Pizzaria Carioca

Das maiores (e poucas) vantagens de se morar no subúrbio do Rio de Janeiro é ter acesso a produtos e serviços a preços bem mais baratos do que os oferecidos na Zona Sul. O serviço de entrega de pizzas no domicílio, por exemplo, apesar de não costumar ser lá uma maravilha, é um bom exemplo disso. Enquanto alguns amigos dizem pagar quase R$60 por uma pizza na Zona Sul (às vezes até mais), o preço no subúrbio é incrivelmente mais barato – numa qualidade que não fica muito atrás não, desde que você consiga um bom fornecedor.  E conseguir um bom fornecedor é justamente a tarefa difícil.

Recentemente, uma tradicional papelaria do bairro fechou. Tudo bem, não foi tão recentemente assim, mas a Elianita (o nome da tal papelaria) ainda faz parte da vida de quem mora nas redondezas. Eu lembro muito bem das listas de material escolar que minha mãe comprava lá todo início de ano. Eu ia junto. Gostava do programa. Funcionava como uma preparação para o fim das férias e o início de mais um ano no colégio. Mas fechou. A dona da papelaria, velhinha, deve ter se aposentado ou falecido. Ou o negócio começou a fazer água. Não sei ao certo. Não tomo conta da vida das pessoas. Só sei das coisas depois que elas já aconteceram – algumas vezes, bem depois que elas aconteceram.

No lugar da Elianita abriram uma pizzaria. Para variar, ela já está lá aberta há um bom tempo e eu só soube há duas semanas. Meu pai experimentou a pizza e gostou. Sobrou um pedaço e eu comi. Gostei também. Isso já faz umas duas semanas. Quanta história velha neste post. O leitor já deve estar confuso na cronologia. Primeiro a Elianita existia, depois ela fechou, depois abriu a pizzaria no lugar dela, meu pai pediu uma pizza, sobrou um pedaço e eu comi esse pedaço. Gostei, como disse. E ontem pedi uma pizza lá, pela primeira vez.

Atendimento ótimo, claro e objetivo. Atendente simpática, totalmente desenrolada (odeio atendentes de telefone que são enrolados, lerdos, tapados e/ou me deixam em dúvida – e ela não foi nada disso) – perfeita! Prazo de entrega prometido: vinte minutos. Prazo de entrega efetivo: 16 minutos. Precisa dizer mais? Precisa.

A pizza estava um absurdo de boa (meia calábria – calabresa, parmesão e catupiry – meia presunto com catupiry). Para começar, economia não é uma palavra do cardápio dessa pizzaria. A quantidade de ingredientes era tão grande que não dava para ver a muçarela na pizza (olhem, na foto, o que sobrou dela e vocês vão ver). É um negócio tão escandaloso que eu só consegui comer um pedaço e meio. Fiona ainda foi guerreira: comeu dois pedaços. Minha irmã, que chegou um pouco atrasada, conseguiu comer apenas um pedaço, mesmo estando com fome. Tá certo que a cervejinha que acompanhou ajudou a encher a barriga dela. Mesmo assim, é uma pizza para ogros fortes. Acabou sobrando metade da pizza. E tudo isso (mais um refrigerante de 1,5l) por pouco mais de trinta e cinco reais.

Em dias de semana ainda há umas promoções meio malucas – eu diria que elas são quase que empresarialmente insanas. Algo como R$ 13,90 por uma pizza grande (não a gigante) de muçarela, calabresa ou presunto.

Se alguém estiver afim de experimentar, vale a pena. Vai gostar.

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8 comentários sobre “Pizzaria Carioca

  1. Horrível Irmã, mas o correto abrasileirado é com ç mesmo…e nossa, realmente a pizza parece ser uma abundância. Aqui em casa nunca pedimos pizza, minha mãe que de vez em quando faz, e é a minha preferida.

    Pizza de mamãe é outra coisa… Não se compara.

    1. É muçarela mesmo. Feio, mas paciência. Pior que, para a NGB (Norma Gramatical Brasileira), a entidade que cuida da norma culta da língua portuguesa falada no Brasil, a forma correta de se escrever “pizza” é “pítiça” – eu já aviso que isso eu não como!

      Realmente, o preço de uma pizza pras bandas de cá tá tirando totalmente o apetite. E um bom fornecedor é difícil de se arrumar por toda a cidade.

      O preço já aumentou depois do post, sabia? Nem adiantou pedir desconto pela propaganda…

  2. Sinto informar que não fui tão bem atendida na pizzaria acima referenciada. Pedi uma pizza de muçarela às 22;20 e meia noite a pizza ainda não havia chegado. E olha que moro perto!! Uma droga!! Fica aqui meu desabafo.
    Fatima moradora do Cachambi que também comprei muito na papelaria Elianita.

    Fátima, seja bem vinda e volte sempre.
    Não ganhei nem uma lasca de cebola grátis por essa “propaganda”. Eu a fiz porque fiquei realmente feliz e satisfeito com o produto. E já comprei lá várias vezes depois disso, sempre bem atendido. Mas já aconteceu comigo também comprar coisas e dar o azar de ser o premiado com o mau serviço. Com pizza, inclusive. Infelizmente acontece e, às vezes, acontece conosco. Reclame, tente em outro lugar, encontre seu fornecedor ideal. Mas saiba que nem assim você estará livre de problemas. Eles poderão acontecer. O negócio é saber se você vai ter mais ou menos disposição para tolerá-los.

  3. Conheço muito de pizza pois já trabalhei com elas por mais de 20 anos inclusive na Itália de onde minha família é originária. Meu primeiro comentário é a respeito do recheio: brasileiro não sabe comer pizza. O importante da pizza não é o recheio e sim a massa. O recheio deveria ser o mínimo possível assim como em um cachorro quente o importante é o pão e a salsicha. O problema é que o brasileiro acha sempre que o importante é a quantidade da coisa sem se importar com o sabor, um monte de coisas em cima mesmo que no fim não se sinta gosto de nada é o que importa para 99 % das pessoas. Pizzas de strogonofe, pizza de churrasco, etc, etc … É melhor comer pão com manteiga.
    Quanto a foto da pizza apresentada a de presunto pelo que ví é feita com presunto processado, tal uso normalmente é feito por quem quer transformar apresuntado em presunto. É bem mais barato e difícil de reconhecer por leigos ralado dessa forma. Só um paladar aguçado para distinguir os dois. Com o requeijão por cima fica mais difícil ainda.

    Uma das coisas que eu aprendi na Inglaterra é que os ingleses criaram o futebol e hoje não são nem de perto os melhores nisso.
    Uma das coisas que eu aprendi na França é que os franceses nem de longe são os melhores em vinhos.
    Uma das coisas que eu aprendi na Suíça é que os suíços nem de longe são os melhores em chocolates.
    Uma das coisas que eu aprendi na Itália é que os italianos nem de longe são os melhores em pizza.
    Até porque, se fosse para comer massa, eu pedia pão, não pizza.
    PS. No cachorro quente, o mais importante é a linguiça, não o pão.

    1. Em primeiro lugar não disse que a pizza na Itália é melhor nem pior que a daqui, apenas apontei como referência como participantes da criação das primeiras pizzas.
      Já ví cachorro quente sem : milho, ervilha, passas, ovos de codorna, batata palha, tomate, pimentão, azeitona, queijo parmesão, e até sem katchup e mostarda. Agora sem o pão nunca ví, ou seja, a ordem da salsicha não altera o cachorro quente , agora cachorro quente sem pão eu nunca ví. E experimenta colocar uma salsicha muito boa num pão careca seco e murcho que vc vai ver com fica uma delícia. Se bem que colocando todos os recheios maravilhosos que este país farto nos proporciona, acho que realmente não faz diferença o frescor ou a qualidade do pão. Não se sentira o gosto do mesmo.

      Cachorro quente em pão de hamburguer, francês ou de sal é um cachorro quente. Mas se for com paio, não é cachorro quente.
      Pizza é pizza em massa própria gorda, fina ou em pão sírio, pão árabe ou até em pão de forma. Mas se não tiver nada em cima, não é pizza – é torrada.

      1. Quem tiver alguma dúvida de como surgiu a pizza é só dar um Google e verá que ela começou sem nada em cima e não se chamava torrada. Agora cachorro-quente em pão de hambúrguer é cachorro-quente aí você pegou pesado. Vamos parar a discussão por aqui e deixar que outros tenham suas opniões.
        Meu último comentário é que vc se ofendeu com alguma coisa que eu disse, talvez alguma ligação com a pizzaria que começou nossa questão…???

        O problema, Sandro, é que há pessoas que não admitem a existência de opiniões diversas. Eu não concordo com você e isso só faz o debate ser mais fascinante. Num dia em que não havia outro pão senão o de hamburguer, eu comi cachorro quente com pão de hamburguer mesmo. E foi cachorro-quente sim.
        Não fiquei ofendido em momento nenhum. Apenas discordei de você – e eu tenho o direito de fazer isso. Você pode até insistir, vou ficar feliz se você insisitir, mas por enquanto você não apresentou argumentos que me fizessem mudar de ideia.

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