Dicas práticas para assisitir o próximo Grande Prêmio de Fórmula 1

Gostei muito de ficar no Setor A de Interlagos.  Boa visibilidade de vários trechos da pista, inclusive da reta dos boxes e da parte final da reta oposta – onde acontece a maior parte das ultrapassagens.  Se eu resolver assistir de novo um GP do Brasil in loco (ainda não tenho certeza de que o perrengue vale a pena, em comparação com o conforto da televisão de casa), vou para lá novamente.  Não tem cobertura na arquibancada, mas há um monte de árvores que amenizam tanto a chuva quanto o sol.

Não é brincadeira para crianças
Não é brincadeira para crianças

Mas eu vou fazer um esforço para chegar ainda mais cedo no autódromo, como contratar um táxi para me deixar lá às 6h da manhã do domingo.  Uma horinha de espera em eventual fila vale mais do que uma hora de espera por ônibus + caminhada subindo ladeira.

Não é preciso carregar muito dinheiro vivo para o evento.  Um par de notas de cinquenta reais – muito dinheiro para a maioria dos brasileiros mas nada para a grande maioria das pessoas presentes ao evento – e um cartão de débit0/crédito é suficiente.  Lá dentro, todas as barraquinhas – mesmo as de comida – aceitam cartões.  E qualquer coisa que você compre, por mais barata que seja, já custa dinheiro suficiente para ser paga com cartão.

Podrão à venda
Podrão à venda

Não é permitido entrar com caixas rígidas (isopores e congêneres), guarda-chuvas, mastros de bandeiras, bengalas nem vasilhames de bebidas (não me perguntem o que o jeca do meu lado estava fazendo com aquele guarda-chuva salvador lá dentro).  Mas é possível entrar com comida em pacotes (biscoitos, sanduíches, etc.), bolsas térmicas deformáveis, bandeiras sem mastros, muletas e cadeiras de rodas.  Leve comida (seu bolso vai agradecer, seu estômago, seu colesterol e seus triglicerídeos também) na mochila e seja feliz!  Leve também uma capa de chuva eficiente, que seja, de fato, impermeável.

Vi muita gente levando protetor solar.  Em geral, estavam com camisas que indicavam serem de lugares pouco afetos à luz solar, como Santa Catarina e cidades do interior.  Acho que, com aquela sombrinha das árvores do setor A e vindo do Rio de Janeiro, não há necessidade para tanto, mas fica a dica.

Carregue tudo o que você precisa em uma mochila, nada além disso.  Câmera fotográfica, binóculo, ingresso, comida, capa de chuva…  Não leve bolsas nem outras coisas que ocupem suas mãos.  Mantenha-as livres o tempo todo para tirar fotos, segurar o telefone celular, alimentar-se, apontar algo interessante.  Dê preferência para mochilas que tenham fechamento na cintura e no peito, que fiquem firmes junto ao corpo e liberem também os ombros.  É um conforto que pode fazer a diferença.  Use também tênis muito confortáveis.  Não pretenda ir para lá de sapato nem salto alto.

Órtese de Madame
Órtese de Madame

Por falar em salto alto, deixe sua mulher em casa, a menos que ela seja tão fanática quanto você pelo evento (isso vale também para o caso de você não ser fanático).  Principalmente se ela for muito bonita, gostar de se vestir com pouca roupa e você for do tipo ciumento.  Vão te chamar de sócio e de Tufão o tempo todo, só para dizer o mínimo.  Se não houver jeito e você tiver que levá-la a tiracolo, obrigue-a a ir com roupas discretas e folgadas, evite com todas as suas forças passear com ela pela parte de baixo da arquibancanda, aos olhos do público.  Ostentar um troféu tão bonito pode ser legal no shopping, na festinha do trabalho, na social com os amigos, mas ali não vai ser nada legal.  E nada de tirar fotos dela naquelas poses que mulher adora fazer (com uma perna dobrada e o quadril para o alto, mão apoiada sobre o joelho e corpo ligeiramente inclinado para a frente ou para o lado, com cabelos caindo à mostra separados do corpo).  Nada de fotos no estilo Nana Gouvêa também.

Não programe ponte aérea para voltar antes das 20h.  No meu caso, eu saí voado do autódromo (nem vi a bandeirada final, porque ela seria dada sob bandeira amarela mesmo), peguei o F1 Express e fui para Congonhas – que fica a uns 10km do autódromo.  Mas é São Paulo e São Paulo é sinônimo de engarrafamento.  Para ter a calma de assistir a chegada e a nesga da cerimônia de premiação que dá para assistir do setor A, é preciso ficar mais tempo no autódromo e isso significa gastar mais tempo lá, mais tempo para sair de lá, mais tempo para encarar a fila do ônibus, a confusão da saída e o trânsito na Av. Interlagos até o aeroporto…  E eventualmente dar uma pechinchada em possíveis (não confirmo essa informação, mas imagino que ela possa ser verdadeira) ofertas de última hora das lojas oficiais espalhadas pelas arquibancadas.

É essencial ficar em um lugar que tenha telão à vista.  Em nenhum lugar de Interlagos é possível ter visão completa da pista.  Mesmo que isso fosse possível, é humanamente impossível manter olhos atentos em todos os cantos da pista simultaneamente.  Vai acontecer um acidente no lugar para onde você não está olhando (só vi o carro do Paul di Resta parado na minha frente, a menos de cinco metros, depois que ele já estava parado, eu só vi o Kimi Raikkonen dando voltinhas no estacionamento no replay do telão, eu só sabia em que volta estávamos olhando para o telão) e só o telão, com replay, vai salvar você.

Seu ouvido vai ficar zunindo por pelo menos dois dias depois do evento.  O meu até agora não parou de zunir totalmente.  Não adianta levar rádio de pilha nem tentar ouvir a transmissão oficial pelas enormes caixas de som espalhadas nas arquibancadas.  O ronco dos motores é muito mais alto que isso.  Eu não tinha ideia…  Pode ser que um protetor auricular ajude a minimizar isso (leve o seu de casa, para não ter que pagar dez reais por um nas lojas do autódromo).  Mas, convenhamos: não tem a menor graça proteger os ouvidos daquele barulho maravilhosos e inigualável!  Melhor ficar surdo por um tempo.

O estacionamento mais barato que eu vi nos arredores do autódromo era o do Carrefour: 80 reais no domingo.

O 3G da Vivo parou de funcionar no Q2, no sábado, e voltou a funcionar só 15 minutos depois do fim do treino.  No domingo, ele parou de funcionar uma hora antes do início da prova e só voltou a funcionar a caminho de Congonhas.  Não conte com ele para nada.  No entanto, uma das melhores coisas que me aconteceu foi poder contar com o timing do pernambucano que estava do meu lado.  É um aplicativo caro (custa 30 dólares, eu acho), mas vale a pena ter, especialmente em corridas malucas e cheias de alternativas como foi a de domingo.  Qual pneu era mais vantajoso?  O de chuva ou o slick?  Só o timing dizia isso.

Jamais, em hipótese alguma, esqueça de levar um amigo.  O amigo é bom para tudo: dividir a frustração do perrengue, conversar para fazer o tempo passar mais rápido, segurar o lugar enquanto você vai no banheiro ou comprar alguma coisa…  E, principalmente, ajudar você a ver a corrida com quatro olhos.  O amigo vai sempre enxergar detalhes – e chamar sua atenção para fatos – que acontecem em um lugar onde você não está prestando atenção.  E tem que ser um amigo que entenda e goste do riscado.  Não leve seu BFF para lá.  Não é o lugar.  Da minha parte, eu já decidi: só volto lá se o Eduardo for comigo.

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8 Comments

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  1. Ah, mas eu faço questão de ir! Já me arrependi de não me convidado para ir neste ano! Não vou perder isso por nada nesse mundo, pode crer! Vamos, vamos, vamos!

    Só vou se for com você.

  2. Pq o BFF não??

    Acredite: lá não é o lugar.

  3. Senti o “peso” da idade no 1° parágrafo!

    Cheguei lá em cima bem das pernas, depois da caminhada, mas podia ter sido melhor.

  4. KKKKKKKK
    Irei com meu marido ao GP esse fds em SP

    Conte como foi.

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