Ele queria sair para ver o MAR

Eu queria sair para ver o MAR, o Museu de Arte do Rio, e as coisas que eu via na televisão.  E fui.

O MAR é o mais novo museu do Rio de Janeiro.  Sua implantação faz parte do projeto de recuperação da zona portuária – que continua uma zona, pois as obras na região ainda estão longe de terminar.  Pegaram um prédio velho de uma delegacia de polícia que não atendia ao padrão FIFA, próximo a uma rodoviária que também não atendia ao padrão FIFA, e um outro prédio abandonado ao lado que não tinha uso, juntaram com um toldão tremulante e tascaram o museu lá dentro.  Quer dizer, o museu está só dentro do prédio que não tinha uso (chamado Palacete D. João VI) – afinal de contas, tudo que é obra pública no Brasil é inaugurada antes de ser concluída e as obras da ex-delegacia ainda não terminaram.

A visita começa no térreo ainda, com a aquisição do ingresso e o depósito da bolsa no guarda-volumes.  Nenhuma bolsa, sacola ou mochila pode entrar no museu, nem bolsas de mulher.  Tudo o que não for guardado nos bolsos da calça ou da camisa, tem que ficar no guarda-volumes.  Não se paga para guardar o volume.  E o ingresso tem tarifa módica (R$ 8,00 a inteira).  Vale a pena!

De início, pega-se o elevador para o sexto andar da ex-delegacia.  De lá, a vista promete que um dia vai ser muito bonita – por enquanto, só dá para ver as obras.  Depois, a visita segue por um corredor que leva ao prédio D. João VI e lá todo o resto se desenrola.

Cada andar tem uma exposição temporária.  Duas chamaram muito a minha atenção: a primeira, sobre o Rio de Janeiro Antigo.  Para quem gosta do tema, é um prato cheio.  Não só porque ali estão os originais daquelas fotos do Rio Antigo que só se vê em e-mails (há alguns Marc Ferrez, por exemplo), como também filmes de carnavais do início do século XX, protestos, celebrações públicas, eventos, desfiles…  Há pinturas do Rio em priscas eras, objetos de época e – o que mais chamou a minha atenção, a ponto de me deixar embasbacado no meio do corredor admirando aquilo – uma projeção que refaz um passeio a pé ao longo de toda a Av. Central (atual Av. Rio Branco), da Praça Mauá ao Obelisco, em mil novecentos e muito antigamente.

A outra, sobre a miséria e falta de perspectiva de quem nasce pobre em uma favela no Rio de Janeiro.  Da construção de uma maquete de uma favela enorme às fotografias da realidade miserável, passando por um depoimento incrivelmente chocante de um menor traficante apreendido pela polícia.  Tudo com arte.

É uma visita para lá de agradável.  Um passeio bacana que vale muito a pena ser feito.  E que, para a minha surpresa – igualmente agradável – era compartilhado por dezenas de alunos de escolas públicas e particulares, liderados por professores que pareciam entender do riscado, a ponto de atrair a atenção dos pimpolhos durante a visita.

No fim, as duas únicas falhas do MAR: a loja é fraca e cara – muito cara! -, além de ter um espaço por demais acanhado.  Não chega a ser claustrofóbica, mas lembra muito aquelas lojinhas apertadas da SAARA.  O café é fraco, tem preços honestos, mas não tem wi-fi.  E não ter wi-fi num café hoje em dia é como não ter café no estoque.

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3 Comments

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  1. Taí uma excelente sugestão!

    Vale a pena mesmo.

  2. Eu só lembrei do pontinho: “minha jangada vai sair pro mar…”

    Piada fraca…

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