A batata da onda

Antes mesmo do primeiro dia da Felícia, marcamos uma entrevista com a nutricionista da creche.  O objetivo era saber os hábitos alimentares da Felícia e se nós tínhamos alguma restrição à dieta que lhe seria imposta dali por diante no ambiente escolar.  Felícia come de tudo, e nós não temos nenhuma restrição – quer dizer, eu até tenho restrição à mistura de beterraba com laranja no suco, mas isso sequer foi mencionado.  O objetivo é que ela se alimente.  E só.  O que ela vai comer ou deixar de comer, dentro de uma normalidade razoável a um cardápio preparado para um batalhão de crianças por uma nutricionista, pouco importa.

Por isso não recebemos com surpresa o comentário da professora, na saída da creche:

 -Ela come bem, né?

Sim, come bem.  Quando está com fome, então, come melhor ainda.  Come muito e de tudo.

No dia seguinte, foi aniversário de um coleguinha da sala.  A creche incentiva a realização de festas na creche.  Os pais do aniversariante mandam bolo e outros quitutes para que os colegas de sala se refastelem, no fim do dia, na comemoração coletiva.  Nesse dia, o comentário da professora, na saída, foi especial.

– Ela comeu bem?

– Comeu muito bem.  Na festinha, então…  Comeu Kidoguinho, Kiamburguinho…  A mãe do menino mandou essas coisas porque ele só come isso.

Fiona já estava branca de pavor.  Eu não estava perto mas, se estivesse, não teria conseguido disfarçar o choque!  Ela, de uma única vez, havia sido exposta a todas as porcarias que durante quase um ano e meio nós havíamos conseguido poupar com sucesso.  O pior é que a professora dizia isso tudo com um enorme sorriso de satisfação no rosto.  Sorriso que se abriu ainda mais quando ela sacramentou os informes alimentares.

– Mas o que ela gostou mesmo foi de Ruffles!  Como ela comeu!…

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5 Comments

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  1. Ah, mas em casa volta à normalidade…

    O problema é a porteira aberta.

  2. kkkkkkkkkkkkk Fortes emoções de agora em diante

    Tão fortes que renderam seis posts num único dia.

  3. Haja sal!

    Sal e gordura…

  4. Bem vindo ao universo da promiscuidade alimentar infantil.

    Eu diria “universo da legítima solidariedade interessada no lanche alheio”.

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