O Hipopótamo

No outro final de semana, enquanto a Fiona trabalhava, eu fui com a Felícia ao Zoológico.  Ela está cada dia mais apaixonada por bichos.  Chega a ficar quieta, boquiaberta, olhando para eles.  Do simples cachorro vira-lata que passa na rua até um elefante usando a tromba para se alimentar no Zoo, tudo que envolva bichos chama a sua atenção, mais do que qualquer outra coisa.

Depois do Zoo, estiquei o passeio para a casa da minha tia.  Lá dei almoço e banho na Felícia, porque o calor no Rio não estava fácil.  E a minha tia aproveitou para mimar a Felícia.  Além de guloseimas que praticamente puseram o almoço a perder, deu-lhe um livro repleto de imagens de bichos.  Ela não poderia ter dado tiro mais certeiro.  O encantamento da Felícia com o tal livro foi tal que ela passou o resto da semana grudada no livro, enquanto não estava na creche, carregando-o debaixo do braço para onde ia.  O resultado disso é que eu já li aquele livro várias vezes, de frente para trás, de trás para frente, saltando páginas, concentrando em alguns bichos, ignorando outros, já imitei o som de todos eles e até teatrinho já rolou – com os bichos, claro.  Quase um documentário do Discovery Channel.

Na creche, as sextas-feiras são dedicadas às novidades.  Cada criança tem que levar uma coisa diferente para a creche para mostrar para os amigos e, assim, compartilhar novos brinquedos e novas experiências.  Eu e a Fiona tentamos não mandar coisas bobas, como bichos de pelúcia, bonecos, brinquedos comuns.  Esta última sexta-feira, não havia o que pensar: era o livro a grande novidade da semana.  Ela levou e a professora disse que, pela primeira vez, ela não aceitou dividir a novidade com os amigos.

Mas isso ainda não é o mais curioso da história.  O  mais legal vem agora.

No dia em que a Felícia ganhou o livro, a minha tia ficou brincando com ela, repetindo “hipopótamo” várias vezes, com entonações e velocidades diferentes, voz grossa e voz fina, cantando e falando…  Brincadeira meio ridícula, convenhamos.  E a Felícia pareceu não se empolgar muito na ocasião.  Eu não falei nada para não frustrar a minha tia, ela estava se divertindo, a Felícia não estava reclamando…

No último sábado, enquanto eu trabalhava, a Fiona resolveu voltar ao Zoológico com a Felícia – ciúmes de mãe.  E voltou contando que, dentre os bichos que ela mais gostou, não teve para o macaco, para a coruja, para o elefante, para a girafa nem para o tigre: o hipopótamo vencera todos os seus “concorrentes”.  Tanto que ela voltou para cassa falando essa palavra difícil – “hipopótamo” – muito bem!  Chegou até a arriscar uma piadinha, dizendo que o papai parecia um hipopótamo, mas logo se ligou que isso estava tão distante da realidade que ninguém iria entender.

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One Comment

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  1. Bora providenciar um hipopótamo de pelúcia pra ela?

    Ver hipopótamos no Youtube tem sido suficiente.

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