O Cachambi responde – de volta à hora do aperto

Nosso leitor-indagador voltou esta semana com uma cobrança que, por mais que eu quisesse ignorar, não pude.  A cobrança era justa.  E, reparem, nem foi uma pergunta.  Foi uma ordem.

Você não respondeu a pergunta da semana passada.  Eu gostaria que você, enfim, contasse uma história sua de dor de barriga na rua.  Não fuja do assunto desta vez.

Desculpe, a tentação de fugir do assunto foi grande e eu nem percebi o que fiz.  Vou contar.  Certa vez eu e a Fiona havíamos combinado de tirar um final de semana para viajar.  Ela faria prova na faculdade na sexta-feira de manhã e eu não teria aula naquele dia.  Sairíamos dali direto.  Tudo perfeito, não fosse uma mega dor de barriga que me acometeu enquanto eu a esperava terminar a prova, no estacionamento da faculdade.  Não existem banheiros em estacionamentos de faculdades.  Tampouco me era permitido entrar no prédio da faculdade, não sendo aluno.  Bem, eu precisava de um banheiro e rápido.  Encontrei um amigo da Fiona, por sorte, entrando no prédio e, tentando manter a serenidade, disse que a estava procurando.  Ele estava atrasado para a tal prova e, como que por ajuda divina, sugeriu que eu o acompanhasse.  Ele me pôs para dentro da faculdade com uma conversinha rápida com o segurança.  Agora eu precisava de um banheiro – e isso eu não revelei.  Contei um caô e me separei dele para procurar o banheiro.  Procura, procura, procura…  Nesse momento não se acha nada, nem as coisas que estão debaixo do seu nariz.  No auge do desespero, acomedito por contrações a cada dois minutos, uma mais irresistível que a anterior, resolvi perguntar para um funcionário, já sem conseguir transparecer o desespero, afinal de contas,  suor escorria frio da testa à bochecha: “onde tem um banheiro em condições de ser usado, pelo amor de Deus?“.  O desespero transparecia mesmo, porque a pessoa respondeu: “tem um ali, mas é só para funcionários.  Você é funcionário?  Ou aluno?”  Só havia uma resposta possível para essa pergunta.  Mentirosa, mas necessária. “Aluno.”  A essa altura, alguma coisa já havia escapado, mas nada comparado com o que veio a seguir – aliás, mal deu tempo de sentar.  A capacidade do ser humano de prender uma dor de barriga é inversamente proporcional à distância do seu corpo para o vaso sanitário (mesmo que haja obstáculos a separar-lhes).  A viagem não rolou conforme planjado.  Tive que votar em casa para tomar banho e trocar a cueca.

* Você tem uma dúvida, quer fazer uma pergunta? Mande-a clicando aqui, que O Cachambi responde. A pergunta a ser respondida semana que vem pode ser a sua.

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11 Comments

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  1. A historia do aviao ja nao era suficiente???

    Só lembrei dela meia hora depois de ler o seu comentário.

  2. Fraca essa história. Eu tenho pelo menos umas 10 melhores do que essa. 😀

    Não tenho um retrospecto muito honroso nessas questões.

  3. Eu tenho uma situação dramática que envolveu um ônibus da linha 322 e um hospital público. Tem outras também.

    Você saltou do ônibus e foi parar no banheiro de uma igreja tendo apenas o papel da missa para se limpar?

  4. Limpou a bunda com A Igreja de Jesus Cristo dos Últimos Dias????? Heresia sem fim!!!!

    Não, com o folheto da missa mesmo. Mas não fui eu, foi uma tia que fez isso.

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