Antes de viajar: diversos tipos de viagem

4. As viagens podem ser classificadas também quanto ao seu modo de organização/execução em duas classes: empacotadas e desempacotadas.  As desempacotadas são aquelas que se programa e realiza sem a necessidade de serviços de terceiros para ajudar a organizar e a realizar a sua viagem; as empacotadas, ao contrário, dependem dessa ajuda e se dividem em duas outras classes: os pacotes propriamente ditos e as excursões.  O próximo capítulo dedicará também atenção especial às excursões, mas nem por isso elas deixarão de, sob algum aspecto, de serem tratadas aqui também.  E, antes que alguém pergunte ou afirme, eu respondo logo que este quarto item do capítulo dos diversos tipos de viagem é cópia quase que fiel do post do Ricardo Freire sobre o mesmo assunto.

4.a) Excursões: quem busca uma excursão não quer se preocupar com absolutamente nada, exceto curtir a viagem.  Obviamente, isso tem um preço – e esse preço costuma ser caro.  A questão aqui é verificar se a relação custo-benefício é favorável ou não ao viajante.  Muitas pessoas não têm tempo nem paciência para viajar antes de viajar: coisas como escolher o melhor voo, planejar percursos, estudar a geografia e a história do destino escolhido, analisar alternativas, conviver com imprevistos, comprar bilhetes antecipadamente, lidar com translados, etc.  Para essas pessoas, as excursões são uma solução, pois elas providenciam tudo isso para o viajante – e mais, às vezes.  Mas nem tudo são flores em uma excursão: além do malefício do preço, quase sempre viaja-se com um grupo de desconhecidos com os quais se deve conviver obrigatoriamente durante toda a viagem.  Isso pode ser ruim ou bom (não conheço ninguém que tenha dito que foi bom), dependendo do grupo.  Um exemplo de quando essas excursões podem ser boas é fechar grupo somente com conhecidos, familiares ou pessoas com o mesmo interesse: torcedores de um mesmo time que viajam para assistir um jogo, turma do colégio em viagem de formatura, família grande que tira férias junta, romarias religiosas, eetc.  A confluência de interesses e visões de mundo contribui para eliminar a heterogeneidade do grupo e criar um clima favorável ao bem estar e à satisfação de todos.  Assim como há excursões para viagens inteiras, é possível também encontrar excursões para pequenas viagens que se encaixam na sua viagem, ou melhor, é possível viajar por conta própria e ter uma excursão de um ou dois dias inserida dentro da sua viagem.  Essas pequenas excursões, como todas as excursões, aliás, são ideais para locais de acesso complicado ou que requerem uma preparação especial que você sozinho não seria capaz de dar conta (bilhetes restritos, acesso restrito, necessidade de equipamentos especiais como mergulhos ou escaladas, etc.) e que já são oferecidos pelo organizador da excursão.  Dessa forma, é possível compatibilizar dois tipos distinos de viagem, proporcionando maior comodidade ao viajante.  É muito comum também que excursões apresentem outra desvantagem: a superprogramação.  Como os custos de organização e execução de quem oferece a excursão são elevados, as excursões são montadas de forma a proporcionar ao viajante o maior número de experiências possíveis, em detrimento da qualidade dessas experiências.  Por isso é que as excursões visitam diversos lugares diferentes em um curtíssimo espaço de tempo, deixando pouco tempo livre para o viajante fazer o que realmente lhe interessa e dá prazer.  O viajante fica quase que o tempo todo preso dentro do ônibus, rodando por cidades e estradas sem fim sem poder sequer descer para tirar uma foto nos locais que lhe fascinam.  Também não é possível modificar o roteiro se o local de destino não for muito do agrado do viajante, nem permanecer mais tempo em um lugar que tenha o agradado imensamente.  A caravana deve sempre seguir adiante, seguindo a programação preestabelecida.  Por todos esses motivos, excursões são ideais para viagens que inserem o viajante em sua zona de risco ou de perigo ou para pessoas que têm dinheiro suficiente e tempo insuficiente para programarem uma viagem por conta própria.

4.b) Por conta própria: as viagens organizadas e executadas por conta própria são o oposto das excursões.  Quando se faz tudo por conta própria, é necessário se preocupar com todos os detalhes, desde a concepção da viagem até os mínimos detalhes da sua execução, incluindo toda a programação, preparativos e logística (reserva de hotéis, compra de bilhetes, translados, alguel de carro, compra de passagens, etc.).  Isso tudo dá um trabalho enorme para ser bem feito (fazer tudo isso mal feito prejudica a execução da viagem, podendo transformá-la em uma experiência desagradável), que requer tempo, paciência e experiência, além de uma certa dose de predisposição para o risco de fazer escolhas ruins durante o planejamento e a preparação da viagem.  Por mais que a internet, principal ferramenta de preparação de uma viagem nos dias de hoje, já esteja incrivelmente bem desenvolvida, há coisas que o viajante só consegue descobrir quando chega no local de destino: essas surpresas podem ser boas ou ruins.  Por isso é que, para quem pretende viajar por conta própria, além de toda a pesquisa feita na internet, ainda é essencial buscar informações com pessoas que já estiveram no local eleito como o destino da viagem (preferencialmente com pessoas que sejam parecidas com você em termos de disponibilidade financeira, tempo e interesses).  Atenha-se mais às dicas objetivas (quanto custa, onde é, que ônibus/trem/bonde pegar, onde saltar) do que a dicas subjetivas (lugares lindos, comidas gostosas) pois estas podem enganar mais que aquelas.  Ao viajar por conta própria, porém, o viajante possui toda a liberdade do mundo para programar, desprogramar, reprogramar e fazer o que bem entender.  Nesse tipo de viagem, ele é o senhor do tempo e do espaço da sua viagem, não tem que aturar outras pessoas junto dele o tempo todo nem seguir horários rígidos.

4.c) Pacote: as viagens feitas com pacotes são uma espécie de meio termo entre as excursões e as viagens por conta própria.  Elas conjugam benefícios de um com malefícios do outro (e viceversa), sem que necessariamente se tornem uma forma de viajar mais interessante que qualquer das duas outras opções: é apenas uma forma a mais de se organizar, planejar e executar uma viagem.  Pacotes podem ser traiçoeiros quando o assunto é o custo da viagem.  Para alguns destinos, as operadoras conseguem otimizar custos e repassar isso para seus clientes, resultando em viagens mais baratas do que se fossem feitas por conta própria, por mais incrível que isso possa parecer.  Em outros destinos, os preços oferecidos se aproximam mais dos de uma excursão, sem todos os benefícios (principalmente o conforto de não se preocupar com nada) que as excursões proporcionam.  Os pacotes permitem ao viajante estar sozinho e acompanhado ao mesmo tempo.  Sua viagem não depende da companhia de outras pessoas desconhecidas, como uma excursão, mas a maioria dos passeios é realizada com vários viajantes cujos pacotes coincidem em determinado momento.  Assim como nas excursões, não se tem muito trabalho de pesquisar, planejar, estudar, buscar alternativas, etc.  Isso tudo a operadora já oferece ao viajante.  Mas, diferentemente das excursões, o viajante pode escolher ficar sozinho ou com tempo livre o quanto quiser: basta não agendar os passeios.  Diferentemente também dos passeios por conta própria, o viajante tem normalmente um espectro limitado de opções de transporte (horários restritos para voos, por exemplo) e hospedagem – essa restrição contribui para a economia de custo e de preço da operadora.

A importância do conhecimento desses diversos tipos de viagem elencado ao longo das últimas quatro semanas é importantíssimo no momento de planejar a viagem.  Conhecer todas as alternativas possíveis para a realização de uma viagem, estudá-las, compará-las e conjugá-las com habilidade são preciosos segredos que o bom viajante guarda no momento de planejar uma viagem.  Essas pequenas escolhas, que podem parecer muito complexas ao olhar dos viajantes menos experimentados, aumentam exponencialmente as possibilidades de sucesso da viagem.  Com o tempo, e com alguma experiência, o viajante aprende a transitar por elas com facilidade, realiza melhores escolhas e otimiza a viagem segundo a ótica que mais lhe apetece.

8 Comments

  1. Nada supera o prazer de organizar e executar uma viagem “desempacotada”. É bom demais.

    Feliz Natal pra você, pra Fiona e pra Filó! Um abraço.

    Obrigado pelos votos. Um forte abraço e Feliz Natal para vc, pro JG e pra Fê também!

  2. Desempacotada, sempre! Preocupar-se com todos os detalhes é um verdadeiro prazer!

    Felix Natal pra vocês!

    Calma, gente! Há casos em que é muito mais conveniente recorrer a outras opções, ainda que sejam excursões dentro de uma viagem desempacotada.

    1. Já fiz excursões dentro de viagem desempacotada e não curti muito. No final das contas, achei que teria sido melhor não adquirir o pacote. Entretanto, conversando com meu padrinho hoje, que é agente de viagens, consideramos fazer uma viagem à Terra Santa e não descartamos a ideia de fazer esse trecho “empacotado”. Afinal, lá não sabemos os contratempos que podemos encontrar. Além disso, não conhecemos muitos viajantes experientes no assunto Oriente Médio.

      Exatamente isso: há casos em que é mais apropriado empacotar ou embarcar numa excursão. Depende muito do perfil do viajante, do destino da viagem e de outros fatores que o viajante pondera na hora de planejar a viagem.

  3. Esses posts sobre viagem vêm servindo como uma espécie de terapia para mim. Venho me identificando com várias das situações narradas, percebendo que nem sempre as coisas saem do jeito que são planejadas. Sou muito exigente, mas tenho que reconhecer que os imprevistos são comuns nas viagens, ainda mais quando não se está sozinho. Então, no final das contas, acabo vendo que o que ocorre comigo nas viagens é perfeitamente normal. Fico aliviado.

    É normal sim. Fique tranquilo.

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