Superação

Semana passada eu fui a uma festinha de aniversário de família.  Um pequeno encontro familiar, para jogar conversa fora e comemorar alguns eventos familiares importantes ocorridos durante a semana: o aniversário de um tio e o nascimento de uma prima.  Todos lá, inclusive um primo chato – muito chato mesmo.  Aliás, chato é pouco.  Digamos que ele pediu para ser chato no Vale do Eco – e todas as vezes que seu grito ecoou, ele foi atendido.

O local da festa, a casa do meu tio-aniversariante, é alcançada após a subida de uma escadaria considerável, com uns trinta a quarenta degraus, que eu subi carregando o carrinho da Felícia, com a ajuda do tio-aniversariante.  Subida difícil, pesada.  Durante todo o tempo da subida, o tal primo chato gritou repetidamente, com sua voz irritante: “é isso aí, papai!; força, papai!; carrega o peso, papai!; parabéns, papai!“, sem que eu respondesse ou sequer olhasse para cima.  Encheu o saco!

Lá em cima, depois de colocar o carrinho no chão, ele veio me cumprimentar.  Sem estender a mão de volta, mandei logo:

- Da próxima vez, em vez de ficar gritando igual uma mulherzinha quando vê barata, desce e vai ajudar!

Passou a raiva, falei com as outras pessoas.  Estavam todos contentes, não havia porque deixar de cumprimentá-los.  Não tardou até que o primo mala voltasse a torrar meu juízo.  Ele puxou assunto quando eu fui na cozinha pegar água.

- Essa sandália é legal!  Outro dia eu tava lá no trabalho e falei: “esse negócio de croc’s é feião!”, aí saiu uma mulher do meu lado usando um.  Mandei malzão.  Eu nunca usaria um negócio desses, mas aí a mulher disse para eu experimentar.  É ruim que eu ia usar uma sandália dela, sei lá o que ela tem no pé!  Ela insistiu, mas eu não coloquei.  Ela disse que é maneirão, bastante confortável.

- Mas esquenta muito.

- Como assim esquenta?  Ela é toda furadinha por cima, ventilada nas laterais, é de borracha, o calcanhar fica de fora.  Não é para esquentar.  O pé fica todo arejado, dá até para sentir um ventinho…

- Mas es-quen-ta-mui-to!!!

- Impossível!  A mulher disse que era legal, bastante confortável.  Ela tem até uns pontinhos debaixo do pé que massageiam o pé.  E eles devem servir também para ventilar o pé por baixo.  O ar deve entrar por ali e ventilar a sola do pé também…

- Cacete, qual foi a parte do “esquenta muito” que você não entendeu?  O “esquenta” ou o “muito”!  É o teu pé que tá aqui dentro?

Esse episódio terminou aí, mas ainda rolou mais um – este protagonizado exclusivamente por mim, com o simples intuito de ir às forras daquela mala sem alça em nome de todos os participantes da festa que ele já havia alugado até então.  Cantaram o parabéns, cortaram o bolo e cada um pegou o seu pedaço.  O bolo – não era propriamente um bolo, mas uma torta de queijo com goiabada derretida – estava delicioso.  Todo mundo elogiou.  O meu elogio, lógico, tinha que ser melhor que o de todo mundo – melhor até que o bolo em si.  Era hora da superação.

- Melhor que esse bolo só o Fulano calado comendo o bolo. – e, virando-me para ele, e batendo nas suas costas -  Vai lá, come mais um pedaço e dá mais um pouco de paz pra gente!

7 thoughts on “Superação

  1. Menino, eu estava lendo a galeria de comentários lá no post sobre São Luis…nossa, como as pessoas se tornam torpes quando não tem argumentos fundamentados, ou quando a ignorância reina.E fiquei com medo de ir ao local não por causa dele ou da violência (comum em qualquer lugar do mundo), mas pela falta de civilidade dos moradores.E isso porque foi um post…

    E depois eles querem me convencer, com aquela truculência toda, que São Luís é um lugar legal, hospitaleiro, cheio de gente educada, civilizado, seguro… Prefiro a minha polícia e os meus traficantes.

  2. LEANDRO!!!!! Não acredito que vc fez um post do “…”!
    Tomara que esse lado da família não tenha o hábito de acompanhar seu blog.
    Bjs

    Claro que fiz. Mas o post não é sobre ele, mas sobre a minha capacidade de ser grosseiro.

  3. Mentira…foi sobre a capacidade dele ser chato sim, hehehe.Mas acho que o tal primo se sentiria lisonjeado e ainda diria “tu gostou da zoação né”, kkkkkkkkkk
    E não acredito que vc usa crocs…práticos, sei…
    Vc deveria colocar na bio “…gente fina, mas usa crocs…” pq aí sim iríamos conhecer o verdadeiro Leandro, hehehe.

    Se eu colocar na bio tudo o que eu faço, ela vai virar um blog à parte.

  4. Pingback: Chatice tem cura? « O Cachambi é aqui!

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