Carta ao Cruzeiro Esporte Clube

Rio de Janeiro, 01 de setembro de 2013.

Caro Cruzeiro,

Como assim vocês acharam que poderiam vir ao Maracanã enfrentar o Flamengo e eliminá-lo com tanta facilidade?  Como se deixaram iludir com tão falha percepção da realidade?  Não é possível que um pretenso clube grande do cenário nacional, com alguns anos de estrada nos gramados do país, tenha ignorado, em sua avaliação estratégica do confronto, fatores tão simples e evidentes aos olhos dos torcedores.  Esse somatório de erros de cálculo não podia resultar em outra coisa senão numa fragorosa e inevitável derrota.  E dolorosa também.  O Flamengo não é qualquer um: ele mata, esfola e ainda o faz com requintes de crueldade – com time inferior, com desvantagem no placar, no finzinho do jogo…

Será que vocês não perceberam que entrar em campo no Maracanã contra o Flamengo era, por si só, perigoso demais para jogar na retranca, de salto alto?  Será que vocês não notaram que o modestíssimo escrete rubro-negro só tem jogado futebol nos confrontos à vera (clássicos e afins), poupando-se nos jogos nos jogos de reduzida importância?  Será que vocês ignoraram que o Flamengo é o time do improvável?  Será que vocês não sabiam que, dentre todos os clubes da galáxia, o Flamengo é o único que, se deixar chegar…?

Vocês tinham tudo nas mãos!  Torcida, campo, dois gols de diferença (o segundo, um golaço-aço-aço…)…

Bem, se vocês ainda não perceberam do que eu estou falando, vou tentar desenhar para facilitar a compreensão.  Não é possível que um time que tenha quatro ex-jogadores do Vasco em campo (e, de quebra, Egídio, o Breve) seja capaz de suplantar o Flamengo num enfrentamento decisivo!  Ignorar isso é um erro tão grave quanto ignorar a Lei da Gravidade num cálculo estrutural de engenharia.  Não é só burrice, é…  Sei lá, é coisa de asno, anta.

Quando o Dedé e o Fábio entregaram aquele gol para o Carlos Eduardo no jogo da semana passada, vocês podem não ter compreendido o que estava acontecendo, mas a torcida do Flamengo nem precisou se entreolhar para entender.  Aquilo era uma convocação celeste, um chamado divino.  Tal como soldados da reserva, ali todos foram convocados a unir-se, presencial ou mentalmente, na última quarta-feira para zelar pelos interesses da pátria flamenga: torcer, sofrer e esperar o gol salvador, redentor, trazido à Terra pelos pés do profeta Elias – quem mais?  E vocês não entenderam…  Tão óbvio, tão claro…

Não adianta ser o melhor time do país, não adianta ser líder do campeonato nacional, não adianta poder jogar metade da decisão em casa.  Contra o Flamengo, é preciso sempre mais, muito mais.  É preciso ter camisa, é preciso ter tradição, é preciso ter afinco, é preciso ter sangue frio, ser surdo, não se desesperar, manter a calma e fechar os olhos, imaginar que está enfrentando outro time.  Quantos confrontos nós já tivemos e vocês ainda não aprenderam a lição…  Azar o de vocês.

Chafurdem agora, amarelões vestidos de azul, em suas próprias lágrimas.  Contentem-se com os restos, sintam-se honrados de terem sido disciplinados pelo severo pai do futebol nacional, dêem-se por satisfeitos de terem saído na foto do jornal, desfocado, lá no fundo da cena principal.  E aprendam de uma vez por todas: enfrentar o Flamengo em decisão não é brincadeirinha para crianças.

Leandro.

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