Florença: quando sobrar tempo para as compras…

Florença é sinônimo de cultura, arte, espetáculo – valores incompatíveis com a futilidade necessária ao turismo de compras (que todos têm, em algum grau, dentro de si).  Por isso, embora haja alguns lugares aparentemente interessantes para se gastar dinheiro adquirindo coisas menos importantes que bilhetes de museus e outros lugares fantásticos, Florença não é propriamente um centro interessante para comprar.

Os mais ávidos por compras – e aqueles que não podem esperar e se dirigir a um centro próprio para esse tipo de turismo – podem se contentar com as dicas registradas pelo Ricardo Freire aqui.  Aliás, além desses centros de compras citados pelo Ricardo Freire, há dois em Barberino de Mugello, a uns 40 minutos de Florença: o Barberino Designer Outlet e o MacArthur Glen Designer Outlet.  Não me aventurei conhecer nenhum dos dois e, por isso, não posso opinar sobre a conveniência e a utilidade de visitá-los – embora eu ache que perder tempo fazendo compras de bolsas, sapatos e outras bugingangas na Itália seja, no mínimo, uma ofensa ao mundo inteligente.  Mas, para quem não conseguir conter a esposa, lembre-se que, a cerca de 20km do shopping está o circuito de Mugello, onde a Ferrari costumava treinar (quando os treinos eram liberados pela FIA) e, no meio do caminho, há um lago com bonitas paisagens.  Largue a mulher no outlet e vá fazer algo de útil.

Ainda fora de Florença, Ponte a Giogoli é um bairro situado próximo ao distrito industrial de Osmannoro que também tem um comércio de rua interessante, principalmente na Via Pratese e na Via Lucchese, indo de concessionárias de automóveis a lojas de artigos para casa, como a Ikea, incluindo uma Prenatal e um supermercado (algo pouco comum na Itália).  Próximo dali, em Campi Bisenzio, há um enorme shopping center chamado I Gigli (enorme para os padrões italianos de shopping).

Florença, na verdade, é a cidade das pequenas lojas, mesmo que sejam de grandes grifes.  É uma delícia passear pelas suas ruas, ver a arquitetura, observar os brasões Médici nas fachadas das maiores construções, decifrar enigmas, descobrir cantinhos escondidos, paisagens deslumbrantes e, eventualmente, comprar uma coisinha ou outra.  Claro!  Não sou radicalmente contra fazer compras em viagens, ainda que em Florença.  Sou contra, sim, gastar uma manhã ou uma tarde – quiçá um dia inteiro – se dedicando aos prazeres capitalistas do consumismo, num lugar como Florença.

Por ser um grande centro de turismo, é óbvio que Florença tem lojas das principais grifes do mundo.  Estão mais ou menos espalhadas pelo centro histórico.  Algumas delas, e talvez essa seja a maior concentração, estão localizadas na Via dei Calzaioli, a principal via de ligação entre a Piazza della Signoria e a Piazza del Duomo.  Outras estão na Via Roma, paralela a ela.

Para compras de coisas para crianças – eu não pude evitar isso -, a Prenatal, na Via de Brunelleschi, é a melhor opção.  Para comer sorvetes, vá à Grom, na Via delle Oche, pertinho do Duomo, mas um pouco difícil de achar devido ao pequeno tamanho dessa rua.  E, mesmo sendo a Grom uma sorveteria de marca, o sorvete que eu mais gostei em Florença foi o da Le Parigine, na Via dei Servi, no caminho entre o Duomo e a Piazza della Santissima Annunziata.  Um comércio interessante, menos glamuroso, também se encontra na Via de Martelli, que liga a Piazza del Duomo à Piazza San Marco.

Para quem gosta de feirinha, e não consegue se livrar disso nem no exterior, saiba que ao redor da Basílica de San Lorenzo e do Mercado de San Lorenzo, todos os dias, no verão, há uma enorme feirinha que vende desde souvenires bobos (ímãs de geladeira e chaveiros) até bons artigos de couro, a especialidade do artesanato da região.  Basta olhar a foto aérea do Google Maps para ver as tendas espalhadas na Via del Canto de’Nelli e na Via dell’Ariento.  Artigos de couro também são vendidos, a preços de fábrica, na Basílica Santa Croce.

Não sei se é necessário lembrar, mas a Ponte Vecchio é um shopping de joalherias a céu aberto.  Deve haver um lugar mais barato que lá, na Itália ou mesmo em Florença, para comprar joias, mas eu não quis perder tempo procurando.

Por fim, o mais importante: não perca, em hipótese alguma, a loja de chocolates Lindt da Piazza del Duomo (de frente para a Catedral, do lado esquerdo, mais para o fundo da praça).  É absolutamente estonteante, gigantesca, com uma variedade de produtos da marca sem precedentes no mundo – ao menos da parte do mundo que eu conheço.  É impossível sair de lá impune, e muito difícil não voltar pelo menos uma vez.

7 Comments

  1. Eu tenho sempre um princípio: se sobrar tempo para compras – vá a um restaurante!
    A exceção foi a loja da lindt, realmente é um sucesso!!! Encontrei um chocolate de café que há séculos procurava. Imensa e irresistível, como a Santa Maria dei Fiori logo em frente. Devo ter saído, no mínimo, com umas 10 barras – ai que culpa!
    Ah, a feira de San Lorezo também funciona no inverno, passei por lá e os artigos de couro são realmente interessantes, não sei dizer quanto ao preço, mas parecem valer a pena. Vc reparou que a maioria dos vendedores da feira são brasileiros? Dá para negociar em português, rsrs. O blog está ótimo!!! Abs

    E o meu lema é: se sobrar tempo para compras, vá a outro museu. Ou sente na praça e fique ali observando a vida passar.

  2. Não resisti a dar uma opiniãozinha por aqui. Como eu moro em Florença e estou acostumada a receber vários amigos que vem a turismo aqui para a Toscana, devo dizer que uma boa parte deles simplesmente adora fazer compras por aqui. Especialmente neste momento, os preços de Florença são muuuuito mais baixos do que no Brasil, só precisa saber onde comprar.

    O melhor jeito de economizar é passear em um outlet. Você deu a sugestão de um ótimo, o de Barberino. Além disso tem as dicas do Ricardo Freire, que são também uma boa pedida. Mas ficou faltando o outlet mais importante da Toscana: o The Mall ( http://www.themall.it ). É o lugar ideal para quem procura as grandes marcas italianas pelos menores preços. Tenho amigos que viajam muito, inclusive pros States, e me disseram que os preços mais baixos de lojas como Armani, Gucci ou Ermenegildo Zegna encontraram por lá.

    Como em geral os outlets ficam fora do centro da cidade, é uma boa desculpa para aproveitar o interior da Toscana e seu panorama que é um dos cartões postais da Italia. Bem, sou suspeita, moro a poucos passos do The Mall e acho que não tem lugar mais lindo que aqui. hehehe…

    Sobre o comentário da Nivia, bem eu diria que o ideal é acrescentar uns dias na viagem, menos cidades para visitar e conhecer melhor cada destino, com visitas a museus, compras, passeios a pé, conversas com os habitantes locais. Adoro viajar slow, quando possível é claro.

    Bem, qualquer dúvida sobre a Italia, passa lá no meu blog.

    Até mais.

    abs,

    Barbara

    Barbara, você pode se pronunciar sempre que quiser! Seja bem vinda!
    Não mencionei o The Mall porque o post do Riq Freire que linkei já o menciona.
    De resto, obrigado pela contribuição.

  3. Quando se trata de Europa, é até reconfortante ouvir que tudo é caro. Assim, dinheirinho e tempo ficam destinados a passeios turísticos, e não às compras!

    Comprar lá? Só oportunidades únicas.

  4. Extremamente machista e de mal gosto o comentário: “Mas, para quem não conseguir conter a esposa, lembre-se que, a cerca de 20km do shopping está o circuito de Mugello…”. Devia ter vergonha de escrever algo do tipo. Ou acha que somente homens são cultos e mulheres são fúteis? Que estereotipo é este, meu caro, a que o Sr. está amarrado?

    Ao seu, provavelmente.

  5. Cara, vc é um chato!!
    Fiona, meus parabéns!!

    Recebo ambos os comentários como elogios. Sou chato mas dei todas as dicas. Quero só ver se aquelas pessoas que vão de férias a Florença para se dedicar às compras sabem transmitir as dicas dos museus quando voltam.

  6. Obrigada pelas dicas e pela dedicação em passar tantos detalhes. Estou indo para Florença em Março e anotei TODAS elas!

    De nada. Não esqueça que o post foi escrito há algum tempo e algumas coisas podem ter mudado.
    E, por favor, quando voltar da viagem, deixe seu relato aqui.
    Volte sempre.

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