Comida mineira

Há alguns meses este post está no forno e finalmente ficou bom o suficiente para ser publicado. Está na hora de falar (bem e mal) do que há de melhor para ser fazer em Minas Gerais, em termos de turismo: comer. E todos poderão ver que nem só de tutu, torresmo, couve e linguiça frita vive o mineiro – mas sobretudo de tutu, torresmo, couve e linguiça frita ele se alimenta. Chegou a hora de listar os restaurantes que eu frequentei durante o tempo que morei na capital mineira.

Restaurante Xapuri
Um dos espetáculos do Xapuri

Xapuri: começando logo pelo que há e melhor em BH, quiçá no Brasil. Em termos de qualidade da comida e sabor, nenhum outro restaurante neste post se igualará – sequer chegará perto – do Xapuri. É outro nível. A proposta do Xapuri é servir comida da fazenda. Os pratos seguem essa linha, o mobiliário também. Da mesa de madeira tosca às panelas utilizadas para servir o cliente, tudo lembra uma típica fazenda do interior de Minas. Aliás, o próprio restaurante fica lá no cafundó de uma rua pacata e escondida do outro lado da Lagoa da Pampulha, na roça. Os pratos do cardápio também tem, ao menos no nome, a simplicidade da comida da roça: frango com quiabo, carne seca com abóbora, vaca atolada… Tudo com gostinho de comida feita em casa pela vovó. É tão difícil escolher que ir lá só uma vez é um pecado. Os poréns ficam apenas por conta da mesa de sobremesas – muito farta em variedade e vendidas a peso, dá para comer um “cadim” de cada.  Provei sete sobremesas em duas visitas: achei que duas estavam estragadas, duas eram ruins e o resto era o tradicional, que nunca tem erro: doce de leite, goiabada e queijo branco.  Nem por isso ficou afastado o brilho do lugar.  Que não é barato, mas vale a pena cada centavo.

Passeio de Charrete
Passeio de Charrete no Paladino

Paladino: mais que um simples restaurante, o Paladino é uma referência no ramo do entretenimento em Belo Horizonte. Numa cidade onde as opções (além da pracinha do bairro) de lazer são escassas, ele se posiciona muito bem no mercado oferecendo lazer para toda a família. Isso porque, além do restaurante, com comida de ótima qualidade (mas por um preço um pouco além do que seria compatível com a quantidade de comida servida em cada prato), ele também é uma minifazenda. Atrás do restaurante há um grande espaço com galinhas, coelhos, cavalos, vacas, pavões, cabras, porcos e araras, que levam a criançada ao delírio – dando uma colher de chá aos pais. Não é preciso pagar nada mais para dar aos pequenos esse entretenimento – o que justifica plenamente o preço ligeiramente desproporcional do cardápio, mas só para quem usa essa infraestrutura. Além disso, pagos separadamente, há também uma tirolesa (que não estava funcionando nas duas vezes que eu lá fui) e um passeio de charrete. O maior defeito do Paladino é ser muito concorrido. Chegar lá, em um fim de semana, depois de meio dia, é ter a certeza de pegar fila. Como as pessoas não vão lá só para comer, mas para ficar jogando conversa fora enquanto os filhos se divertem na fazenda e no playground, o tempo de espera pode beirar o infinito. Ah, e sobre o playground, eu presenciei uma cena meio chata… A monitora quis ir ao banheiro e não havia quem a rendesse na tarefa de tomar conta das crianças. Acabei quebrando o galho dela, por ser o único pai a não deixar a filha completamente desvigiada. Nada demais aconteceu, mas se eu não estivesse ali…

Jardim de Minas: um restaurante de bairro, bem pertinho do aeroporto da Pampulha, nos fundos da Igreja de Santo Antônio da Pampulha.  Fica numa esquina, com entrada discreta sob um singelo letreiro, sem muito estardalhaço.  Mas o lugar é realmente muito grande, com um buffet enorme e muitas mesas em vários ambientes diferentes.  Tem área ao ar livre, área coberta, com mesas de ferro, mesas de madeira, mesas de plástico…  Tem lugar para todos os gostos.  O estacionamento é um pouco limitado (há entrada por ambas as ruas que compõem a esquina), mas não é difícil achar vagas nas ruas do entorno.  A comida é servida a peso.  E é comida pesada, cozinha mineira caricata: tutu, torresmo, couve, tudo sempre entremeado com linguiças, paios, bacon e afins.  Não é um lugar para onde se deva levar a namorada para um encontro romântico – até porque é praticamente impossível conversar com a música alta do jeito que o cara toca, apesar do repertório ser muito agradável.  É apenas um restaurante prático, com preço honesto e comida boa. Ah, eu já ia esquecendo: durante a noite, o restaurante promove uns jantares/festa temáticos meio esquisitos, como noites de samba, festas brega e sertanejadas…  Vale a pena conferir a programação antes para não embarcar nessas furadas.

Nós somos feitos um pro outro...
Mate da casa e chopp da Brahma no Eddie’s

Eddie’s Burguer: é uma hamburgueria de luxo, como essas que tanto apareceram por aí no final da década de noventa, com a proposta simples (mas eficiente) de vender hambúrguer a preços caros, aliando o produto a um serviço um pouco diferenciado, uma programação visual bacana (na maioria das vezes, como neste caso, retrô), servindo o sanduíche em pratos e acompanhados de muita batata frita.  Não tem nada além do que outras hamburguerias do gênero poderiam apresentar – exceto ser frequentada por uma pirralhada que não tem mesmo outra coisa para fazer naquela cidade além de ir ao shopping para se entreter.  Os pratos que pedi foram sempre bons, embora receber a conta ao final tenha sido sempre uma dificuldade enorme.  Numa das oportunidades, tive a firme certeza de que, se levantasse e fosse embora sem pagar, ninguém notaria.  O Eddie’s teve a honraria de ser o local onde a Felícia provou o seu primeiro milkshake. E, vale destacar, o mate da casa é um espetáculo!

Baião de Dois: dono de uma nota para lá de boa no FourSquare, e sendo pertinho de casa, fui conferir.  Que lástima!  É de chorar na rampa.  É um boteco para lá de pé-sujo, que serve óleo com comida mineira pesada.  Enquanto comia lá (a carne dura de mastigar…), pensava que os sócios deviam ser um cardiologista e um dentista, que usavam o restaurante para ampliar a rede de pacientes de seus consultórios.  Não vale a pena sequer passar na porta.

Fazendinha: também fui levado para este restaurante pela nota que lhe era atribuída pelo FourSquare – nota igualmente boa, em relação ao Baião de Dois.  Sendo também perto de casa, decidi arriscar depois de receber uma boa recomendação de alguém conhecido (não lembro quem).  Quanta diferença!  Esse acabou se tornando o meu restaurante predileto nas imediações e casa.  Preço honesto (chega a ser barato), comida boa e farta, estacionamento próprio, ambiente alegre e familiar – e não tem nenhuma fazenda, exceto no nome.  Ruim lá só o atendimento.  Quanta dificuldade!  Conseguir uma mesa é uma batalha campal.  Não há lista de espera na entrada – você chega, entra e vai catando a sua mesa, cada um que se vire para conquistar a sua.  Chegar antes de 12h é essencial.  E, como muitas famílias mineiras fazem seus encontros patriarcais dominicais ali, só há mesas vagas novamente após 15h.  Nesse meio tempo, nem pense em aparecer por lá, a não ser para levar quentinha para casa.  Uma vez conquistada a mesa, vem a segunda etapa: ser notado por um garçom.  Os garçons são ótimos, muito educados, mas simplesmente ignoram as mesas que não estão efetivamente atendendo.  Assim, até conseguir um garçom para chamar e seu, você não será notado.  Vale assobiar, vale puxar pela camisa, vale reclamar…  E, mesmo assim, eles podem te ignorar.  Destaque, na minha opinião, para as porções “à francesa” que, como eu gosto, vêm sem cebola.  Ouvi dizer que as pizzas de lá também são notáveis, mas não provei.

Cerveja da casa: espetacular!!!
Cerveja da casa: espetacular!!!

Café Viena Beer: eu estava passando do outro lado da rua quando vi aquele casarão em estilo colonial alemão.  Na hora fiz o retorno e parei para ver do que se tratava.  Que grata surpresa!  Um restaurante alemão excelente, que  serve inúmeros títulos de cervejas do mundo inteiro (todo bar de cervejas em BH se propõe a ter a maior carta de cervejas do país, e com o Café Viena não é diferente), num ambiente meio apertado mas agradável.  A cerveja da casa é estupenda – vale muito a pena provar.  E os pratos também são excelentes, servidos em buffet a preço fixo ou à la carte.  Nos finais de semana, o estacionamento é fácil, na rua de trás.  Mas não vá dirigindo, ou sem um motorista da rodada, porque não vale a pena.  A graça lá não é comer – embora comer seja realmente muito bom, especialmente ali.

Jantar em BH
Haus Munchen: muita etiqueta e pouca comida

Haus Munchen: outro restaurante alemão, o Haus Munchen é muito mais chique que o Café Viena Beer – e muito mais caro também, e seus pratos servem bem menos comida que o Café Viena Beer.  Também se orgulha de ter a maior carta de cervejas do Brasil (esse negócio deve ser igual campeonato de boxe, que tem um monte de categorias, organizações e associações, cada qual com seu campeão mundial).  A comida é, de fato, ótima, mas ele não faz um ambiente do tipo “venha para comer e se fartar“; ele faz, sim, o tipo “venha petiscar com sua namorada para impressioná-la“.  Enquanto eu comia lá, só pensava no tamanho da conta que eu ia receber no final e na inveja que eu estava da fila enorme que se formava do outro lado da rua, diante de um boteco pé-no-chão que concorria ao “Comida di Buteco 2013”.

Liberdade Pizza Sur: um restaurante argentino em Belo Horizonte, situado a poucos passos da Praça da Liberdade, é até um lugar legal de se estar e de se comer.  Peca por ser um ambiente aberto até demais – deixando o cliente sujeito a pedintes, chuvas, trovoadas e ao calor e ao frio.  Tem uma cara de inferninho mas, como eu estive lá na hora do almoço, o que eu vi foram mesas vazias ou ocupadas por casais bem comportados ansiosos por matar a fome num lugar legal com comida de preço honesto.  Como bom restaurante argentino, as empanadas são carro chefe: ótimas, por sinal.  Melhores até do que as que eu lembro de ter comido em Buenos Aires.  Não lembro de ter visto cardápio de carnes.  E lembro, muito bem, o estado caótico-deplorável do banheiro.  Usá-lo foi prova de coragem (e de necessidade inadiável).

Juscelino Deck Beer: se o assunto é visual, o Juscelino é um dos mais fortes candidatos de Belo Horizonte ao primeiro lugar.  Bem localizado, à beira da Lagoa da Pampulha, próximo à Igreja de São Francisco de Assis e ao Mineirão, tem um espaço bem amplo e ambientes para lá de agradáveis.  Não é barato, e vale mais por esse visual do que pelo que se vê sobre a mesa quando os pedidos chegam.  Não que a comida seja ruim, não é isso.  A comida é boa, muito boa.  Mas quem disse que é só de comida e bebida que sobrevive um bom bar ou um bom restaurante?  Apesar de caro, para um encontro casual, uma ocasião especial, ou mesmo para quem está em Belo Horizonte a passeio em oportunidade única, o Juscelino é uma boa pedida – difícil se arrepender.

Pingüim
Menu de chopp do Pinguim

Pinguim: a filial mineira do boteco mais famoso de Ribeirão Preto segue o estilo da matriz (que eu não conheço, mas tenho boas referências).  Também não é um lugar barato para se comer ou beber.  O legal lá é provar os diversos tipos de chopp, cada um servido num copo diferente – todos os copos à venda na lojinha situada próxima à saída.  As comidas são boas (não mais que boas) e vêm em quantidades insatisfatórias.  Nada de errado para um bar onde o principal propósito é beber, e não comer.  Ruim ali é arrumar um lugar para estacionar na rua.  Melhor nem tentar e ir direto para o estacionamento do bar, que é caro mas acaba valendo a pena.  O principal ponto negativo fica por conta da impossibilidade de se servir outra coisa que não chopp para quem está na fila de espera da mesa.  Passei maus bocados ali, morto de sede, conversando sem poder beber nada, porque estava dirigindo.  Pensei até em ir embora.  Recomendável que o motorista leve uma garrafinha de água para irrigar a conversa em horários de pico, como sexta e sábado à noite.

Filé Espeto & Cia: jamais pise os pés ali.  O atendimento é fraco, a comida é ruim e a bebida é quente.  O garçom esqueceu meu pedido, quando lembrou, a comida era mal feita.  Um lugar para ser esquecido e riscado do mapa (preferencialmente na ordem inversa).  Ele fica numa rua comprida que, em determinado trecho, é repleta de restaurantes e bares, dando origem a um minipologastronômico (com hífen ou sem?) que leva o nome da tal rua: Fleming.  E, enquanto eu estive lá, só pensava: “coitado do pai da penicilina“, pensamento que era alternado com “coitado do criador do James Bond…”  Efetivamente, a única dúvida que eu tive enquanto estive lá foi entre os dois mais prováveis donos do nome da rua.  Porque uma coisa eu tinha certeza: eu queria sair dali o mais rapidamente possível.  E olha que até isso foi difícil, porque conseguir a conta foi praticamente uma epopeia!  No final, como se não bastasse, ainda tive que aturar um guardador que achava que era mais esperto que um carioca – definitivamente, a única diversão da noite.

Pizza Papillon
Pizza Papillon

Marília Pizzeria: pela dica que me passaram, era uma pizzaria de outro mundo. Nada disso: uma boa pizzaria como tantas outras há por aí. Há melhores em São Paulo e no Rio – e, provavelmente, em Belo Horizonte também. Fomos eu e Fiona, crentes que era um ambiente aconchegante e íntimo, também em função da dica errada que nos passaram. Não era nada disso. Rolava ali (numa sexta às 21h) um baita happy hour, maior clima de azaração pós-trabalho, som ensurdecedoramente alto (impossível conversar, praticamente), e uns tipos muito esquisitos da noite belorizontina.  Ambiente ruim, mas pizza ótima.  Fico muito satisfeito com pedidos certeiros e este foi um achado: Pizza Papillon, premiada em algum lugar, segundo consta, com uma rodela de alcachofra em forma de flor sobre cada fatia.  Uma delícia do início ao fim (e até depois do fim).  Indescritível – assim como o alívio de sair daquele lugar barulhento.

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One Comment

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  1. Mas e aquele prato da foto do Xapuri, hein? Tô muito suscetível a essas coisas…

    E como será o chope sexual do Pinguim?

    Ao vivo, o prato do Xapuri era ainda melhor que na foto.

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