El Aeropuerto Internacional Comodoro Arturo Merino Benítez

Santiago não é uma cidade europeia.  Longe disso.  Aliás, bem longe disso.  Ela está, literalmente, à beira do precipício do mundo conhecido.  Dali, há poucos lugares para onde se continuar viagem.  Ninguém, ou quase ninguém, vai a Santiago de passagem, para de lá continuar viagem a outro lugar, exceto para outras cidades chilenas… ou Sidney e Auckland.  E, convenhamos, são poucos os lugares do mundo que têm em Santiago a rota mais conveniente para Sidney e Auckland.

E, mesmo assim, sem nenhum atrativo que o ambicione a ser um grande hub ou ter um fluxo de passageiros expressivo no cenário mundial, o aeroporto de Santiago dá de dez em todos os aeroportos brasileiros que eu conheço – não são muitos, mas ao menos os principais eu conheço.  Ele não é grande, ele não é repleto de serviços, ele não é suntuoso, ele não é bonito, ele sequer aparenta ser novo.  É simples e funcional, prático e objetivo.  Não tem goteira aparente, não o vi abarrotado de gente, a sinalização é ótima, os banheiros são limpos e os assentos para espera são bonitos, confortáveis e há sempre lugares disponíveis.  E possui voos para diversos destinos internacionais que aeroportos nacionais relevantes, como o Galeão, não possuem – México, Colômbia, Equador, Canadá…  Sem falar, claro, em Sidney e Auckland que não podem ser alcançadas a partir do Galeão.

Os mais ácidos críticos dirão: mas o aeroporto é longe da cidade, e não está conectado a ela por metrô nem trem.  Sim, isso é verdade.  Longe à frente de qualquer outra alternativa, o táxi é a opção mais cômoda para se chegar ao centro de Santiago.  Uma corrida pré-paga com táxis credenciados (o meu táxi era uma van enorme, com capacidade para 14 passageiros e nós éramos 2 adultos e um bebê apenas) para o bairro da Providência (a “Copacabana santiaguina”) custa 18.000 pesos (algo em torno de 90 reais no câmbio atual) – um percurso que oscila entre 20 e 22km com pedágio incluído.  É caro, sim, mas eu preciso lembrar que tudo no Chile é meio caro.  O que faz esse preço ficar atraente é a comodidade, a segurança e a possibilidade de dividi-lo com várias pessoas.  E, por incrível que pareça, o percurso de volta, feito pela mesma empresa, custa 15.000 pesos.  A diferença talvez seja por causa da concorrência com outros táxis da cidade, coisa que não existe no aeroporto, onde eles são monopolistas.

E, como eu escrevi no início do post, Santiago não é uma cidade europeia – que ninguém se iluda.  Não é possível exigir dela confortos que se encontra apenas em grandes cidades do primeiro mundo.  Embora ela seja muito bonita e bem conservada naquele eixo turístico que vai do centro a El Golf, o restante da cidade é pobre e feio – talvez mais pobre e mais feio que muita periferia carioca ou paulistana.  Mesmo assim, aquele aeroporto sem nenhuma vocação para a grandiosidade é uma jóia, e um exemplo para os aeroportos brasileiros.

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One Comment

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  1. O que eu achei mais legal do aeroporto de Santiago foi justamente a conexão com os voos que vêm da Oceania. conversei com muita gente, brasileiros inclusive, que estavam fazendo conexão lá. E o terraço panorâmico também é bem legal.

    O aeroporto é a porta dos fundos do fim do mundo, por causa dessa conexão.

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