Mais sobre Sabará

Um dia em Sabará é mais que suficiente para ver tudo o que a cidade tem a oferecer.  Com um pouco de disposição e um carro, dá até para esticar e ver também Caeté (o que eu não fiz, mas que tenho plena certeza que seria possível).  E o turismo, lá, não é muito diferente daquilo que existe nas demais cidades históricas de Minas Gerais: igrejas da época áurea (literalmente) da cidade, o teatro, o casario de época, lojas de artesanato e gastronomia mineira.  É, talvez, até um pouco mais acanhado.

Boa parte do que há para se ver ou fazer está concentrado num raio de não mais que duzentos metros a partir da Praça Santa Rita – uma pracinha com ares de antigamente, no centro histórico de Sabará.  E com poucas ladeiras, considerando o padrão mineiro de concentração e inclinação de aclives urbanos, o que permite alcançar tudo a pé com poucos minutos de passeio em ritmo descansado.  Nessa praça está localizado o grande restaurante Sabarabuçu, o mais tradicional da cidade, pelo que entendi.  Almocei ali mesmo.  A comida não é um primor, mas ele é bastante confortável e o preço é um baita atrativo.  Além disso, não creio que haja alternativa muito melhor na cidade.

Centro Histórico de Sabará
Centro Histórico de Sabará

A começar pela Rua Dom Pedro II, que antigamente se chamava Rua Direita.  O nome antigo, mais que o atual, dá a perfeita noção da importância da rua para a cidade.  Não à toa, ali estão os casarios mais bonitos e mais antigos da cidade – todos bem preservados, em especial o prédio da Prefeitura Municipal de Sabará, o maior de todos, descendo a rua à esquerda, a partir da Praça Santa Rita.  Se, ao invés de descer a rua, preferir-se subi-la, o Teatro Municipal estará à direita.  Visitá-lo é voltar no tempo e imaginar uma época em que ele era o principal centro de entretenimento e reunião social daquela cidadezinha.  Dá para imaginar, facilmente, as pessoas se olhando entre as frisas, com pince-nez na mão.  E o mais interessante é que ele ainda está em pleno uso.  Quando eu o visitei, por exemplo, havia crianças ensaiando uma apresentação de dança para uma apresentação que aconteceria na semana seguinte.

Centro Histórico de Sabará
Praça com a Igreja de Pedra ao fundo

Mais acima, no final da Rua Dom Pedro II, outra praça.  Não sei o nome desta.  Ela é comprida, em aclive, cercada por prédios públicos (o fórum, a sede da companhia de abastecimento de água e uma escola pública de um lado; outra escola pública e um chafariz antigo do outro – o Chafariz do Rosário).  Lá em cima, no alto da praça, solenemente zelada por duas colunas de palmeiras, como que a tomar conta da praça, a Igreja de Pedra.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário
Igreja de Nossa Senhora do Rosário

A Igreja de Pedra, na verdade, é uma obra de ampliação frustrada, por jamais ter sido concluída, da Igreja de Nossa Senhora do Rosário.  O prédio da igreja ainda existe, no meio das paredes de pedra.  A entrada é pela lateral (olhando da praça, pela rua que sobe à direita da igreja), por dentro da sacristia, onde uma mulher para lá de simpática acolhe o visitante e passeia com ele na igreja, explicando tudo com a calma de quem bate um papo descompromissado depois do almoço com um amigo de longa data.  E o mais incrível, na minha opinião, não é a estrutura de pedra nem a simplicidade da parte funcional da igreja: é a naturalidade com que se mostra uma série de obras de Aleijadinho expostas da sacristia, ao alcance das mãos (não pode tocar, mas tocar não seria difícil).  Incrível como elas ainda não foram alvo de furto, num lugar de tão fácil acesso.  Em outros lugares, elas já estariam enjauladas em museus cercadas com forte esquema de segurança.

Na rua situada do outro lado da igreja, a cooperativa de artesanato da cidade exibe e põe à venda o produto da arte de sua gente.  E é uma exposição para lá de interessante, feita em uma casa como outra qualquer, com sala, quarto, banheiro, cozinha…  Na cozinha, expõe-se o artesantato de cozinha (panos de prato, enfeites de mesa de jantar, tapetes, etc.); no banheiro, toalhas e sabonetes, dentre outros; num dos quartos, artigos religiosos; no outro, roupas; na sala, bebidas e bibelôs.  Tudo bonito e com preços honestos – com a vantagem de aceitar pagamento com cartões de débito e crédito, além de oferecer embalagens para presentes bastante originais.

Igreja de São Francisco de Assis
Igreja de São Francisco de Assis

A alguns metros dali, na Rua de São Francisco, em frente à Praça Antônio Albuquerque, fica a Igreja de São Francisco de Assis.  Ela esteve fechada durante algum tempo para reformas no piso e eu tive o prazer e a honra de ser o primeiro visitante a entrar nela após a reabertura ao público.  Não está um primor de conservação, mas está em muito boa forma.  Quem abriu a igreja especialmente para a minha visita foi um paroquiano zelador da igreja, cujo nome, infelizmente, esqueci.  Extremamente simpático e atencioso, de fé firme e algum conhecimento do valor das obras situadas no interior da igreja, como a pia de água benta em forma de concha feita por Aleijadinho e um quadro feito por Mestre Athayde.  Chegou até a dirigir algumas das fotos que tirei ali na igreja, como a do belíssimo lustre pendurado no centro do teto da nave.

Capela de Nossa Senhora do Ó
Capela de Nossa Senhora do Ó

Do outro lado da cidade, tendo como referência, novamente a Praça Santa Rita e a Rua Dom Pedro II, encontram-se as demais atrações turísticas do centro histórico.  Duas delas podem ser atingidas a pé (o Museu do Ouro e a Igreja do Carmo), outras duas já pedem um transporte para auxiliar a locomoção (a Matriz de Nossa Senhora da Conceição e a Capela de Nossa Senhora do Ó).

O museu não é lá grandes coisas não.  Mostra algumas peças da atividade extatrativista que colocou essa região no mapa do Brasil e do mundo durante o século XVII, como balanças e peças de fundição, uma maquete interessantíssima de uma mina de ouro subterrânea e alguns linguotes de ouro do século XVII – igualmente interessante.  Mas o que mais me chamou a atenção ali no museu foi a casa em que ele está instalado, bem típica da época: a casa grande em cima, clara, ventilada, bem disposta; e as senzalas embaixo, úmidas, escuras, insalubres, opressivas.  Vale uma rápida visita, sem grandes expectativas.  A Igreja do Carmo – ligada à rua do museu por uma escadaria meio escondida – é muito bonita, mais por fora, pela sua fachada, do que pelo seu interior.  O bacana ali é ver os documentos antiquíssimos da irmandade, expostos na sacristia, mais até do que as obras de arte.  A pia da sacristia, em pedra sabão, também é estonteantemente bela.

A Matriz de Nossa Senhora da Conceição fica na Praça Getúlio Vargas.  Uma praça com prédios modernosos, que destoam da fachada simples e histórica da igreja.  Fachada simples que também contrasta com o interior riquíssimo, talhado em ouro, uma beleza que poucas vezes vi em igrejas no Brasil e no mundo.  É pena haver obras em curso ali dentro – obras que não me pareceram primar pelo cuidado no isolamento.

O mesmo se diga – com relação à beleza e à distância, não em relação às obras, ali inexistentes – da capela de Nossa Senhora do Ó.  Ela é a imagem símbolo de Sabará.  Está em todos os postais, em todos os guias, em todos os ímãs de geladeira vendidos nas lojas de artesanato.  Não dá para sair da cidade sem visitá-la…  É uma caixinha de jóia, lá longe, do outro lado do rio.  Fica numa praça ampla, tão grande que ela parece ser ainda menor do que já é, situada que está no meio daquele amplo descampado, cercada por casas baixas.  Ela está voltada para o oeste, fazendo com que o sol se ponha à sua frente, deixando as fotos do fim da tarde ainda mais bonitas.  Por dentro, também, muitos retalhos dourados em estilo barroco.  Chegam a ser irritantemente opressivos, tão próximos (em função do tamanho reduzido do prédio) e tão ricos.

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2 Comments

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  1. É tanta informação que até dá vontade de conhecer. Mas vai passar já.

    Se um dia você estiver de bobeira em BH e não tiver nada mais interessante para fazer (o que é normal por aquelas bandas), vai lá.

  2. É um dos mais importantes monumentos reliogiosos da segunda metade do século XVIII e é a única igreja colonial que apresenta sua frontaria totalmente revestida de pedra.

    Desconfio que seja porque foi a única que não terminou de ser construída.

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