O Cachambi responde – o mergulho no ônibus

Leitora-indagadora incauta (a própria pergunta deixa claro tratar-se de uma pessoa do sexo feminino) formula pergunta que já se encontra respondida em páginas passadas do blog.  Mas tudo bem: a pergunta é válida e o esclarecimento cabível.  Melhor deixar tudo às claras do que se confundir no mal subentendido.  Então, para que nem ela nem ninguém passe aperto da próxima vez, vamos responder mais esta, com a mesma paciência de sempre.

Outro dia peguei um ônibus e o trocador perguntou se eu queria dar um mergulho.  Tentei disfarçar o medo, engoli em seco e disse que “não, obrigada”.  Mas fiquei sem saber o que significa o tal “mergulho”.  Você sabe?

Cara leitora, “dar um mergulho” é a gíria busológica que equivale a “passar por baixo da roleta”.  Trata-se de prática em declínio, mas ainda comum no sistema de transporte público rodoviário do Rio de Janeiro pois, desde a implantação dos sistemas de bilhetagem eletrônica (RioCard e Bilhete Único), o êxito do mergulho se restringiu apenas aos poucos passageiros que pagam suas passagens em dinheiro vivo.  Explica-se: o sistema de transporte público rodoviário registra o controle de passageiros por meio de roletas.  Cada pessoa que passa pela roleta, registra o uso do sistema por um contador, que é aferido no inicio e ao final de cada viagem do ônibus.  Essa contagem é fundamental para a conferência da féria do ônibus e, em um plano maior, para o dimensionamento do transporte público, seja na frequência do uso, seja na tarifa arbitrada.  Ao dar um “mergulho”, o usuário não registra sua presença no sistema e o dinheiro que ele paga não é “repassado” pelo trocador à concessionária prestadora do serviço público.  Portanto, ao propor o “mergulho”, o trocador tentou coagi-la a utilizar o sistema sem registrar a sua presença.  Dessa maneira, ele provavelmente embolsaria o dinheiro que você pagou pela passagem.  Isso nada mais é do que a aplicação prática do princípio da relatividade.

* Você tem uma dúvida, quer fazer uma pergunta? Mande-a clicando aqui, que O Cachambi responde. A pergunta a ser respondida semana que vem pode ser a sua.

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4 Comments

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  1. Tô me divertindo só de imaginar o que pode ter passado pela cabeça da leitora curiosa e amedrontada diante da pergunta: seria um convite do trocador para um tchibum no Piscinão? Ou algo mais ousado, como uma aventura com garrafa em Noronha? Ou mesmo um pouco de diversão em uma hidro em um motel da Brasil? Ou simplesmente um banho de mangueira na laje em um churrascão de domingo? São tantas possibilidades!

    Eu não cheguei a pensar em tantas possibilidades.

  2. Por%$a Eduardo! Kkkkkkkkk

    Eu não cheguei a pensar tantas coisas, porque eu sabia a resposta, mas as ponderações dele foram muito coerentes!

  3. Coerência: Uma aventura com garrafa em Noronha.
    Agora descobri que o mundo anda totalmente coerente, quem não entende o significado da palavra sou eu.

    Que viagem incrível…

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