Desandou a andar

Felícia já havia aprendido a andar.  Um vídeo feito pela Fiona, naquela oportunidade, não me deixa mentir.  No entanto, ela, desde então, não fazia muita questão de se dedicar ao exercício.  Não sozinha.  Sempre que se erguia ou era erguida para caminhar em duas pernas apenas, estendia a mão na direção de alguém, solicitando apoio para continuar a empreitada.  Até a última sexta-feira.  Sexta-feira Santa.

Já de noite, em casa, sem mais nada de relevante para acontecer naquele fim de dia, eu a ergui sobre seus pés e pernas e larguei, sem abstolutamente nenhuma pretensão.  Ela deu dois passos em direção à Fiona, que estava ali, a meio metro, sentada no sofá.  Olhei para a Fiona e ela fez sinal com os olhos para não fazer muito alarde.  Peguei-a novamente, cheguei uns 30cm para trás, e soltei.  Ela deu três passos em direção à Fiona.  Repeti o gesto, chegando mais um pouquinho para trás.  E mais, e mais, e mais…  No fim, eu já estava a uns três metros de distância e ela insistia em caminhar até a mãe.  Já dava até para filmar o acontecimento.

E, dali por diante, e durante todo o fim de semana – e provavelmente para o resto de sua vida, assim espero – ela andou.  Andou muito.  Foi para lá, voltou para cá, fez curva, abaixou, levantou, andou mais…

O mais bizarro de tudo isso é ver o grau de independência que ela ganhou.  No sábado, saímos para dar uma volta – e deixá-la andar um bocado na rua, ao ar livre, fora do conforto e da segurança do lar, só para testar.  Ela não se fez de rogada.  Andou mesmo, muito.  Em chão liso, em chão de pedras portuguesas, contornou habilmente as pequenas elevações e declives do terreno, e até arriscou subir um meio-fio só para tirar onda.  Precisou de ajuda, mas pouca.

De tudo referente a esse processo repentino (foi como se alguém tivesse gritado para ela “Levanta-te e anda!”), fiquei muito impressionado com o grau de independência que ela adquiriu com o simples fato de caminhar em duas pernas – ou, como eu defini na sexta-feira, o simples fato de evoluir de Homo habilis para Homo erectus.  Além de andar, não fez muita questão que estivéssemos por perto o tempo todo.  Saía numa direção e mal olhava para trás, ou para ver onde estávamos.

Próxima parada: Homo neanderthalensis.

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5 Comments

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  1. Que mané “homo neanderthalensis”, rapá! Felícia é, e vai sempre ser, a “homo coisinhamaislindinhadotiobabãosis”!

    Na verdade, as crianças, quando começam a andar, não olham pra lugar nenhum. Elas se concentram no movimento e seja o que Deus quiser. Por isso o próximo post sobre a série provavelmente vai falar sobre a relação entre quinas de mesa, portas, janelas, varandas e infartos.

    Hahahahahahahaha… Tá bom… E como tem tiobabãosis!…

  2. Eu tô achando o desenvolvimento dela incrível, de verdade. Geralmente crianças que andam rápido demoram a falar e vice-versa, mas ela tá vindo com tudo!
    E pra não perder o costume, pensei em ótimas piadinhas com o Homo Erectus, mas…deixa pra lá.

    Eu sabia que você pensaria em piadinhas, mas confiei que você iria se controlar.

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