Grandes vilões – Dick Vigarista

Ele figura em onze entre dez listas de vilões – e não apenas de desenhos animados. Sua fama intergalática e intergeracional o alçou ao status de celebridade, ao lado de figurões de grande estirpe, como Leonardo Pareja, Don Corleone e Osama Bin Laden. Chegou ao cúmulo de servir de alcunha para Michael Schumacher, após seu “acidente” com Damon Hill no GP da Austrália de 1994, acidente que lhe rendeu o título mundial naquele ano.  Um verdadeiro absurdo, já que Schumacher, naquele ano, equiparou-se a Prost e a Senna (que também fizeram o mesmo um ao outro em 1989 e 1990, respectivamente), não ao perverso, inatingível e frustrado personagem de desenho animado homenageado deste post.

Porque, por mais que Dick Vigarista tentasse coisas desse tipo – aliás, coisas muito piores que meras batidas – ele jamais conseguiu ser campeão de coisa alguma.  Como todo vilão que se preze, ele vive da frustração de jamais conseguir atingir seus objetivos, por mais sórdidos, audazes, ilícitos e espúrios que sejam os expedientes dos quais ele lança mão para consegui-los.  Se a frase “Malandro demais se atrapalha” tem uma personificação, é em Dick Vigarista que ela se personifica.

Ele, porém, tem dois elementos que o diferenciam completamente de todos os demais vilões já vistos na televisão.  Possivelmente é por isso, justamente, que ele se torna tão célebre dentre tantos antagonistas que não fazem outra coisa senão repetir fórmulas já batidas em inúmeros enredos que servem de suporte para histórias animadas ou não.

O primeiro elemento é a presença de Muttley – aquele cachorro com uma risada engraçadíssima.  Muttley, embora curta as hilariantes falhas dos planos diabólicos de seu parceiro e mentor intelectual Dick Vigarista, ri delas quando dão errado.  Embora seja uma espécie de Robin de Dick Vigarista, ele acaba servindo como trampolim para o sucesso do seu parceiro junto ao público (basta perceber que o verbete Muttley na wikipedia tem muito mais conteúdo do que o verbete do próprio Dick Vigarista).

O segundo elemento é o fato de que ele não tem um inimigo específico.  Geralmente, os vilões alimentam suas vidas com o desejo de insucesso de uma única pessoa.  É assim com Lex Luthor (que tenta a todo custo matar o Super Homem), o Coringa (que faz o mesmo com Batman), e Maradona (que faz o mesmo com Pelé).  Ao contrário, Dick Vigarista inaugurou uma nova série de vilões, que lutam quixotescamente contra todo mundo que apareça na sua frente, desde que apareça na sua frente – o que inclui, às vezes, o próprio Muttley.  A ele se seguiram grandes e poucos figurões revoltadinhos – que tiveram seu expoente em Hugo Chávez.

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4 Comments

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  1. Falou e disse. Seria melhor se ele se preocupasse mais em pegar a Penélope Charmosa, coisa que o Tião Gavião pelo menos tentou fazer.

    Boa!!! Nem pensei nisso, mas taí: você tem toda razão.

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