Publicado por: Leandro | 26 Agosto 2009, 6:32 pm.

O museu do futebol

No último fim de semana, estive em São Paulo.  Aproveitei a viagem para visitar o museu do futebol.

Embora eu quisesse muito conhecer o museu, já há algum tempo, nem me toquei em planejar visitá-lo.  Foi a Fiona que deu a sugestão.  E nós fomos.

Uma visita excelente, um passeio quase perfeito.

O museu é ótimo: tem percurso bem definido, corredores largos, acessibilidade plena.  Moderno, com recursos audiovisuais impressionantes, ele desperta ao mesmo tempo para a magia do futebol e para o orgulho de ser brasileiro – ao menos no terreno futebolístico.

A visita tem início com uma exposição temporária que, na minha opinião, é coisa de fanático, aficcionado.  Duas coleções, uma de futebol de botão e outra de camisas de times pouco conhecidos do Brasil inteiro, separadas segundo suas cores, dão ao visitante o gostinho do que está por vir.

Subindo as escadas, você é recebido pelo Pelé (ou melhor, por uma televisão que apresenta o Pelé em tamanho natural), que dá as boas vindas à exposição permanente em três línguas – português, inglês e espanhol.

Ao entrar na primeira sala da coleção permanente, o visitante é recebido por hologramas de alguns dos maiores ídolos do futebol brasileiro (foto).  Gigantes pelo seu tamanho, os hologramas fazem o visitante se sentir ainda menor, pela sua natureza de espectador, torcedor e fã.  Na mesma sala, mais adiante, duas seções audiovisuais fantásticas fazem o visitante perder horas de visita saboreando entrevistas, gols, lances e narrações radiofônicas históricas.  A experiência do rádio, então, é imperdível!  Não vou adiantar mais que isso.

Saindo da sala, a área nua sob a arquibancada é ocupada por telões que pretendem imitar a sensação de estar numa arquibancada durante um jogo de futebol.  Assisti um vídeo da arquibancada do Corinthians…  A experiência não foi boa.

A próxima sala (foto) é uma obra prima: dedicada às origens do futebol no Brasil.  As fotos de época são espetaculares.  Vale a pena perder tempo para ver cada uma delas.  Fiquei estupefato com uma vista panorâmica da Urca, com um campo de futebol no meio de onde, hoje, é a Praça General Tibúrcio.  Mas há inúmeras outras que podem igualmente despertar o interesse do visitante, pelos mais variados motivos.

Depois de uma homenagem demorada e enfadonha a heróis dos primórdios do futebol brasileiro, o visitante é relembrado do Maracanazo – a derrota para o Uruguai na final da Copa de 1950.  É como se o museu estivesse conduzindo o visitante pela história do futebol brasileiro: era preciso experimentar a derrota no seu mais alto grau (a derrota em casa, no Maracanã, na final, diante de 200 mil pessoas, de virada, precisando de um mero empate, para um país vizinho que já foi parte do Brasil) para se fortalecer e dominar o mundo.

Só que, dali para frente, o museu conta a história de todas as copas, e não das glórias específicas do futebol brasileiro.  A sequência é quebrada abruptamente, como se o autor da história tivesse sido forçado a encurtá-la por falta de papel para impressão do livro.  A sala das copas é linda, muito bem feita, mas não era isso que eu esperava encontrar ali.

A próxima sala apresenta números curiosos e as regras do futebol.  Apresentar as regras do jogo no final não é de bom tom, segundo o senso comum.  Ali também não caiu bem.  Poderia ser a primeira parte da exposição.  Mas como a sequencia, na minha cabeça, já estava quebrada, isso não fez muita diferença.

Quase terminando a visita, televisões exibem, dentro de bolas de futebol gigantes, onde o visitante pode entrar, os principais lances do jogo: dribles, gols, defesas…  Lances históricos são exibidos – ampla maioria para jogos de times paulistas.  Tem até uma bola dedicada ao saudoso Canal 100.

A visita acaba com um quadro contendo todos os dados de todos os clubes de futebol do país, e uma área interativa, onde o visitante tem a oportunidade de cobrar um pênalti e sair na foto.  Bacana, mas eu não tive saco de ficar na fila para cobrar o tal pênalti.

Os pontos negativos da visita são todos relacionados à localização do museu.  Não por ser abaixo das arquibancadas de um estádio de futebol – acho que não há lugar mais apropriado que esse.  Mas o fato de estar em São Paulo.  O acervo é excessivamente paulista, bairrista, e pouco brasileiro.  Dá para notar isso perfeitamente na loja do museu.  Aliás, a loja praticamente só vende artigos de futebol, havendo poucas lembranças disponíveis sobre o museu propriamente dito.  Outro ponto negativo é o estacionamento: flanelinhas coagem os motoristas a pagar dez reais pelo bilhete azul, que custa dois reais, sob pena de terem seus carros arranhados.


Respostas

  1. Putz, eu já tinha me programado para ir a esse museu e ao da língua portuguesa da próxima vez que fosse a SP e ficasse mais tempo. Agora, com essas informações todas, fiquei morrendo de curiosidade. Só me dá preguiça o fato do bairrismo…

    No museu da língua portuguesa, não há tanto bairrismo quanto no museu do futebol. E ambos valem muito a pena a visita. Assim como o MASP, a Pinacoteca, o Museu de Arte Sacra…

  2. [...] o museu do futebol Depois de reler o post que escrevi sobre o museu do futebol, achei que algumas coisas nele precisavam ser mais detalhadas.  Nem tanto para dizer exatamente [...]


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