Meu primeiro carnaval

Notas rápidas sobre o primeiro carnaval da Felícia, escritas pela própria:

  • Fantasiaram-me de palhaço, ou melhor, de palhaça.  Puseram-me uma roupa que espetava e um chapéu em forma de cone, cheio de paetês.  Ainda bem que me pouparam daquele nariz vermelho.  Reclamei tanto que só deu tempo de tirar a foto – e, mesmo assim, chorando.  Assim que me livraram daquela fantasia e eu pude relaxar em paz, naquele calorão.  Tia, no próximo carnaval, eu vou me fantasiar de modelo de revista de mulher pelada – vou sair sem roupa, só de fralda, ok?
  • Já sei o que é o meu vaga-lume de pelúcia, e já brinco com ele.  Dou-lhe uns tapas de vez em quando, pego a sua asa, mas ele sempre foge de mim.  Eu continuo tentando, todos os dias, pegá-lo quando estou deitada no berço.  Um dia ele não me escapa.
  • Meus sorrisos já estão mais largos e mais constantes.  Quase sempre, eles são para a minha mãe.  Às vezes, para meu pai e para minhas avós.  Meu avô morre de ciúmes.  Mas hoje, enquanto nós estávamos na varanda, pegando um fresquinho da manhã, ele andou de um lado para o outro e eu o acompanhei com a cabeça e com os olhos.  Vocês tinham que ver a felicidade dele…  Ele é meio durão, não fala, mas só de não reclamar que eu só olho para a minha mãe, eu já entendi que ele estava muito – muito mesmo! – contente.
  • Nesse carnaval não teve bloco, mas teve um carnaval de gente aqui em casa para me visitar.  Gente da família, de fora do Rio, que aproveitou a brecha no trabalho e veio aqui para me conhecer.  Foi muito legal, eu me diverti bastante.
  • Meus pais já estão notando que eu consigo equilibrar meu pescoço, pegar algumas coisas, fazer dengo para as minhas avós me pegarem no colo…  Em pouco tempo pretendo dominar o mundo, quero dizer, a minha casa.  Meu maior obstáculo vai ser dominar meu pai, que não me dá uma molezinha sequer.  É durão mesmo!  Vou ter que usar todo o meu charme nessa empreitada, e mais um pouco.
  • Tenho mamado cada vez mais.  De noite, tenho dormido cada vez mais.  Meu recorde são seis horas de sono, sem mamar.  Meu pai está muito orgulhoso de mim; minha mãe, fica aflita, preocupada.  Ela não tem com o que se preocupar: se eu sentir fome vou avisar.  Ou ela acha que eu estou disposta a fazer jejum?  De jeito nenhum!

10 thoughts on “Meu primeiro carnaval

  1. Aaaaaaaah, deve ter ficado linda! E morri de rir com o “dou-lhe uns tapas”…pobre vagalume nessas mãozinhas, rsrsrs.
    Gente, como tá passando rápido…ontem estávamos no bolão, e agora ela já vai pra 2 meses bem vividos, uma loucura…
    Quanto a dominar o mundo, fala pra ela que ela já dominou.E ela vai ver também que essa dureza do papai é só uma casquinha.De siri ;)

    Não concordo – muito – com a última parte.

  2. Hehehe, esse vaga lume me lembrou um macaquinho que João Guilherme tinha e que ele também gostava de espancar. Ele ficava deitadinho e, de repente, plantava-lhe um tabefe nos cornos do bicho, que soltava um grito desafinado.

    (Claro que o macaco era de brinquedo, tá, Suipa?)

    Márcio, eu quero ver quando a Maria Luísa olhar para o ogro aí com carinha de anjo e disser “papaaai…”. Não vai ter macheza que resista.

    A graça é justamente ver a pose cair.
    E o vaga-lume apanha por falta de coordenação motora, não por maldade nem por sadismo.

    • Ai Eduardo, que horror…pela violência da sua descrição, tadinho do macaquinho…pelamordedeus não canta Atirei o Pau no Gato pro JG não!!! kkkkkkkkkk

      Por favor, também não cante a versão politicamente correta da música. Melhor a versão sanguinolenta mesmo.

  3. Ah, Carmen, com pena de um macaquinho de pelúcia com um altofalante dentro? E quanto à música, a maldade está nos ouvidos de quem ouve. Não conheço uma criança que veja conotação violenta em Atirei o Pau no Gato. Ridícula é aquela “Não Atire o Pau no Gato”, que inventaram pra ser politicamente corretos, e que eu me recuso a cantar pro João Guilherme.

    Isso mesmo! Parabéns pela iniciativa!

    • Ah, também acho uma hipocrisia…e rídicula. Aliás, fui criada assistindo Pica-Pau, Papa-Léguas e outros desenhos ditos violentos e nem por isso me tornei violenta, pelo contrário.Mas o problema foi que lendo a sua descrição eu imaginei uma sessão de tortura tipo Tropa de Elite…cheguei a ver o macaquinho pedindo pra sair…kkkkkkkkkk

      Realmente você maldou muito a situação.

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