Rush

Cartaz do filme
Cartaz do filme

“Espero que você venha para casa!”

Foi essa a mensagem que eu recebi no meu celular, enviada pela Fiona, uma hora antes do início da sessão.  E eu não era a única vítima da fúria feminina: sem que eu soubesse, a minha companhia para o programa enfrentava o mesmíssimo perrengue com a sua consorte.  Sim, porque desde o início nós havíamos planejado ir ao cinema juntos para assistir Rush.  Em algum momento, porém, elas se intrometeram no programa dos rapazes e, por motivos diversos, acabaram excluídas.  Os meninos se divertiriam, então, enquanto as meninas ficariam em casa cuidando de suas crias.  E olha que nenhum dos dois bebeu, fumou, cheirou, encontrou-se com outras pessoas (quiçá mulheres) ou chegou em casa após 21:30h…

A verdade é que, na sala de cinema, havia vários outros grupos de amigos – provavelmente tão fanáticos por Fórmula 1 quanto nós – que largaram suas vidas conjugais para duas horas de diversão entre amigos.  Mulheres, havia poucas, duas ou três apenas.

Problemas conjugais à parte, foi mesmo uma baita diversão.  O filme está sim à altura da expectativa que se criou ao seu redor.  É fantástico, muito bem feito.  Impressiona pelo cuidado com os detalhes do cenário (há pouquíssimos erros), pelos figurinos e pela maquiagem (não a que a personagem da belíssima esposa de James Hunt usa em seus trabalhos de modelo, mas a que é feita no personagem de Niki Lauda após seu acidente em Nürburgring.  Impressiona também pelo modo como a história é contada.

Não se trata da simples narrativa do épico campeonato mundial de pilotos de Fórmula 1 de 1976, vencido por James Hunt.  É a história de uma rivalidade entre dois pilotos, dois competidores, que se alimentaram do desejo de bater o outro para serem ainda mais competitivos, para serem ainda melhores – esbarrando apenas ocasionalmente, e bem de leve, no limite da lealdade.  Duas figuras completamente antagônicas.  Duas figuras igualmente fascinantes.  Mas que, por um motivo óbvio, tende a parecer “a história de James Hunt contada por Niki Lauda”, e não a história do campeonato de 1976 – esse motivo é que apenas Lauda está vivo e grande peso das pesquisas do roteiro foram feitas em entrevistas com ele (o IMDb registra que houve mais de 30 jantares em Viena entre Lauda e o roteirista).

O filme não conta todos os detalhes das histórias dos dois.  A narrativa se restringe aos mais gloriosos momentos.  Não diz que Lauda praticamente faliu após entrar na Fórmula 1, sugere que Hunt e Lauda entraram juntos na Fórmula 1 (o que não é verdade, pois Lauda entrou bem antes que Hunt), apenas tangencia que foi Carlos Reutmann que, contratado para salvar a Ferrari de um buraco em que se metera, sugeriu o nome de Lauda para Montezemolo…  Tudo bem, não haveria tempo para tanto, a película se tornaria extensa demais.  Mas podiam dizer que nem só de glória e sucesso se fizeram aqueles dias da carreira dos dois.  Nada, porém, que macule a beleza do filme.  Ele continua sendo um primor, mesmo sem esses detalhes sórdidos.

Um primor, especialmente, no som.  Realmente impressionante!  Porque num filme de corrida de Fórmula 1, uma das coisas mais importantes é o barulho do motor.  Ele tem que ser real, tanto no volume quanto no timbre e, principalmente, na ambientação.  E eu me peguei, em certo momento, instintivamente abaixando a cabeça porque o som me levou a crer que havia um carro de Fórmula 1 passando por cima de mim.  Sensacional!

Quando o filme terminou, olhamos um para o outro e pensamos: “valeu o esporro que a gente vai tomar quando chegar em casa“.

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4 Comments

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  1. Valeu o esporro mesmo. Filmaço!

    Viu de novo? Achou melhor ou pior que na primeira vez?

  2. Vi o filme no telecine, só por lembrar deste post. A D O R E I. Muito bem feito.

    Eu falo: não dou dica furada. Quando eu falo de São Luís…

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