Chegar em um lugar novo sempre causa aquela sensação agradável, misto de expectativa com realização de um sonho, com uma pitada de ansiedade e outra de preocupação (será que vai valer a pena, que eu vou gostar, que vai dar tudo certo?). Chegar em Veneza, para mim, teve tudo isso. E mais um pouco.
Veneza é um favelão-chique (se é que dá para chamar uma favela de chique, pois o próprio termo “favela” já traz em si um quê de pejorativo, de pobre, de submundo, de preconceito). Mas Veneza é a prova de que tudo isso é verdade. Não fosse por ser Veneza, por estar na Europa, por ter a história que tem, seria a escória do continente.
Pensemos friamente: a cidade é suja, cheia de ruas apertadas, com canais nem sempre inodoros por todos os lados, repleta de pombos (e as respectivas bazucas-anais), prédios muito velhos construídos sobre palafitas e ratos para todos os lados. Na maré alta, a água ainda invade a cidade e leva de volta tudo o que ela recebeu. É ou não é uma visão dantesca? É ou não é a sucursal do inferno?
Não é: é a cidade mais romântica do mundo (e eu fui lá passar o dia dos namorados), o lugar perfeito para namorar, sentindo aquele cheirinho de… Nem me pergunte como é o sistema de esgoto dessa cidade! Há coisas que é melhor nem saber.
E enquanto você está passeando, de braços entrelaçados com o seu amor, curtindo aquela verdadeira lua-de-mel, com cara de turista (aquele rosto de paisagem, olhando para todos os lados com satisfação e sorriso, ar de atarantado, vendo novidade em tudo, cutucando seu parceiro para mostrar qualquer coisa em uma vitrine, fachada ou na rua mesmo), vem um barco e faz aquela marola que molha o seu pé. Ou então vem um batedor de carteiras e te furta. Ou, ainda, você é importunado por um imigrante africano tentando lhe vender réplicas de bolsas de grifes famosas. Ou vem um pombo e…
De fato, Veneza é extremamente romântica: o lugar perfeito para você e seu amor curtirem a estada a dois, sem serem importunados. Como ilhas, cercados por água, outros turistas e pombos por todos os lados. Andando por becos, pontilhões, ruas estreitas, passando por baixo de marquises que parecem que vão cair a qualquer momento.
De repente, um camundongo passa correndo na sua frente, atravessando a sua rua. Sua mulher pula no seu colo e você acha isso muito natural. É uma delícia receber um abraço tão apertado do seu amor. E você até comemora: ainda bem que não foi um gato preto, porque aí seria sinal de mal agouro.
E, depois de tudo isso, você volta para casa achando que a viagem foi o máximo, afinal de contas, você conheceu Veneza… Tudo bem que sejam diferentes, mas conhecer Veneza e conhecer uma favela qualquer do Rio de Janeiro proporcionam emoções igualmente intensas.





Hehehe, nessas horas agradeço por não ser nem um pouquinho romântica…poxa, mas fala de alguma coisa realm boa em Veneza, tipo, a comida, por exemplo…conta mais!
Calma! Já tenho mais um post pronto, mas vou cozinhar um pouquinho o público espectador para atrair a audiência. Se eu publico tudo de uma vez só, ninguém volta nem comenta…
Por: Carmen em 4 Novembro 2008, 9:45 pm.
às 9:45 pm
Tive uma imagem excelente de veneza. Adoro Veneza. Sinceramente, respeitando seu ponto de vista, acho que foi um exagero comparar com uma favela brasileira. Abraços e de qualquer forma o importante é escrever e cada um tirar as devidas conclusões, não é verdade?
http://nostrosito.wordpress.com
Thyago, seja bem vindo e volte sempre. Adorei seu comentário! Gosto muito quando as pessoas divergem respeitosamente do meu ponto de vista (o que nem sempre acontece aqui no blog). Fico feliz que a sua estada em Veneza tenha sido tão boa quanto a minha em Bruxelas, por exemplo. Mas eu não gostei muito de Veneza não, viu… Acho que já deu para perceber.
Por: Nostro Sito em 4 Novembro 2008, 10:57 pm.
às 10:57 pm
Peguei um momento de águas inodoras. Então, esse problema eu não tive.
Mas o restante faz parte do charme rsrs.
Estamos tão acostumados com a idéia da favela chic que agora nada mais é feio e tudo é estilo.
Não andei de gôndola. Além de ser, caro, elas me passaram uma sensação meio fúnebre, sei la.. São pretas com estofados vermelhos e detalhes dourados.
Não bateram a minha carteira, mas senti que isso QUASE aconteceu na ponte de Rialto. Lugar cheio, carteiristas se divertem.
Gostei da definição do “ar fúnebre”. Pensando bem (e lembrando das gôndolas pelas fotos), realmente elas parecem grandes barcos funerários, navegando pelos canais de Veneza rumo ao Hades…
Por: FelixCatus em 5 Novembro 2008, 12:36 pm.
às 12:36 pm
Olá,
Para você ver, nem tudo está perdido, também acho Bruxelas um lugar fantástico!
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Bruxelas é um lugar de altíssimo astral, para onde eu voltaria todas as vezes que fosse à Europa (e olha que eu nem bebo cerveja). Mas não quero adiantar muito o assunto, porque eu ainda vou escrever sobre a minha passagem pela Bélgica. Espere até lá!
Por: Nostro Sito em 5 Novembro 2008, 1:01 pm.
às 1:01 pm