Esquentando os tamborins – Heróis da Resistência

O Carnaval é, por excelência, uma “válvula de escape” (perdoem-me pelo uso de expressão tautológica e pouco bela) da realidade.  Durante muito tempo foi a época que os pretos e pobres podiam ir às ruas fazer a sua festa sem serem (muito) incomodados pela polícia.  Não é à toa que, no Brasil, a festa adquiriu caráter de manifestação popular que não se vê em outras partes do mundo.

Aliás, essa é mesmo a fonte e o objetivo do carnaval.  Servir de fuga da realidade, permitindo que as pessoas desenterrem seus sentimentos guardados durante o ano para deles se despedir (uma espécie de prévia do fim do mundo), com o intuito de entrar descarregado na Quaresma.  É por isso que gente que se comporta direitinho o ano inteiro perde a linha durante o Carnaval.  É por isso que, durante muito tempo, o Carnaval foi usado como meio de expressão para aqueles que não tinham voz nem vez.  É por isso que era no tempo do Carnaval que aqueles protestos que eram proibidos durante todo o ano podiam ser, enfim, desabafados.

Foi assim que a Acadêmicos de Santa Cruz se notabilizou.  Uma escola de samba oriunda do mais longínquo dos subúrbios cariocas, nos confins da Zona Oeste, que descia mais de sessenta quilômetros rumo à Av. Marquês de Sapucaí para fazer carnavais não ricos, não pujantes, não exuberantes, mas legais, autênticos, simples e entusiasmados.

A Santa Cruz não era uma escola grande, nunca foi, e dificilmente será.  Hoje ela amarga o Grupo de Acesso A – algo parecido com a segunda divisão do Carnaval do Rio de Janeiro.  Não conheço ninguém que torça para a Santa Cruz.  No entanto, ela escreveu seu nome na história ao cair de cacete sobre a já falecida Ditadura Militar, em 1990, celebrando também o fim da censura e a liberdade de expressão tendo por linha mestra uma homenagem ao Pasquim.  Foi um dos últimos sambas de enredo com conotação política a desfilar na Sapucaí.  O samba chamado “Os Heróis da Resistência”, de autoria de Zé Carlos, Carlos Henri, Carlinhos de Pilares, Doda, Mocinho e Luis Sérgio, é o tema de hoje.

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2 Comments

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  1. Desculpe, só consigo ler o título e lembrar do Leoni…aí já começo a a cantarolar ♫ só pro meu prazer…hihihihi.

    Tsc, tsc, tsc…

  2. Aquieta o facho, Carmen!

    Tá muito serelepe…

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