Geograficamente, Brugge é um grande ovo. Sim, a cidade tem formato oval, se se considerar apenas o seu centro histórico. Mas é um centro grande, difícil de ser percorrido a pé em um único dia por dois motivos: o primeiro é que ele é grande; o segundo, porque é cheio de ruazinhas estreitas que nem sempre têm saída, por causa dos muitos canais que cortam a cidade.
E grande parte – na verdade, quase tudo – das as atrações turísticas está na parte central do tal “ovo”, bem próximas umas das outras. Somente os moinhos são afastados, e ficam na borda nordeste do “ovo”. Nesse centro, as ruas Steenstraat, Dijver, paralelas uma à outra, são as principais e concentram a maior parte das atrações turísticas da cidade. Em um passeio, começando pela Catedral Sint-Salvator, subindo pela Steenstraat até a praça chamada Markt (a maior da cidade); dali, pela pequenina Breidelstraat até o Burg (a outra praça principal da cidade); passar pela pequenina Blinde-Ezelstraat (em português, rua do burro cego), dobrar à direita e descer a Dijver até o seu fim (quando já tem o nome de Gruuthusestraat), permite ao turista ver quase tudo o que a cidade tem a oferecer.
A administração da cidade, para facilitar a vida do turista, vende um passe que permite a visita a cinco atrações turísticas da cidade. Economicamente, vale a pena, afinal de contas, lá se explora o turismo, e não o turista. Esse passe é vendido em qualquer uma das atrações visitáveis da cidade que integram o rol de atrações nas quais o passe pode ser utilizado. Eu fiz a opção de ver o seguinte:
Catedral de São Salvador: é uma bonita igreja, hoje protestante, bem ao estilo medieval modificado pelas várias reformas ao longo dos séculos da região dos Flandres. Ela não era a catedral da cidade até 1830, quando os franceses invadiram a cidade e demoliram a catedral de São Donato. Tem bonitas obras de arte que mereciam iluminação mais adequada. Sua torre é imponente e pode ser vista de longe, mesmo da estação ferroviária.
Belfry: é uma das pedras preciosas do porta-jóias. Faz parte do conjunto de 56 torres semelhantes existente na região dos Flandres (norte da França, Bélgica e parte da Holanda)tombado pela Unesco como Patrimônio Histórico da Humanidade. A palavra Belfry significa “torre do sino”. Por fora a torre de 83 metros de altura é linda e imponente. Por dentro, simples e medieval – mesmo. A subida ao seu topo é árdua, feita por escadas estreitas e sinuosas, que parecem nunca ter fim, nas quais, por vezes, é impossível duas pessoas transitarem simultaneamente. Quando existem, os corrimãos são apenas uma corda grossa. Lá em cima, porém, a vista recompensa. Suba pouco antes do meio-dia e assista, lá de dentro do topo da torre, o badalar dos sinos marcando a hora máxima do dia.
Stadhuis: na minha opinião, a melhor atração da cidade, essa construção gótica abriga o que, no Brasil, chamaríamos de “prefeitura” da cidade. Um lugar lindíssimo, por dentro e por fora, conservado impecavelmente. É uma pena que não seja possível bater fotos no interior, porque as salas Gótica e da Renascença (Gothic Chamber e Renaissence Hall, respectivamente) são, no mínimo, belíssimas.
Gruuthuse Museum: a casa de um mercador monopolista de trigo e cevada (matérias-primas para a indústria da cerveja) da região tornou-se um museu. Por ser monopolista de um artigo tão popular, dá para imaginar o grau de riqueza (e importância na região) que ele atingiu. Por isso, a casa dele é um espetáculo, tanto pela arquitetura quanto pelo acervo cultural que ele reuniu. Mas não é só isso que ele exibe: ele também é o museu arqueológico da cidade (desde 1898). A importância da família era tão grande que, aproveitando que a casa é geminada com a igreja de Nossa Senhora, a família construiu uma sacada particular para dentro da igreja, para assistir as missas sem precisar sair de casa.
Onze Lieve Vrouwekerk: é a tal igreja de Nossa Senhora, que tem a sacada particular da família Gruuthuse. É outra igreja medieval-modificada típica da região dos Flandres. Possui a segunda maior torre de igreja da Bélgica, com 122 metros, e é de longe a torre mais alta da cidade. Mas a torre, em si, só pode ser vista de fora. Por dentro, a visita à igreja é de graça, mas paga-se para ver o museu, atrás do coro – €1,50 por pessoa muito bem investidos. Ali é possível ver os túmulos dos primeiros reis da região (os Duques de Burgundy) e, principalmente, a Madonna de Michelangelo – a única peça do artista existente nos Flandres.

A relíquia do sangue de Cristo
Capela do Sangue Sagrado: fica no Burg, escondidinha, ao lado do Stadhuis. Sua entrada é feita pela Steeghere, uma fachada de onde sobe uma bonita escada, porque a capela fica no segundo andar. Não se paga para visitá-la, mas paga-se para ver a relíquia que ela abriga: um recipiente de cristal contendo, supostamente, o sangue de Cristo. As investigações indicam que o recipiente data do século XI e foi feito na região de Constantinopla. O recipiente, no entanto, nunca foi aberto.
Cervejaria De Halve Maan: a família dona da cervejaria produz desde 1856. Hoje, além de uma cervejaria, o local é um grande restaurante com um museu da cerveja – e não consta do rol de atrações coberta pelo passe vendido aos turistas. A cerveja, segundo a Fiona, é muito boa.
Beginhof: o lugar exala tranqüilidade. Não poderia ser por menos, já que é o pátio interno de um convento. Excelente para recuperar as energias depois de tanto perambular pelas ruas da cidade, de museu em museu, igreja em igreja. A igrejinha que há ali é simples mas bonitinha. Visita gratuita.
Sint Janshuis’ Mill: eu só vi o moinho de longe, estava cansado demais de andar para chegar perto. Mas é possível pagar e entrar nele para vê-lo por dentro.
Sant John’s Hospital: a construção não é mais um hospital, que foi desativado em 1978, depois de quase oito séculos de funcionamento ininterrupto (790 anos, para ser mais exato). O prédio hoje abriga o Memling’s Museum, o Museu do Hospital e também uma antiga farmácia. Uma visita bonita e não muito demorada, bastante interessante para se entender o que era um hospital medieval. Não suba as escadas porque não há nada em exposição no segundo andar.
Entrada do Groeninge Museum
Groeninge Museum: não é um Louvre, não é um Prado, mas dá de dez em 99% dos museus brasileiros. É encantador, muito bem organizado, com roteiro de visitação lógico e ainda oferece, gratuitamente, aos visitantes, um banquinho leve e portátil para permitir sentar em qualquer sala e admirar as belas obras em exposição. Mas o foco do museu é voltado para obras de autores que nasceram ou viveram na cidade.








Leandro, meu comentário não tem nada a ver com o post, mas é que eu queria lhe dizer que eu sou viciada em crapô! Eu e a Lilian, do Di profundis já passamos horas a fio jogando…
beijão
Deveria escrever um post sobre como chegar a Brugge com o salário que eu ganho… rs.
cara, valeu pelo seu Blog. Em março vou fazer o uma viagem a Benelux e com suas experiências vou aproveitar de uma melhor forma o que a Europa possa oferecer..valeu pelas dicas!!!
De nada. Volte sempre!
Opa!
Meu caro,
Quanto custou esse passe para 5 atrações?
Abraços!
Custou 15 euros o passe. O mapa de Brugge custou cinquenta centavos de euro.
Obrigado pela informação!
Estou para realizar uma viagem para lá agora em junho. Você se incomodaria de me dar algumas dicas por msn ou email?
Abraços!
Todas as dicas que eu tenho para dar estão escritas nos posts sobre Brugges. Mas se quiser conversar, estou à disposição.
Brugges é uma cidade linda! Adorei tudo e é muito perto uma atracao da outra. Em 2 dias dá pra visitar e conhecer tudo ou 1 dia sem entrar nos museus.
Vale a pena. Ahh! Tem uma pousada chamada Montinelli que é show de bola, além de barata.
Abraco a todos
Daniel, valeu pelas dicas. Seja bem vindo e volte sempre.
Boa Tarde,
Estou indo para Europa em Outubro e não estou encontrando a companhia de Trem ou de ônibus que poderia comprar para fazer Bruxelas – Brugges – Bruxelas.
Você poderia me indicar?
Att,
Oi, Rafaela. Respondendo a sua pergunta, leia as dicas sobre como chegar em Brugge clicando aqui.
Obrigado por sua resposta…
Fiquei com mais uma dúvida.
Eu posso emitir o bilhete pelo site aqui do brasil?
É só eu pagar imprimir e apresentar na hora de entrat no trem?
Não preciso pagar mais nenhuma taxa?
Simples assim?
Att,
É possível emitir o bilhete no Brasil, na CWT Turismo (filiais no Rio e em SP). Dá para vc comprar na internet e retirar o bilhete na CWT, pedir para eles entregarem pro SEDEX ou vc mesma ir lá retirar o bilhete (veja instruções no site). Para tanto, a CWT cobra uma taxa de acesso ao sistema e outra de emissão do bilhete. Então, se vc vai comprar dez bilhetes, vc pagará uma única taxa de acesso e dez taxas de emissão. Comprando lá na Europa (em qualquer lugar da Europa), vc não paga essas taxas. Até onde eu sei, não é possível imprimir os bilhetes em casa. Antes de entrar em alguns trens, vc tem que validar o bilhete. No trem, o fiscal confere o bilhete. É bom se informar na estação antes de ingressar em cada trem.
Espero ter respondido suas perguntas. Em caso de dúvida, escreva novamente!
Lenadro,
Antes de mais nada gostaria de te agradecer pelo breve retorno que tens me dado…
Para falar a verdade, tenho mais uma dúvida sim (desculpa o incômodo)
Eu emiti via http://www.raileurope.com.br uma passagem Paris – Bruxelas.
Após a minha compra pelo visa, foi me enviado via e-mail um link em PDF com os comprovantes (tikets) já com os asservados.
Agora fiquei em dúvida se devo fazer mais alguma coisa ou se devo apresentar em algum guichê!!!
Se possível tb gostaria de lhe fazer outro questionamento…
* Esta passagem me custou R$ 189 reais para 02 pessoa. Na verdade a passagem de trem custou 100,00 reais e tivemos de pagar mais 89,00 reais de taxas.
Mesmo assim, somando 25 Euros por pessoa Paris – Bruxelas é um bom preço, ou na Europa mesmo consigo mais barato?
Mais uma vez, agradeço sua atenção,
Att,
Rafaela
Primeira dúvida: eu desconhecia esse procedimento de receber um link com a passagem em PDF. Aconselho ligar para a CWT Turismo e perguntar se isso é suficiente ou se é necessário receber passagens emitidas por eles. Se vc não mora no Rio ou em SP (onde a CWT tem filiais), um interurbano pode ser um bom preço para sua tranquilidade. Cheque também se é necessário pagar por reserva: trens-bala, na Europa, precisam de pagamento de reserva além do preço da passagem.
Segunda dúvida: É possível não pagar as taxas (25 euros=10 pelo acesso ao sistema e 15 pela passagem), mas só comprando em um guichê de estação de trem na Europa (qualquer guichê da Europa toda). O preço da passagem em si, é igual aqui ou lá. Varia apenas nas principais linhas em virtude da lotação do trem, tal como nas passagens aéreas: quanto mais cedo se compra, mais barato se paga.
Muito obrigado por toda a sua ajuda!
Na volta se tiver alguma curiosidade diferente te envio.
Um abraço,
Rafaela
De nada. Mas envie algo mesmo que vc não tenha curiosidades diferentes!
leandro, pretendo fazer uma viagem para europa fazendo frança e belgica em abril de 2010, gostaria de saber se o clima nessa época é bom para isso, adorei as dicas ,pois farei paris /bruxelas de trem,
obrigado
Marly, seja bem vinda e volte sempre. Não sei como é o clima por lá nessa época. Eu estive lá em junho e estava calor, um dia maravilhoso. Abril deve ser um pouco menos quente. Torço para que você acerte num dia de tempo bom.
Leandro, gostaria de mais informacao sobre a pousada Montinelli.Ana
Ana, seja bem vinda e volte sempre. Não conheço as pousadas/hotéis de Brugge. Apenas passei um dia lá e relatei aqui a minha experiência. Boa sorte na escolha! E boa viagem!
Olá, eu de novo por aqui, primeiro parabéns pelo blog! E segundo onde eu compro esse ticket do city tour… só vou ter um dia do mesmo jeito que você, acho que seria mais legal fazer esse city tour! Obrigada mais uma vez e parabéns!
O ticket vc compra no balcão do touristic information, pela internet ou no ponto inicial do ônibus “hop on hop off”. É uma ótima pegar o city tour lá.
LEANDRO!!! Te encontrei por acaso! Acredita que estava pesquisando sobre Bruges e pareceu de cara seu blog. Menino, vc tá ficando famoso! Não sabia que vc era um blogueiro tão importante, requisitado… Aproveitando, estou com a maior dúvida sobre Bruges ou Bruxelas, só tenho 1 dia, bate e volta de Paris. Sua Fiona me indicou Bruxelas,pq mais perto, capital, ela gostou… Mas tenho ouvido algumas opiniões muito boas sobre Bruges e algo como não tem muita coisa p fazer em Bruxelas, mas é legalzinho. Como já comprei p Bruxelas posso chegar lá e comprar ida e volta para Bruges. Na sua opinião de grande viajante o que devo fazer ? Estou achando o máximo ter um amigo (íntimo) blogueiro, pq não vou precisar ficar na net escrevendo minha dúvidas (já que sou meio burrinha para essas coisas). Vamos marcar um café e um bolinho lá em casa. Abç
Georgia, tudo bem? Você não imagina a alegria de saber que você visitou o blog e, mais que isso, deixou um comentário. Vamos às suas dúvidas: eu passaria um dia em Bruxelas, mas aviso que a escolha é difícil e você só vai saber mesmo o que vale mais a pena se conhecer as duas – o que, no seu caso, não será possível. Não ignore que ir a Bruges tomará mais duas horas do seu já apertado dia (uma para ir e outra para voltar). Mas eu dou uma pista do que você deve escolher: se você quer uma cidadezinha do interior, mais com cara de Holanda do que de França, calma, pacata, vá para Bruges; se você quer uma cidade grande, onde possa fazer compras, ver grandes prédios bonitos, gente de todos os tipos, vá a Bruxelas. Quanto ao bolo, só dizer o dia e a hora!
Leandro,
Boa tarde, tive acesso ao trem Thalys, Paris – bruges e comprei as passagens recebendo os tickets por email.
(100 euros) vc tem alguma informacao sobre o Thalys?
Abs e obrigado
Thalys é o nome do trem de alta velocidade que liga Paris a Bruxelas. É o TGV belga. Um trem bastante confortável (mesmo na segunda classe) e veloz. Até onde sei, você tem que trocar de trem em Bruxelas-Züid para ir até Brugge (um trem local). É desse trem que eu falei no post Como chegar em Brugge?.
Leandro tudo bem? Gostei muito do teu roteiro de Brugge. Como eu e meu neto iremos a Paris já pensava em ir a essa Cidade. Agora com tua ajuda fiquei bem animada. Entretanto gostaria de saber se um dia dá para percorrer o teu roteiro?
E vou tentar pedir a uma pessoa de lá para comprar o TVG. Vou pensar no que faço.
Muito grata e espero agradecida a resposta.
PS. No caso de ficar uma noite tens idéia do preço de quarto duplo?
Nelly .
Nelly, passei um dia em Brugge a partir de Bruxelas – viagem bem mais curta e rápida que a de Paris para lá. Fiz tudo isso em um único dia, mas cheguei bem cedinho e saí de lá quando tudo fechou. Não tenho nenhuma recomendação de hotel por lá, infelizmente.
Tudo bem Leandro? Quantos dias você acha necessário para conhecer as principais atrações de Bruxelas?
Obrigado
Acho que dois dias é suficiente. Mas depende do que você quer fazer, dos seus interesses. Se você gosta de ficar sentado num bar tomando cerveja, uma vida inteira não será suficiente para conhecer Bruxelas. Chocolates também são a especialidade da casa. Eu já fiz Bruxelas em um dia (com hop-on hop-off) e deu supercerto. Já fiz em dois, com mais calma, e gostei ainda mais.
Olá, adorei suas dicas e provavelmente vou seguir seu roteiro em Bruges.
Chego no final de março, e fico 3 noites e 2 dias inteirinhos.
Vou pegar um trem para Antuerpia Central para seguir para Amsterdam.
existe facilidade de transporte da Ferrovia para o Centro (meu hotel fica no Centro) e vice versa, por chego em Bruges direto de Paris umas 10 da noite.
Obrigada…..Estou apaixonada por Bruges.
Pode ser que você ache que é muito tempo para uma cidade tão pequena. Se bater um tédio, estique na direção da praia, até Oostende, e veja alguns resquícios originais da II Guerra Mundial.