigos,

    Abçs

    Bethania

    Bethania, seja bem vinda e volte sempre!
    Claro que eu tenho tempo. Mande um e-mail que eu respondo todas as suas dúvidas: “ocachambieaqui@gmail.com”.

  20. Amei suas dicas!
    Sempre tive problemas no quesito organização do quarto!
    Hoje vou começar a colocá-las em prática!
    E estou deixando seu blog como favoritos na minha barra de acesso!
    Obrigada!

    Patrícia, seja bem vinda e volte sempre!
    Aliás, depois conte a experiência. Deu certo?
    E você pode fazer uma assinatura do blog, inserindo seu e-mail no campo próprio da barra lateral.

    • Iniciei hoje!
      Tirei 4 sacolas de coisinhas que vão pro lixo! Não sabia que tinha tanto “inutilidades” guardadas no meu quarto! O aspecto dele já está melhor. Até sobrou uma prateleira no meu guarda roupa (ele é do tipo pequeno de 3 portas – bem basicão)…
      Depois volto para contar quando terminar tudo!

      Parabéns!
      Volte sim! Eu tô curioso para saber do resultado final.

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