Inhotim – a vedete do turismo nacional

Ele é a mais nova vedete do turismo nacional. Em todo canto, não se fala em outra coisa: Inhotim. Um passeio quase que obrigatório para os mais “in’s” do turismo nacional. Quem não conhece o Inhotim, está “out“. Na ditadura da opinião dos experts no assunto (blogueiros, em sua maioria), é assim que funciona. Ao ver tanta propaganda, eu até desconfiava. A ponto de sequer me interessar por visitá-lo. Acabei, depois de muito relutar, cedendo à tentação. Visitei o Inhotim e gostei. Não tanto a ponto de elegê-lo como o melhor destino turístico do Brasil. Sequer creio que valha a pena uma viagem até Belo Horizonte só para conhecê-lo. Mas, uma vez estando em BH (morando ou de passagem por qualquer motivo), Inhotim é um passeio muito legal. Não é obrigatório, não é imperdível, mas é bastante legal.

Um dos lagos do Inhotim
Um dos lagos do Inhotim

Afinal de contas, o que é esse tão badalado Inhotim? Essa era a pergunta que eu sempre me fazia ao ouvir falar dele. Porque tamanha propaganda gerava expectativa de igual proporção. Entender do que se trata poderia atrair meu interesse ou preparar-me para a decepção. Dois lados da mesma moeda.

Só lá descobri que o Inhotim é um parque privado.  Sem fins lucrativos, mas privado – ideal para empresas mineradoras altamente poluentes despejarem dinheiro a título de compensação por danos ambientais.  Por isso mesmo, ele tem uma estrutura de primeiro mundo, coisa de paulista, que sabe ganhar dinheiro prestando bons serviços com muita qualidade. O tamanho do estacionamento (exageradamente imenso) é prova do preparo do Inhotim para receber o público. Os funcionários, grande maioria de moradores da região, são muito bem treinados, corteses e sabem o que falam – não são simples papagaios repetidores de informações pré-decoradas.

Por falar em região, julgo muito importante informar aos interessados que o Inhotim fica num fim de mundo chamado Brumadinho – um daqueles minúsculos mil e poucos municípios de Minas Gerais que você jamais ouviu falar, porque não há nada para se falar dele mesmo.  Quer dizer, não havia: agora há o Inhotim.  O parque fica a pouco mais de uma hora do centro de Belo Horizonte, podendo ser alcançado tanto pela Rodovia Fernão Dias (continuação da Av. Amazonas), que liga BH a São Paulo, quanto pela BR-040, que segue em direção ao Rio de Janeiro.  Eu fui e voltei pela Fernão Dias e posso afirmar: após sair da Fernão Dias (que já tem um tráfego bem complicado, repleto de caminhões), o restante do caminho não possui sinalização, passa por dentro de várias áreas urbanas e é repleto de quebra-molas.  Ter um GPS confiável e atualizado é fundamental.  No meu caso, o Waze funcionou muito bem.

Na essência, o Inhotim é uma mistura de Jardim Botânico com Museu de Arte Moderna. Sim: imagine um jardim botânico como qualquer outro – uma área verde extensa, com plantas e árvores plantadas com disposição harmoniosa e planejada, agradável aos sentidos e com um quê de intenção de desenvolvimento da pesquisa na área da biologia. Some a isso, agora, alguns prédios construídos especificamente para abrigar obras de arte moderna, além de obras de arte moderna dispostas em diversos lugares do parque, mesmo sem o abrigo de um prédio. Salpique lagos, uns bichos nativos, caminhos bem identificados, banheiros e restaurantes. É o Inhotim.

Aprendendo a gostar de arte
Aprendendo a gostar de arte

Uma das coisas que mais me chamou a atenção no Inhotim foi a limpeza. Gramados enormes sem uma folha sequer caída de uma árvore. Obras de arte, mesmo aquelas expostas ao tempo, limpinhas. Algumas chegavam a brilhar. E as vias do parque, por onde se anda… Todas elas são calçadas com enormes lajotas de pedra-são-tomé, possibilitando fácil deslocamento mesmo a deficientes físicos (ou pessoas com carrinhos de bebê). E não há uma sujeirinha sequer nelas. Realmente impressionante.

Sempre que eu ouvia ou lia relatos ou dicas sobre o Inhotim, as pessoas diziam serem necessários dois dias inteiros para conhecê-lo todo. Eu recebia essas informações com certa desconfiança. Depois de estar lá, porém, reconheço que tentar vencer o Inhotim inteiro numa única tacada é jogar pela ja ela a qualidade da visita. Julgo ser factível percorrer todas as suas vias e ver todos os prédios em um único dia, chegando bem cedo e saindo de lá no fim do horário de visitas. Mas essa pressa não vai permitir que o visitante aproveite todas as experiência que o Inhotim tem a oferecer.  Até para ogros como eu, que não curtem arte moderna, há coisas no Inhotim que devem ser feitas com muita calma e tomam tempo para serem absorvidas.  Algumas obras de arte ali conseguiram me vencer, despertar a minha curiosidade e provocar sentimentos – até eu, depois de entrar em contato com elas, fiquei admirado com o resultado.  Em certa obra, a Fiona ficou rindo da minha cara (aliás, ela ainda hoje ri longamente quando lembra do fato) depois de ver a minha reação desesperada diante de uma obra de arte simplória.  E só vou falar isso – o resto é por conta de quem for lá visitar.

Passar o dia no Inhotim requer algum preparo específico?  Não.  Além do preparo físico e mental (um tênis confortável também cai bem), não.  Basta levar uma câmera fotográfica e o espírito livre para lidar com obras de arte moderna.  Nem companhia é necessário.  Talvez seja até interessante passar um dia ali sozinho, talvez não.  O Inhotim tem guarda-chuva, água, café, restaurante – comida a peso, de excepcional qualidade e preço muito justo (paguei lá o mesmo que pago diariamente no centro do Rio de Janeiro, onde há muito mais concorrência).  E, sem querer botar água na boca de ninguém: não lembro de ter visto uma mesa de sobremesas tão sensacional em lugar nenhum na minha vida.

E isso tudo me faz lembrar do Inhotim com muito carinho e uma vontade danada de voltar.  Acho que o Inhotim não vale uma viagem a Belo Horizonte.  A fama da vedete é meio exagerada.  Mas, uma vez estando em Belo Horizonte, passa a ser indispensável visitar o Inhotim.

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5 Comments

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  1. Não sou muito fã de lugares da moda, nem nunca tinha ouvido falar de Inhotim (pura ignorância), mas agora fiquei com vontade – babando pelas sobremesas que não foram dignas de foto 😦 O duro é que não fui muito feliz em BH, então…

    Os pratos quentes são igualmente bons. A vantagem que as sobremesas levam sobre eles é a doçura.

  2. Uma pena! Perdi a chance. Sou e serei “out”.

    É verdade…

  3. Dá pra ir partindo lá de São João Del Rey? Ih, mas deve ser umas 6 horas de ônibus né…

    Não aconselho.

  4. Mesmo concordando com você em alguns aspectos, para mim e outros moradores da região, é extremamente desagradável a forma como vcs, “formadores de opinião”, “entendidos”, falam de Brumadinho. Não é fim do mundo. Se assim for, BH também é. Estamos à 50 km da capital. A cidade não é minúscula, é pequena. (35.000 habitantes, a maior renda per capita da grande BH, tem parques e reservas importantíssimas, o sétimo maior arrecadador em impostos minerais do país, maior produtor de mexerica, maior “abastecedor” de água de BH, o lago da COPASA é 11 vezes maior que a Lagoa da Pampulha, historicamente tem Igrejas mais antigas que as de Ouro Preto, dono dos maiores e mais importantes condomínios fechados de BH, onde moram, trabalham, se divertem, descansam; magistrados, empresários de renome, políticos, artistas) Isso é antes de Inhotim. Brumadinho enfrenta problemas que a grande maioria dos municípios deste país enfrenta, fruto da péssima política reinante. Não “cresceu” planejada, tem um “centro” feio, quase nenhuma estrutura para os turistas, e nenhuma atração para os visitantes na sede. O acesso é ruim como vc mesmo ressaltou, fruto deste descaso político que nem a influência da VALE, INHOTIM, MMX, FERROUS, VALLOUREC MANNESMANN, empresas da cidade, deu jeito. (ainda)

    No pós Inhotim, a cidade quer correr contra o tempo e se estruturar para bem recebê-los! Por enquanto, ficamos chateados de não poder fazê-lo bem! Todos os visitantes merecem ser bem recebidos como o Inhotim assim faz. Até lá pedimos desculpas e a compreensão de vcs, nobres turistas e visitantes. O que nos deixa chateados, não são as realidades aqui mostradas. É a presunção de quem quer escrever sobre o assunto, achar que basta sua forma de “ver as coisas” e já pode bater o martelo como definitivo. Como se fosse um estrangeiro e não conhecesse os problemas de nosso país. (Não acho que é o caso)
    Assim, caro escritor, vc não deixa espaço para os seus leitores crescerem com seus comentários e quem sabe, pesquisarem mais sobre o município de Brumadinho e seus outros pontos turísticos e positivos, não só os negativos!

    Obrigado pelo espaço!

    Ps: É arte contemporânea, não moderna.

    Ricardo, desculpe a minha ignorância em relação à arte. Não é a minha praia, definitivamente.
    Obrigado por me considerar um “formador de opinião”. Todos somos, na verdade. Qualquer coisa dita a outra pessoa pode contribuir para formar a sua opinião. Eu faço questão de propagar as minhas impressões do mundo. Ninguém precisa acreditar em mim nem me levar 100% a sério. Algumas pessoas concordam, outras discordam, e é dessa riqueza de opiniões e pontos de vista que se extrai o sumo do crescimento individual de cada um. Eu penso assim, você não?
    Enfim, quanto a Brumadinho… Acho que é um fim de mundo sim. O bairro onde moro no Rio tem mais de 35.000 habitantes. BH já é um finzão de mundo, Brumadinho fica pra lá do fim do mundo. É onde Judas perdeu as meias (as botas ele perdeu antes, em BH). Na minha opinião, Brasil é o Rio de Janeiro – o resto é interior. Talvez São Paulo se safe. Talvez, não estou certo. Preciso pensar mais no assunto. E posso mudar de ideia. Adoro mudar de ideia quanto a tudo. Mas preciso ser convencido disso.
    Volte sempre! Discorde sempre!

  5. Uma amiga acabou de voltar de lá e está encantada, quase hipnotizada. Só fala em Inhotim. E me mostrou umas fotos bem convincentes.

    O lugar é muito bonito mesmo. Mas não vale uma viagem a BH.

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