Tombo

Eu estava tomando banho.  Não vi nada, não ouvi nada.  Só quando desliguei o chuveiro e saí do box é que ouvi Felícia chorando.  Choro inconsolável.  Bem diferente dos chorinhos que ela faz de vez em quando – raramenete, para dizer a verdade -, nos momentos que quer alguma coisa ou que se sente contrariada.  E é impressionante como pai e mãe aprendem a diferenciar os tipos de choro do filho – e saber identificar o que aconteceu a partir do tipo de choro.  Criança não precisa nem falar.  Não mesmo.

Na sala, Fiona se virava como podia com uma bolsa plástica cheia de gelo, tentando colocar na cabeça dela.  Além da cena notória (Felícia batera com a cabeça em algum lugar e aquilo estava doendo bastante), notório também era que a preocupação da Fiona ia além da simples preocupação de mãe acerca da saúde e do bem estar do filho.

E, honestamente, eu não sei o que doía mais em mim: a dor da Felícia, com os olhos repletos de água e um desesperado ar de irritação com o fato de a dor não passar logo; ou a dor da Fiona, que nitidamente se culpava pelo que sei lá havia acontecido e, apesar de calma, insistia em colocar a bolsa de gelo na cabeça da Felícia – que sempre repelia a tentativa.  Demorou um bocado até que a situação serenasse e a Felícia voltasse ao normal (com um discreto galo no alto da cabeça, bem encoberto por volumosas mechas douradas encaracoladas).

E, mesmo tentando ajudar, eu caí na asneira de perguntar o que houve.  Fiona respondeu com um ar de irritação.  Em parte por causa da pergunta.  Acho que eu deveria saber ou, ainda que não soubesse – e, de fato, não sabia – eu deveria suspeitar.  Em parte por se atribuir a responsabilidade pelo ocorrido.  Para mães – e para pais também – isso é imperdoável.  Tão imperdoável quanto não não saber o que aconteceu, mesmo sem ter visto nada.

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3 Comments

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  1. Aposto que você escreveu isso so pra todo mundo perguntar o que aconteceu.
    Eu nao vou perguntar!
    Ja passou. Minha afilhada esta bem. E nao tem mae melhor que a fiona pra cuidar dela independente do acidente que aconteça.
    E estao so comecando… Espera ate aprender andar de bicicleta. Pular corda, elástico, caixote na praia com a Dinda… Vai ser muito galo, joelho e cotovelo ralado…

    O que aconteceu está escrito no título.

  2. Foi o primeiro tombo, tadinha? Mas até nisso ela é boazinha, se fosse outra estaria chorando até agora.
    Agora, que luxo esse “encoberto por volumosas mechas douradas encaracoladas” hein?! Me senti num comercial da L’oreal!

    Mas ela é um comercial de shampoo sim.
    Não foi o primeiro tombo, mas foi o primeiro sob supervisão da mãe.

  3. Cara, com a idadezinha dela, você tem de se sentir um afortunado por ela cair tão pouco. João Guilherme levou o primeiro tombo dele com 4 meses, e foi uma senhora queda. Até de escada ele já caiu! Não se sintam culpados, e não me leve a mal, mas isso é normal e ainda vai acontecer mais um monte de vezes… ela só está começando!

    Eu sei. Mas vai dizer isso para a Fiona…

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