Visitando Nova Iorque, hospedado em Newark

Fato: o preço da hospedagem é o fator mais limitador de uma viagem a Nova Iorque.  A cidade tem voos diretos desde praticamente todos os lugares do mundo, opções de lazer, custos de alimentação e atrações compatíveis com a maioria das grandes cidades turísticas do mundo, mas o valor do metro quadrado em Manhattan faz com que arrumar um lugar seguro e confortável para dormir implique necessariamente no gasto de altas somas de dinheiro.

Outro fato: os melhores hotéis custam mais caro que os piores.  E o conceito de “melhor” ou “pior” depende de uma série de fatores que vão desde os serviços oferecidos até a localização do hotel, passando pelo conforto de suas instalações, facilidade de acesso, treinamento de sua equipe, peso da marca…  Não tem pechincha, não tem barganha.  Tem mercado.

Diante disso, a melhor alternativa orçamentária que me restou para essa viagem foi fugir de Manhattan e me hospedar em Newark – onde o quarto para quatro pessoas em hotel de rede de médio conforto (Best Western) custou cerca de metade do preço do quarto mais barato (de conforto mínimo) que eu encontrei em Manhattan durante as minhas pesquisas.  O preço disso foi a rotina pesada diária de deslocamentos entre Newark e Manhattan e as consequências naturais desse deslocamento – necessidade de acordar mais cedo e dormir mais tarde, para aproveitar o dia em Manhattan.

O deslocamento segue o movimento pendular normal do aglomerado urbano que existe ao redor de Nova Iorque.  Newark é uma periferia, no estado de Nova Jérsei, bem próximo a Nova Iorque.  Um trem serve a cidade, partindo de sua principal estação (a Newark Penn Station) até dois pontos em Manhattan: Downtown (área situada no Ground Zero, ou seja, embaixo das falecidas Torres Gêmeas e, portanto, perto de Wall Street e das barcas para a Estátua da Liberdade e Ellis Island) e a Rua 33 (próximo ao Madison Square Garden, a Macy’s e à B&H).  Na primeira alternativa, o trem é direto; nesta última, tem-se que fazer uma baldeação muito simples – não é necessário sequer sair da plataforma, basta esperar o trem seguinte.  A conexão com o metrô era para ser direta, sem subir à superfície nos dois casos.  Na Rua 33 é assim, no Ground Zero não, por causa das obras de reconstrução do World Trade Center, ainda em curso – se bem que já faz um ano que eu estive lá e é possível que isso já tenha mudado desde então.

O nome do trem é PATH – The Port Authority of New York and New Jersey.  A tarifa básica é de dois dólares (clique aqui para ver o tarifário completo).  É possível reduzir esse valor no caso de se adquirir o cartão de viagens (cinco dólares) e o carregue com várias viagens.  Quanto mais viagens carregadas, maior a economia.  Há também a possibilidade de carga para uso irrestrito durante um, sete ou dez dias – mas isso não é vantagem para quem usa o PATH apenas duas vezes por dia (uma para ir de Newark para Manhattan e outra para voltar).

A utilização é simples: uma vez carregado o bilhete, basta deslizá-lo no lugar próprio, na roleta, e passar pela catraca.  Cada viagem corresponde a uma utilização do bilhete.  O sistema não é integrado com o sistema de transporte público de Nova Iorque (metrô, ônibus, etc.).  Dessa maneira, para circular por Nova Iorque é necessário ter outro bilhete em mãos.

Vista da janela do hotel
Vista da janela do hotel

Mas onde se hospedar em Newark?  Em um hotel perto da Penn Station, necessariamente.  Há algumas opções, não muitas.  Algumas mais próximas, outras mais distantes um pouco.   A opção que eu escolhi – na verdade, a Fiona escolheu – foi o Best Western Robert Treat Hotel.  O serviço é bom, o quarto é confortável, o café da manhã é suficiente (a velhinha que toma conta do café da manhã é a simpatia em pessoa – é impossível ficar de mau humor perto dela, mesmo de manhã muito cedo), e ele fica a duas quadras da Penn Station.  O trajeto, que pode ser feito a pé, dura uns dez a quinze minutos, dependendo do passo.  Mas o hotel também tem um serviço de shuttle que leva e traz os hóspedes da estação.  A ida até a estação é feita com hora marcada, de meia em meia hora.  A volta é feita sob demanda.  Você chega na estação, pega o orelhão, liga para o hotel e eles vão lá te buscar.  Todas as vezes que eu liguei, o orelhão me devolveu todas as moedas.  Não entendi a razão, mas agradeci efusivamente.

Embora essa estratégia de conhecer Nova Iorque seja um tanto mão-de-vaca e exija um certo esforço maior do visitante (não é fácil perder quarenta minutos para ir e quarenta minutos para voltar de Manhattan todos os dias, embora eu seja obrigado a reconhecer que muita gente que vive em grandes cidades perde muito mais tempo que isso no trânsito todos os dias diariamente), ela apresenta algumas vantagens que não apenas o preço.  Para quem vai a Nova Iorque para fazer compras, por exemplo, pode ser uma boa pedida.  O hotel tem estacionamento gratuito e é fácil (no sentido de que não se pega trânsito) ter acesso às principais rodovias da região – dali, chegar aos outlets e àqueles enormes centros comerciais com supermercados gigantescos, lojas enormes, daquele jeito que o brasileiro gosta, é um pulo!  Vale a pena pensar com carinho nesta opção caso seja este o espírito da sua viagem.

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11 Comments

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  1. Então vc agradeceu efusivamente ao orelhão?

    Sim, por que?

    • Em Miami liguei do orelhão pro Hotel tb., e o cartão não foi devolvido….rsrsrsr
      Mas o trajeto saiu de graça, pelo shuttle do hotel, cerca de 15 km, sem pagar nada a mais, só uma gorjeta, que só dei no ultimo dia por lá, mas o motorista ficou hiper feliz, demos US$ 20…rsrsrs
      PARABÉNS PELO BLOG – Está nos ajudando nas pesquisar para NY.
      Sergio Pereira – SP

      Faça boa viagem.
      Mas lembre-se que a gorjeta é um expediente quase que obrigatório nos EUA.

      • Bem lembrado, mas foram só 3 dias em Miami, e só nesse caso, demos apenas na hora de sair do hotel. Depois foi orlando/Tampa/St. Petterburgh e demos gorjeta sim, até passamos dos 15% , em alguns restaurantes/pizzarias. O povo da Flórida atende muito bem e, na verdade, ficávamos até constrangidos de não dar….eles realmente sabem tirar a gorjeta da clientela…rsrsrss , são muito amigáveis, pra tirar fotos, etc., sem falar na educação no atendimento. Obrigado pelos votos !!!

        De nada.
        E não esqueça e voltar e contar no que deu.

  2. Vou te dizer que com criança, não vale à pena ficar hospedado fora de Manhattan. Vou te dizer que nesses casos, uma das maravilhas é poder voltar vez por outra andando para o hotel.

    Mas paga-se o (alto) preço…

    Essa viagem não foi feita com crianças.

  3. Em um ponto o Rio pode se orgulhar: o preço da hospedagem está no mesmo patamar de Manhattan (mas a qualidade…). Imagina na Copa.

    Até mulher feia hoje em dia o pessoal olha e diz: “imagina na Copa?”

    • Calma, esse “imagina na Copa” foi só pra ironizar, exatamente porque pra qualquer coisa agora neguinho fica repetindo essa chatice. Tudo é “imagina na Copa”.

      Tipo: você vê aquela menina de dezoito anos saradinha e pensa “imagina na Copa…”?

  4. Adorei saber, pq irei me hospedar nesse hotel, e não tinha nenhuma referência se ele é bom…tem alguma coisa de interessante pra fazer em Newark???

    Pegar o trem para Nova Iorque.

  5. Valew, somos um casal, vamos pra NY e não queríamos pagar a fortuna que se paga em Manhattan, vamos sem crianças. Passar 40 min. em trem-metrô não é o fim do mundo prum mão de vaca, adorei o post. Eu queria ficar em New Jersey (mais perto) mas os preços ali são nova nova-iorquinos….Continuo pesquisando, se não encontrara oferta mehor sigo sua dica e vamos pra Newark.

    Vale a aposta. Como eu disse, ruim é voltar para casa no fim do dia carregando peso. Fora isso, é melhor do que morar em qualquer subúrbio brasileiro. Ao menos o transporte para casa é bom.

    • Eu vou viajar em agosto… MIami, Toronto, Niagara, Montreal, Nova York e volto São Paulo.
      Embora ja conheça e bem Nova York, la é dureza mesmo…. mas ainda consegui no Hotel Carter. Hotel antigo mas de localização maravilhosa, bem junto a Times Square, ou seja, voce anda 2 quadras e esta no hotel, ou ate para deixar uma comprinha durante o dia. Veja se consegue, pois foi o melhor preço que consegui. Boa viagem.

      Fica a dica.

  6. Boa tarde!
    Não entendi muito bem quando foi dito que um trem que serve a cidade sai de Newark Penn Station até um ponto de Manhattan. Existe um trem que vai direto? Sem que haja necessidade de pegar mais de um meio de transporte?
    Obrigada.

    Isso mesmo. O trem vai direto a Downtown, sob o WTC. Se quiser ir à 33rd St, tem que trocar de trem.

  7. Olá post top! to pensando em ficar no mesmo hotel já que iremos estar viajando de carro, e iremos ficar dois dias em NY,
    em requisito de segurança a noite como é voltar pro hotel la pelas 23hrs?? o trêm é seguro?
    obg. pela atenção

    Voltei mais tarde que isso com duas senhoras de idade e uma mulher grávida. Não posso garantir 100% da sua segurança mas imagino que o mais grave que possa te acontecer seja você tropeçar e se machucar ao cair no chão.

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