Esquentando os tamborins – Festa para um Rei Negro

Os vídeos das quintas estão muito musicais ultimamente. E vão permanecer assim por um bom tempo. Porque de hoje até a quinta-feira anterior ao carnaval (dia 7 de fevereiro, inclusive), o “esquenta” está oficialmente funcionando aqui no blog. Os vídeos serão todos sobre sambas-enredo históricos – os meus favoritos. Notem que não são necessariamente os mais famosos, os mais aclamados, os mais lembrados. São apenas os que eu mais gosto, que eu achei mais bonitos, dos quais eu sinto mais saudades. São aqueles que eu gostaria que norteassem a evolução do samba. Alguns o fizeram, outros não, infelizmente. Espero que gostem.

O primeiro vídeo é do samba de enredo mais conhecido do país. Não há uma pessoa viva no Brasil, e possivelmente no mundo (nem as que nasceram ontem), que nunca tenha ouvido essa melodia. Pode não saber a origem (é o samba do Salgueiro para o carnaval de 1971), pode não saber o autor (um sujeito desconhecido do grande público de nome Adil de Paula, alcunha é Zuzuca), tampouco o nome oficial (Festa para um Rei Negro). Mas a melodia e o refrão…

Foi o primeiro samba de enredo de massa da história. Foi a primeira música-chiclete da história. Foi a primeira vez que a letra de um refrão, embora dissesse alguma coisa, não dizia nada perto da mensagem da melodia, curta e simples, fácil e empolgante. Quem consegue ficar indiferente a ela? Quem consegue esquecê-la? Até hoje, em qualquer reunião – de rodas de samba a jogos de futebol -, se alguém puxar a letra, a massa inteira vai cantar junto.  Dali por diante, o samba deixaria de valorizar letras longas repletas de palavras eruditas para valorizar mais o refrão.

Curiosamente, esse samba não constou do LP lançado no final de 1970 com os sambas de enredo das agremiações de elite cariocas. Gostaria de saber o motivo para esse fato. Mas, sinceramente, nem precisava de gravação para ensinar o povo a cantá-lo. Depois do sucesso imediato estrondoso desse samba, Clara Nunes, Jair Rodrigues e tantos outros artistas o regravaram. Se Zuzuca ganhasse um real por execução de sua obra até hoje, ele não precisaria se preocupar com o bem estar da sua família pelas próximas sete gerações.

É realmente um fenômeno de impressionar o que esse Zuzuca fez. E ninguém jamais lhe deu o devido valor – até hoje.

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8 Comments

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  1. Nenhuma ideia de que era um samba enredo.
    Ai, Leandro, vc é tão bom para nós*!!!!
    *pq não acredito que seja a única que não soubesse

    Ok quanto a não saber tratar-se de um samba de enredo.
    Não ok quanto a jamais ter ouvido. Se você já ouviu, você é normal. Durma tranquila.

  2. 98% das pessoas conhecem versões futebolísticas que substituem “pega no ganzê / pega no ganzá” por “xxxxx vem aí / o bicho vai pegar”. Esclarecendo que deve-se substituir o “xxxxx” pelo nome do jogador/torcida.

    98% das pessoas que você conhece.
    No meu mundo, esse percentual está em torno de 60%.

  3. Gostei da proposta para os próximos vídeos. Vai ser muito interessante acompanhar, inclusive para ver como os sambas enredo mudaram ao longo do tempo.

    A série só não está programada para evoluir cronologicamente. A ordem dos sambas será aleatória.

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