Personagens e apelidos

Há alguns posts, falei sobre a cidade de Houston, no Texas.  Agora, vou falar rapidamente sobre alguns dos personagens que frequentaram, comigo, as aulas do curso que fiz em Houston.  Como tinha gente de todo canto do mundo, o curso virou uma festa multicultural – vocês verão isso pela lista de apelidos que relacionarei abaixo.

Maria do Bairro
Maria do Bairro

A) Maria do Bairro: a mulher era igualzinha a qualquer personagem de novela mexicana.  Mesmo cabelo, mesma maquiagem, mesmo sorriso…  Bonitinha até.  Mas eu tenho certeza que, se ela chorasse, não sairia nenhuma lágrima de seus olhos.

B) Pinochet: esse não era apelido, era sobrenome.  Um sujeito franzino, afeminado, estatura mediana, ou seja, aparência física que em nada evocava o seu temível sobrenome.  Chamava muita a atenção o seu cabelo pintado, de cor extravagante.

C) Gorda-fedorenta-canadense: o seu apelido já diz tudo.  Banho?  Nem pensar.  Por azar, ela sentou do meu lado.  Por sorte, ela preferiu aparecer pouco, muito pouco, nas aulas.  Mas sempre que apareceu, deu ao ar sua graça (ou melhor, seu cheiro).

D) Dinamarquês-maníaco: um carequinha que se sentava lá atrás.  Sempre muito bem vestido, fez intervenções inteligentes e pertinentes ao tema das aulas, agregando valor e experiência aos ensinamentos.  Mas nada me convencia de que, no fundo, ele matava criancinhas para comer na hora do jantar.

Thomas Gravensen
Thomas Gravensen

E) Hooligan: eu tinha medo de encontrá-lo no corredor, no banheiro, ou em qualquer outro lugar onde não houvesse testemunhas para intimidá-lo a não cometer um crime grave contra a minha vida.  A cara do sujeito era tão amedrontadora quanto a de um pitbull feroz, muito pior que a do Thomas Gravesen (foto).

F) Pagodeiro da Nigéria: com tanta ginga ao caminhar, as abas do paletó pareciam asas, balançando de um lado para o outro.  Os cordões e pulseiras de ouro (sempre para fora da camisa) podiam conferir-lhe o apelido de Bicheiro da Nigéria.  Até o falar era swingado, com um sotaque imperfeito do inglês e uma voz rouca que pretendia ser sedutora – mas não era.

Bruxa do 71
Bruxa do 71

G) Bruxa do 71: uma italiana velha, com penteado i-gual-zi-nho ao da Dona Clotilde (vulgarmente conhecida pela alcunha de Bruxa do 71).  Suas intervenções eram sempre inoportunas e desprovidas conteúdo que agregasse valor às aulas – e eram loooongas.  Agora imaginem o sotaque: uma italiana (falando com as mãos) que mora no Cazaquistão há 12 anos falando inglês.  Dava para entender tudinho…

H) Mafioso do Azerbaijão: com uma baita pinta de mafioso, até porque vivia de terno preto e óculos escuros, sentava sempre lá na frente e prestava atenção aos professores com aquela cara de quem estuda cada movimento da presa, com a mão sobre a boca com aquela cara de “você me paga“.  Era outro que dava calafrios.  E andava sempre escoltado por um capanga que permanecia em silêncio o tempo todo.

I) Os amigos portugueses: uma gangue de portugueses que se sentavam sempre juntos, do lado da sala oposto ao que eu me sentava, ganhou esse apelido.  Faziam tudo juntos: banheiro, refeições, chegada, saída…  Um deles tinha o sobrenome “Gay”.  Isso mesmo, o sobrenome do cara era esse!  E, apesar de ter outro sobrenome, era esse que ele usava como nome de guerra: “Fulano Gay”.

J) O turista acidental: O cara que sentou ao meu lado só apareceu no primeiro dia (sentou-se e depois de quinze minutos dormiu; acordou no intervalo, saiu e não voltou mais) e no último dia (quando recolheu seus pertences durante um intervalo entre uma aula e outra e foi embora sem pegar o certificado do curso).  Sensacional!  Meu ídolo!

Cristiano Ronaldo
Cristiano Ronaldo

L) Projeto de Cristiano Australiano Ronaldo: eu tenho certeza que aquele australiano queria, do fundo do coração dele, ser o Cristiano Ronaldo.  Ele penteava o cabelo igual ao Cristiano Ronaldo, tinha aquele olhar distante, cara de dor, tudo igual ao jogador de futebol.

M) A bichinha chilena: não, esse não era o Pinochet, mas era muito pior que ele.  Na verdade, só no último dia descobri se tratar de um chileno – antes, eu estava desconfiado tratar-se de um australiano, por causa do sotaque.  Era tão afetada quanto as imitações do Costinha.

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devaneios, Houston

2 Comments

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  1. Humm, eu tenho uma mania horrível, já até escrevi sobre isso. Eu sempre acho que a pessoa se parece com alguém, algum desenho animado, algum personagem… É horrível isso, mas eu adorei as suas descrições. Você é um bom observador e aí, por menor que seja a descrição, é possível visualizar e imaginar a pessoa!

    Eu sou super suspeita para falar de corrida, amo de paixão! Agora o melhor da corrida são as provas ou, como diz um amigo meu, a vibe das provas. É realmente muito bom!

    Essa mania de apelidos eu herdei do meu pai. E depois de estudar em um colégio onde TODOS tinham apelidos, aperfeiçoei-a. A coisa mais chata que existe é dar o apelido à pessoa e não ter para quem contar.

  2. Acho esse negócio de apelido um barato. Eu tive um contemporâneo de colégio que tinha o apelido de Churrasco, porque ele literalmente pegou fogo (depois eu conto como senão isso vira um post!). Acho que eu nunca soube o nome dele. Bom, depois de muito eu o encontro no aeroporto, todo engravatado. Ele fala: Paula! E eu: Churr… Ele começou a rir e disse: “Pode continuar, Churrasco e morreu de rir”.

    Até hoje eu não sei o nome dele… O post que eu falei no comentário anterior é esse: http://depoisdesegundaeterca.blogspot.com/2008/06/ela-me-lembra-algum.html

    Digamos que, comigo, em relação aos amigos de colégio, acontece a mesma coisa. Só que, no meu caso, eu sou o tal churrasco. Estimo que, no colégio, 90% das pessoas não faziam idéia do meu nome. E isso continuou na faculdade, com o mesmo apelido…

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