Muita coisa ao mesmo tempo

Quando eu olho para ela e vejo o quanto ela muda de uma semana para outra, eu penso em escrever um monte de coisas a seu respeito.  Depois que saio de perto dela, a inspiração me falta e eu já não lembro de mais nada do que pensei antes.  Isso não é uma besteirinha nem um clichê barato: é fato mesmo.  Por isso, hoje, tentei amealhar algumas vagas lembranças para colocar aqui, aleatoriamente.

Felícia tem se saído bem em duas pernas apenas.  Este final de semana ela tomou dois tombos (não simples quedas, mas verdadeiros tombos) e se saiu bem em ambos.  No primeiro, agarrou o João Bobo, perdeu o equilíbrio e caiu por cima dele.  A primeira queda foi amortecida pelo próprio João Bobo, que acabou funcionando como um colchão.  Depois ela caiu para o lado, e rolou brilhantemente sobre o braço, evitando bater com a cabeça no chão.  Pai e mãe gelados após a cena, que aconteceu ali a um metro do nosso alcance.  Nada aconteceu.  Ela nem se assutou – ao menos não tanto quanto nós.  O segundo tombo foi um tropeço no meu pé.  Caiu de frente, chegou a encostar o rosto no chão, mas os braços instintivamente serviram, mais uma vez, de anteparo à queda.  Sem sequer acusar o golpe, ergueu-se novamente e continuou a caminhada rumo a qualquer lugar onde as suas pernas a levassem.  O pai, quase morto do coração, observou a cena apenas.

A capacidade dela de aprender novas palavras também tem me surpreendido um bocado.  Esta semana ela aprendeu a falar “helicóptero“.  Bem…  “licópt” seria o mais realista, mas dá para saber o que é porque ela só fala isso quando ouve o barulho do helicóptero passando perto.  Não vai demorar muito para eu vê-la xingar um árbitro na frente da televisão ou o Galvão Bueno quando ele falar uma besteira ao narrar corrida de Fórmula 1, nesse ritmo.  E o vocabulário não para por aí: ela já sabe o nome de algumas frutas, bichos, conta até quatro e até faz mais algumas coisas que agora não lembro mais – o maldito esquecimento a que me referi antes ataca novamente.

Dei a ela um livrinho de Páscoa.  Ela ainda não come chocolate.  O livro foi um bom presente.  É um livro interativo: uma página apresenta um objeto e instiga a criança a virar uma meia-página para descobrir o que há atrás do tal objeto.  Nem sempre o objeto tem muito a ver com o que está atrás dele.  “O que há atrás da caixa?”  Vira-se a página e vê-se uma: “cucuja“, como a Felícia diz (lembrei dessa agora!).  “O que há trás do queijo?” Vira-se a página e vê-se um ratinho.  “O que há atrás da banheira?” Um patinho de borracha.  “O que há atrás do barco?” Um polvo.  Até que…  “O que há atrás da escavadeira?”  Vira-se a página e vê-se…. “um operário da construção“.  Jamais comprem livros lacrados!

Morder é a nova mania nociva da Felícia.  Ela é uma ótima criança, muito tranquila, mas também tem lá seus defeitos.  Morder é o problema da vez.  Assim que encontrei a Fiona na sexta-feira, ela avisou: “ela agora está com a mania de morder!”  Bem, ela nunca me mordeu.  Aliás, nem tentou.  Não sei o que acontece: ela morde até a Fiona, mas a mim ela nem tenta.  Devo ter muita cara de mau mesmo…  Ou então deve rolar um daqueles fenômenos muito doidos que o charlatanismo psicológico adora explicar.

E bichos são, de uma vez por todas, o grande fascínio da vida dela no momento – depois do caminhão e do helicóptero.  Este fim de semana ela teve contato com uma cobra.  Uma não, duas.  Uma corn-snake e uma jiboia.  Passou a mão, fez carinho e até apertou as cobras (vivas e se mexendo!), enquanto a Fiona as segurava.  Foi um barato ver essa descoberta – especialmente porque ela não tem nenhum preconceito ainda com serpentes e o medo é um sentimento ainda muito primitivo nela, quase inexistente.  Foi tão incrível que eu acabei me motivando a perder o medo (ou seria mais preciso dizer cagaço?) e segurar a jiboia também.  Pai tem dessas coisas: tem que ensinar pelo exemplo, por mais doloroso que o exemplo seja.

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11 Comments

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  1. E se saiu muito bem.

    Muito bem mesmo.

  2. O pensamento sobre ensinar pelo exemplo é a mais pura expressão da verdade.

    Parabéns por ser o autor do comentário 8.000!

  3. Você também se saiu muito bem pegando na cobra. Viva e se mexendo.

    Ainda bem que ela não cuspiu.

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