Antes de viajar: diversos tipos de viagem

Os três capítulos anteriores se destinaram exclusivamente a questões filosóficas relacionadas ao aspecto de viajar.  Daqui por diante, os temas se tornam menos abstratos.  Entretanto, é necessário avisar que ainda se trata da parte introdutória do assunto principal do livro.  São temas também importantes para se conceber e compreender uma viagem – seja ela qual for – e que, por isso, não podem ser deixados esquecidos.

E antes de adentrar no tema sou forçado a dizer que recentemente o Ricardo Freire escreveu um post bastante interessante que aborda parte do tema deste capítulo, classificando as viagens segundo a perspectiva da sua organização/execução.  A leitura, como sempre, é recomendada.

Para fins didáticos, é necessário esclarecer que há diversos tipos de viagem.  Esses diversos tipos podem ser classificados segundo alguns critérios simples e servem para ilustrar que, para cada tipo de viagem, há vantagens e desvantagens – que cada viajante deve pesar antes de escolher (quando possível) entre um tipo ou outro.  Quando não for possível escolher, o viajante há de, ao menos, estar ciente das práticas comuns a esse tipo de viagem, para não se dizer surpreendido por inconvenientes.

1. Quanto ao motivo da viagem:

É difícil ter momentos de lazer em viagens de negócios
É difícil ter momentos de lazer em viagens de negócios

1.a) a trabalho: é preciso reconhecer que é praticamente impossível fazer turismo durante uma viagem de negócios.  Quase sempre, tudo é programado de modo a otimizar o tempo, o que significa emendar um compromisso profissional no outro, até a agenda do dia estar repleta e não sobrar tempo para nada além de um evento social/profissional com outros figurantes da viagem (amigos de trabalho ou cicerones locais).  E nesses eventos sequer é possível se divertir adequadamente, já que as regras de etiqueta profissionais contraindicam atitudes menos ortodoxas e espontâneas.  Enfim: viajar a trabalho, para quem quer fazer turismo ou para quem não gosta de viajar, é só desgosto.

Mas, dependendo de uma série de fatores como agenda, destino, disposição e companhia, dá para tirar uma casquinha da viagem a trabalho e fazer algum turismo.  Acordar bem cedo para dar uma passeada pelo local é uma boa opção, pois é possível circular pelas ruas sem trânsito, sem muitas pessoas circulando e com a chance de assistir um belo nascer do sol.  Depois, um breve retorno ao hotel, para um banho e café da manhã revigoram as energias para um dia inteiro de compromissos profissionais.  Outra boa opção é posicionar a viagem próximo a um fim de semana ou feriado e esticar a estadia, adiando o retorno ou antecipando a ida, para ter uns dias a mais no destino e, assim, poder conhecê-lo.  Algumas vezes também é possível solicitar ao cicerone um tour pelo local, o que costuma ser aceito de bom grado.

Qualquer dessas possibilidades deve respeitar os limites da ética e do profissionalismo.  Nenhuma delas pode coincidir ou atrapalhar os compromissos profissionais assumidos para a viagem.  Nem a vontade de alguns minutos de lazer em meio à viagem podem ser priorizados em detrimento desses compromissos.  Numa viagem de negócios, o foco deve estar nos negócios.  Os passeios são um bônus bem vindo, embora nem sempre possível.

Deixe as fotografias para momentos de descontração claramente assim proclamados por todos – e, mesmo assim, manere nas fotografias a serem tiradas.  Consuma álcool muito moderadamente para não se liberar demais e passar vergonha ou, pior, revelar segredos que não deveria.  Não faça nada que você não faria se estivesse acompanhado de sua família.

É possível, porém, aproveitar a viagem profissional para colher informações sobre o local, sondar bons restaurantes e hotéis, opções de diversão e lazer agradáveis ao gosto do viajante para melhor planejar um retorno, com calma, com o intuito exclusivo de aproveitar momentos de lazer ou para se certificar que aquele destino jamais constará da sua lista de lugares onde você deseja passar férias.

O planejamento em viagens de lazer é bastante diferente
O planejamento em viagens de lazer é bastante diferente

1.b) por lazer: nas viagens feitas por lazer, ao revés, as coisas podem fluir de modo mais relaxado e natural.  Quase sempre você não está na companhia de pessoas que vão revê-lo sempre ou, se está, elas terão intimidade suficiente para entender você sempre.  Então é possível se liberar um pouco mais e aproveitar para fugir do cotidiano e fazer coisas que não são usuais.

Numa viagem a lazer, tudo funciona diferente de uma viagem a negócios: para começar, você não tem compromissos assumidos para a viagem e, por isso, o tempo é todo seu.  Depois, o custo da viagem é seu, não da sua empresa ou do seu negócio; o planejamento tem outro foco – fazer o que você quer e gosta -, o que não significa que ele será mais ou menos intenso; e é permitido fugir da raia o quanto você quiser e puder.

O foco deste livro serão as viagens feitas por lazer.  Contudo, algumas dicas poderão ser aproveitadas para vigens feitas a trabalho também.

5 Comments

  1. Viajar a trabalho realmente é muito chato, mas de vez em quando acontece de uma ser divertida.

    Mas isso é raro.

  2. Gente, eu pulei esse post… Que vergonha! Já viajei muuuito a trabalho, muuuuuito mesmo. No começo eu achava tudo super legal, passado pouco tempo estava de saco cheio. O pior é quando você vai de “turminha” e todo mundo acha que os momentos de lazer devem ser vividos em grupo. Putz, é o fim. Eu vivia dando uns perdidos do pessoal, mas já fiz várias viagens muito divertidas a trabalho!

    Putz, essa galera grude é terrível mesmo. O pior é que só se fala de trabalho, mesmo quando o trabalho acaba.

  3. Já ouvi de pessoas que viajaram a trabalho que sequer tiveram a oportunidade de fazerem um “rolé” pela cidade. Mas há também aqueles que conseguem um horário livre ou um fim de semana em que conseguem ao menos visitar as atrações mais célebres da cidade. Nesses casos, mesmo que sejam visitas curtas, acho que o viajante sempre sai ganhando, pois está fazendo um turismo, mesmo que “meia-bomba”, às custas praticamente da empresa. Claro que seguindo as regras de etiqueta e profissionalismo, como você bem salientou.

    Eu quis apenas dizer que são tipos distintos de viagem, ambos possíveis, mas com suas limitações e benefícios.

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