Uma das coisas que eu não podia deixar de fazer ao retornar a Canoa Quebrada era rever Antônia – tanto pelas suas duas histórias quanto pelo delicioso peixe ao Roquefort que, obviamente, repeti até me fartar.
Logo que cheguei, fui lá almoçar. Ela não estava, mas o peixe estava. E delicioso, como da primeira vez que o comi.
Como a curiosidade era enorme, voltei à noite para encontrá-la. Ela logo se lembrou de mim. Delicadamente, convidou a mim e a Fiona para um canto menos ocupado do seu restaurante, para falar mais reservadamente. Enquanto eu perguntava da primeira história – do seu filho -, ela queria logo falar da segunda…
Ansiosa por estar em frente a uma médica especialista na área, foi logo tirando suas dúvidas sobre os efeitos colaterais da doença do seu ex-marido, e como estavam sofrendo com tais efeitos – ele e ela. Dava para ver a aflição no seu olhar. Era preciso dar tempo ao tempo, as coisas tenderiam a voltar ao normal, mas parecia que nenhum dos dois estava com muita paciência para isso. E o resultado dessa ansiedade frustrada anunciava uma catástrofe.
À medida que conversávamos, seu desespero a levava a revelar detalhes. Suas dúvidas todas, mesmo as mais secretas, foram tiradas ali mesmo. Até a nossa despedida que, dessa vez, temo seja para sempre.

Eu sei que vc vai me odiar, mas é mais forte que eu: pelo menos ela deixou a receita com alguém?
Deixou não… Só indo lá para conferir. Eu recomendo!
Por: Carmen em 7 Novembro 2009, 2:54 pm.
às 2:54 pm