Os nibelungos – a morte de Siegfried

Cartaz do espetáculo
Cartaz do espetáculo

O cinema mudo é algo incomum nos dias de hoje.  Acho que desde o clipe dos Paralamas da música “Ela disse adeus”, interpretado brilhantemente por Fernanda Torres, eu não via nada do gênero.  Minto: acho que, depois disso, vi Metrópolis num canal de TV a cabo – também de Fritz Lang.  Por isso, foi com algum preconceito e muita curiosidade que eu me dirigi ontem ao Theatro Municipal para assistir esse espetáculo.

A produção chama a mostra de “Música e Imagem”.  A proposta é exibir o filme mudo com trilha sonora tocada ao vivo pela Orquestra Sinfônica Brasileira.  A dificuldade, além da execução de uma peça pouco comum no repertório de qualquer orquestra, é dar sincronismo à execução da música em relação à projeção do filme na tela – que não pode parar para esperar a orquestra caso esta se atrase.  Um grande barato o esforço de sincronia.

O filme a ser exibido foi “Os Nibelungos – A morte de Siegfried”, um filme alemão, lançado em 1924.  Foi dos primeiros, senão o primeiro filme, a ser musicado.  Nos primórdios do cinema, os filmes mudos eram simplesmente mudos.  Sem som nenhum mesmo.  A ideia de colocar uma música para “ilustrar” a projeção foi uma baita novidade, uma tremenda inovação.

Sem contar que o filme é muito interessante.  Ele narra a história mitológica de Siegfried, filho do Rei medieval Sigmund (um personagem que não aparece na película e que serve apenas para dar a perfeita noção do status social de Siegfried), que sai pela Alemanha conquistando reinos, matando dragões, em busca de se casar com uma princesa cuja beleza é conhecida de longe.  É uma verdadeira saga, com tons operísticos e toques refinadíssimos de humor (a cena do rei Gunther tentando se explicar para a sua mulher Brunhild fez a plateia abandonar o protocolo cair na gargalhada).  Tem drama, fantasia, amor, ódio, ciúme, vingança, luta, guerra, traição, amor, aventura…  E alguns efeitos especiais que podem facilmente ser classificados como espetaculares para a época em que o filme foi feito.

O mais interessante é ver que, na Alemanha Entre-Guerras, o ideal do ariano perfeito – representado por Siegfried – já estava em gestação.  Siegfried é um herói traído por alguém de um reino distante.  Não à toa, é representado por um ator com feições extremamente germânicas (loiro, branco, olhos claros).  Daí a servir como ilustração para os ideais de Himmler não custou nada.

Um baita programa, que vale muito a pena – e que só estará em cartaz hoje e sábado.

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3 Comments

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  1. Só para constar, o oscar de melhor filme do ano passado foi para “O artista”, um filme mudo. E eu tenho um livro para te emprestar que vai abrir seus horizontes sobre a Alemanha do período entre guerras, vai por mim.

    Não vi o filme, nem sabia disso. E, sim, estou esperando o livro de braços abertos. Porém, ao contrário do David, pretendo devolver.

  2. Vi também o filme “O Artista” e o recomendo, é excelente. Vale a pena a assitir, pois o roteiro é muito interessante e o final me surpreendeu bastante. Boa pedida.

    Acho que esse não está mais em cartaz, mas vou procurar.

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