Ruidosos mineiros

Não sei como é no centro da cidade.  Na periferia, pelo menos, isso é rotineiro.  Tão rotineiro que desconfio ser regra, não exceção que a justifica.

Mineiros, ou melhor, belorizontinos, eles parecem ter uma relação muito ruim com o ruído urbano.  Não diria uma relação ruim, entendam, é mais uma incompreensão dos males que o ruído urbano causa ao meio ambiente, às pessoas ao redor.  Vejam, para entender do que eu estou falando, estes dois exemplos.

Lá em Belo Horizonte tenho a impressão de que é modinha, ou sinônimo de sucesso, ou ainda de hipermasculindade, ter motocicletas que produzem elevado nível de ruído.  Pouco importa se é uma motocicleta daquelas bonitonas, possantes, que mais parecem motos de corrida do que de passeio urbano numa cidade com tantos acidentes geográficos (e aqui incluo tanto as ladeiras quanto os buracos, ambos onipresentes) ou se é uma motocicleta cacareco, velha, fajuta…  A onda é fazer muito barulho com o escapamento.  Quanto mais, melhor!  Negócio meio esquisito, inexplicável.

Outro exemplo é o som dos carros.  Não são todos.  Aliás, são a minoria.  Em geral, os mais velhos, rebaixados, escuros e com motoristas com pinta de “playboy-malandro“.  Mas que fazem um barulho que vale pela maioria.  Em geral, por mais surpreendente que seja – e eu fiquei muito surpreso mesmo quando vi isso -, tocam funk carioca.  O tal do “lek-lek“, que eu só ouvi e descobri do que se tratava em Belo Horizonte, é o mais tocado, ainda hoje.  Essas modas costumam ser efêmeras, mas a falta de novidades e de alternativas para a vida em Belo Horizonte faz com que esses lixos descartáveis (a ironia da expressão é proposital) não sejam tão passageiros assim.  Toda vez que eu ouço um funk carioca em Belo Horizonte, começo a rir enlouquecidamente só de imaginar um mineiro (com pinta de “playboy-malandro“) cantando a “música” com sotaque.

Num mundo onde fazer menos barulho é a tendência, para melhorar a qualidade de vida nas cidades, fico mesmo com a impressão de que Belo Horizonte continua na rabeira das inovações.

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4 Comments

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  1. É, desse jeito Bê Agá vai ter de se conformar com a ausência da minha presença por um bom tempo. Esse fenômeno do funk defasado eu já tive a oportunidade de acompanhar no Espírito Santo, justamente com mineiros que agiam exatamente como você descreveu no post.

    Não é à toa que o ES é a praia de MG.

  2. Espero que HIRONIA com H seja algum tipo de ironia. 😀

    Pior do que o erro de ortografia, imperdoável, é o fato de eu repetir a referência à ironia na linha seguinte (sem errar na ortografia). Acho que estou precisando de um editor…

  3. Gente, eu moro em Belo Horizonte e não sabia!

    Convenhamos que você mora mais ou menos no caminho para Belo Horizonte.

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