Operação asfalto liso é luxo para os poucos afortunados que moram na Zona Sul. No subúrbio, o buraco (literalmente) é mais embaixo. O asfalto só fica (mais ou menos) liso nas ruas principais, e mesmo assim com bueiros não nivelados. Quem tiver dúvidas, pergunte a um taxista: onde a suspensão dele dura mais tempo, na Zona Sul ou no subúrbio?
Andar de carro, ônibus, moto ou bicicleta no subúrbio carioca é uma experiência tão chacoalhante quanto andar de montanha russa, pegar uma turbulência braba ou simular um terremoto. Dirigir por mais de três horas sem xingar um buraco sequer é só para os ases. Talvez por isso um gringo, ao pegar uma carona comigo, certa vez, disse entender porque o Brasil fabricava tantos bons motoristas e pilotos. Prestar atenção no trânsito, no carro, nos outros motoristas e nos buracos – com sucesso, a ponto de evitar acidentes – não é para qualquer um. Não digo à toa que se gasta uma quantidade absurda de memória no cérebro para decorar os buracos das ruas da cidade – todos, invariavelmente, localizados no subúrbio.
E, para ser honesto, não se o que é pior: o buraco ou o remendo. O buraco está ali, e você só cai nele uma vez. Depois disso, aprende e não cai mais – salvo aqueles casos inevitáveis, como os buracos que cortam a rua de um lado a outro, não deixando opção de passagem incólume para o motorista. O remendo dá a falsa impressão de pisa lisa, uma armadilha tão traiçoeira quanto o melhor dos escorpiões. Porque o remendo bem feito deixa um calombo na pista que os operários reparadores acham que vai baixar quando muitos carros passarem por cima – mas não baixa. O remendo mal feito cede (por causa dos muitos carros que passam por cima) e gera um novo buraco com aparência de asfalto liso mas muito pior que o calombo. Invariavelmente, remendos malfeitos são oriundos de vazamentos de canos de água, que corroem o alicerce abaixo da camada asfáltica e precisam de um tratamento mais caprichado para não cederem novamente – isso é pedir demais à prefeitura.
Isso tudo sem falar nas ruas que, de tão remendadas (mal remendadas), acabam virando sucursais de liquidificadores, potencializando ainda mais o princípio da liquidificadoriedade. O desnível é tão grande entre as diversas camadas de remendo na cobertura asfáltica que a rua se torna o terror até para carrinhos de feira. Seria possível um pedestre tropeçar ali. Em um carro, tem-se a nítida impressão que estradas de barro são melhores que aquilo. Quando o carro sai de uma rua assim, ele ajoelha e pede perdão pelos seus pecados, promete se emendar e nunca mais fazer coisas erradas no trânsito, só para não ter que se submeter àquilo novamente.
Às vezes eu tenho vontade de convidar o prefeito para dar uma voltinha pelo subúrbio. Nesses devaneios, a primeira coisa que passa pela minha cabeça é andar a 40km/h (não precisa mais que isso) dentro de um carro popular – desses que há aos borbotões pelas ruas de qualquer cidade do país – pelas ruas do subúrbio. Ah, como ia ser bom ver aquele desgraçado sacudindo no banco de trás, quebrando pescoço, requebrando os quadris, mesmo sentado com cinto de segurança apertado…
Vc tem passado pela Rua Toneleiro, em Coapacabana, entre a Siqueira Campos e a Constante Ramos?? Vc precisa levar o prefeito para passear ali tb!!
A diferença é que na Zona Sul, ruas ruins são exceção.
“Disconcordo fruentemente” de você! É só dar uma voltinha por lá pra você ver que o buraco é muito mais embaixo, sem trocadilhos!
Sem trocadilhos… Ahã.
Ah, Rebeca, você usurpou meu comentário! Hahaha
Cara, a “Operação Asfalto Liso” é uma lenda! Isso non ekziste!
Existe, mas é igual enterro de anão.
Gente, cadê essa criança??? Venho aqui todo dia pra saber novas, e nada…esse ano ela ainda vem ou posso esperar só pra 2012 mesmo?
*Em tempo: segundo os médicos, eu nasci com 42 semanas de gestação; marcaram uma cesária pra 28 de setembro e dia 25 nasci naturalmente.Tô achando que Felícia é dessas…
Agora sobre o post, vocês não tem sequer noção do que são buracos se não passaram por trechos da Estrada São João – Caxias, próximo a onde eu moro.Depois dá uma googlada pra sentir o drama…
Vou ver sim. Valeu pela dica.
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