Penteados

Papai nunca teve um cabelo muito afeito ao pente.  Mais parecia aquela cabeleira desgrenhada do Capitão Caverna, principalmente quando ficava mais de três meses sem visitar o barbeiro – antigo amigo da família, cuja fazenda da mãe, em Muriaé (ou arredores, não sei direito), papai passou algumas temporadas, aprendeu a andar de cavalo, a chupar cana e a não enfiar o pé no formigueiro.  Para desespero da mamãe, cujo cabelo é tão liso que ela sequer sabe como se desembaraça uma cabeleira revolta, Felícia puxou o papai.  Não totalmente, para sua sorte, mas o suficiente para que suas mechas não respeitassem os padrões gravitacionais puramente, e se enrolassem quando deixadas ao natural.

Por isso, pentear essas mechas nunca foi o esporte predileto da casa.  Do papai não era porque o papai não faz a menor ideia do que seja um pente há muito tempo, desde que ele resolveu usar a máquina para raspar o cabelo a cada trinta dias, aproximadamente.  Da mamãe também não por causa da já falada sua imperícia no métier.  Naturalmente desgrenhados – nem por isso feios, porque não há mal que sempre dure – era assim que Felícia mostrava seu cabelo ao mundo, todos os dias.  Era!

Penteado para a festa junina
Penteado para a festa junina

Porque desde que foi para a creche, a professora tem se esforçado em colocar ordem na casa.  Todos os dias, ela vai para a creche com o cabelo (que ainda não conhece a tesoura) do jeito que acordou.  Fiona bem que tenta, por vezes, com a ajuda de um creme desembaraçante, colocar ordem na casa.  Isso nem sempre (quase nunca) atinge 100% dos resultados esperados.  E volta da creche com cabelos sempre bem arrumados, com cachos em ordem e cabelos presos de maneiras mil – uma sempre diferente da outra.  Um infindável repertório; pelo menos até agora não houve repetição.  Todo dia uma agradável surpresa para o papai de cabelo ruim e a mamãe de cabelo bom.

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6 Comments

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  1. “Bom” x “Ruim” só depende do ponto de vista.
    Eu acho o cabelo dela lindo, mesmo quando acorda.

    Mãe, você me acha bonito também. Opinião de mãe/vó não conta.

  2. Como diz uma amiga minha, não existe cabelo ruim porque tudo que Deus cria é bom, hahaha. E no caso da Felícia, ah eu com um cabelo rebelde desse na minha cabeça.
    A professora deve ser das minhas; eu sempre gostei de pentear cabelo de crianças, a ponto da minha vizinha mandar a neta pra minha casa só para desembaraçar a jubinha.E caramba, como o cabelo e ela cresceram, Deus. Dá até nostalgia, rs.

    Antes com cabelo ruim do que careca, né? Pensando por esse ponto de vista…

    • É, Carmen, Deus criou os adereços e penduricalhos também – e, no meu caso, a maior de todas as invenções: o boné!

      O boné, no meu caso, é para proteger a pré-calvície do sol.

  3. Ah, é, a Felícia nunca foi apresentada à dona Tesoura? Tá na hora de ela conhecer o Silva, do salão onde JG corta a jubinha…

    Salão? Cabelereiro?

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