Carta aos passageiros do Voo TAM 3537

Belo Horizonte, 14 de abril de 2013

Caros passageiros,

É com muito alívio e pouca vergonha que me dirijo a vocês todos, indistinta e impessoalmente, por meio desta carta.  Escrevo para dizer que sinto muito por tornar as horas de voo desde São Luís até o Rio de Janeiro ainda mais longas do que elas habitualmente já são.  Peço desculpas especialmente àqueles que voaram as duas pernas do voo comigo (de São Luís a Fortaleza e de Fortaleza ao Rio de Janeiro), porque aguentaram mais tempo a situação calamitosa que eu provoquei dentro do avião.

Sempre fui adepto da recomendação de não segurar peidos, pois eles podem subir à cabeça e virar ideias de merda.  No entanto, eu garanto a todos que naquele voo eu tentei, a todo custo, mantê-los dentro de mim.  Mas nem todo esforço do mundo foi suficiente para obter êxito na tentativa.  Algumas…  Várias vezes, as cólicas que me acometiam forçaram-me a tornar o avião algo muito parecido com uma câmara de gás nazista.

Peço especial desculpas àqueles que pretenderam usar o banheiro dianteiro da aeronave depois de mim.  Fiz de tudo para deixar o banheiro nas melhores condições de uso.  Lamento apenas que o sistema de renovação de ar no interior do banheiro não tenha sido bom o suficiente para extirpar o cheiro que eu ali deixei impregnado, mesmo após dez minutos de espera – sim, eu esperei um bom tempo dentro do banheiro após concluir meus afazeres só para ver se o cheiro se dissipava.

Espero que me entendam e me desculpem.  Coisas assim podem acontecer com qualquer um.  E, acreditem, foi tão desagradável para mim quanto para vocês.  Talvez até mais.

Espero não revê-los nunca mais,

Leandro.

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3 Comments

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  1. Se pelo menos fosse possível acender fósforos dentro do banheiro do avião, muito disso poderia ter sido amenizado. Ou então que liberassem as máscaras de oxigênio da cabine.

    Ou simplesmente me deixassem sair do avião e ir até o saguão durante a escala. Mas, quando eu tentei fazer isso, fui duramente informado que “a Infraero não permite, senhor”.

  2. Eu não acredito que você sentiu a necessidade de compartilhar publicamente este momento.

    Já compartilhei os puns, por que não compartilhar a história (e a vergonha)?

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