O Cachambi responde – sem medo de ser feliz

Eu não esperava que os destinos desta coluna semanal fossem ficar tão melosos assim. Esperava dúvidas existenciais mais cabalísticas, mais non-sense; esperava até mesmo que questões pessoais fossem trazidas para discussão com a intenção de colher opiniões mais isentas, de pessoas não envolvidas no dia-a-dia das tramas nas quais nossas vidas se enrolam. Algo como “acho que fulano está me dando mole, os indícios são este, este e este – o que você acha?“; ou romances adolescentes “meu namorado insiste muito, mas acho que ainda não estou preparada – o que devo fazer?“.Vá lá que isso é muito “Capricho” para o gosto deste blog, mas coisas do tipo “separo ou não separo da minha mulher?“, que são a releitura adulta das dúvidas existenciais adolescentes (elevada a menos um) não seriam incomuns, na minha imaginação. Foi por isso que eu resolvi instituir a garantia de anonimato dos indagadores. Essas dúvidas muito psicológicas – “papo cabeça demais”, como diriam os mais jovens – definitivamente não têm a menor graça. Mas, se é o que temos para esta semana, vamos responder.

Porque temos medo? Não so das coisas ruins – o esperado e aceito – mas de coisas boas, como o amor e a felicidade?

Encontrei na internet umas definições para medo que, misturadas, resultam mais ou menos nisso aqui: é uma perturbação ou uma inquietação que se sente ante um perigo real ou imaginário. É, pois, um sentimento de defesa, intimamente ligado ao instinto humano de sobrevivência. O ser humano busca, tanto quanto sobreviver, ser feliz. Se ele bebe água quando está com sede, é porque busca alguma espécie de conforto – tanto sobrevivência quanto felicidade, saciedade, refrescância, bem estar. Por isso, não acredito que o ser humano tenha medo de coisas boas, como amor e felicidade. Ele tem medo, sim, de perder isso depois, de arriscar sair de uma zona de conforto, de um modo de vida ao qual ele está acostumado, para buscar a felicidade, sabendo que existe um risco de perdê-la depois (ainda que esse risco seja imaginário). A felicidade eterna é um conforto religioso. A felicidade para sempre é um elemento de fábula. Ou, sinceramnete, alguém acha que o Príncipe e a Branca de Neve (ou o Shrek e a Fiona) nunca brigaram, morreram ao mesmo tempo? Se o seu time dá uma goleada retumbante em um grande rival no meio do campeonato você não vai zoar o seu amigo só porque o campeonato ainda não acabou e existe o risco de o time dele vencer o campeonato? Claro que não! Aproveite o momento, zoe hoje e seja feliz! É melhor viver a felicidade, ainda que momentaneamente, do que ser infeliz para sempre. Como diria o bravo locutor esportivo: siga adiante, sem medo de ser feliz!

* Você tem uma dúvida, quer fazer uma pergunta? Mande-a clicando aqui, que O Cachambi responde. A pergunta a ser respondida semana que vem pode ser a sua.

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7 Comments

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  1. Ele tem medo, sim, de perder isso depois, (…)
    A felicidade eterna é um conforto religioso. A felicidade para sempre é um elemento de fábula.

    Tá… Isso eu escrevi.

  2. oioioi! belo post motivacional amigo! verdade, a felicidade eterna é um mito. Agora eu sei.

    Eu nem imaginava que você ainda lia o blog! Volte sempre, viu?

  3. É isso aí, o medo vem da perspectiva de aquilo de que gostamos tanto acabar. Infelizmente, vai acabar mesmo, de uma maneira ou de outra (a minha avó já dizia que “não há mal que dure para sempre, nem bem que um dia não acabe”). Muita coisa boa que aconteceu comigo já acabou, outras ainda não. Estou aproveitando, sem medo – embora curta uma bela dor de cotovelo quando elas acabam…

    A boa e velha sabedoria das avós…

  4. Eu ainda acho que a coluna deu ruim.

    Mande perguntas melhores, então.

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