Em casa

Semana passada a creche onde a Felícia estuda promoveu uma Feira de Ciências.  Entenda-se: não é uma feira onde se expõem novidades científicas, inventos mirabolantes ou ideias malucas de crianças sobre as mais diversas áreas do conhecimento humano.  Não é nada disso.  É apenas um meio de exercitar o pensamento de maneira prática.  Em outras palavras, uma grande brincadeira coletiva a respeito de um tema – que, este ano, foi a água.

Eles fizeram tudo sobre água: os três estados, animais aquáticos (tinha até um tanque com bichos aquáticos pouco comuns), e várias outras coisas legais.  Quando eu encontrei a Felícia – ela estava no horário da saída – depois do abraço ela me pegou pela mão e foi correndo mostrar um caranguejo que ela havia feito.

– Papai, papai!  Papai Leandro!  Vem!

Eu fui.  Todos os colegas da turma dela haviam feito um caranguejo com embalagem de sanduíche de isopor (o corpo do caranguejo), canudos (as patas) e papel (olhos).  Eles estavam todos dispostos numa “praia” artificial, num dos cantos do salão de exposição.  Ela correu para lá e pegou justamente o caranguejo que ela havia feito (havia o nome dela escrito no caranguejo).  Podia ser sorte?  Podia.  Dos dezesseis caranguejos expostos, ela pegar justamente o certo…  Sei não.  Preferi esperar.

– E o que mais você fez?

Ela foi para outro ambiente e mostrou um monte de tubarões, também em uma “praia” artificial, feitos com garrafas pet pequenas e adereços colados – uma ideia para lá de interessante!  Só para confirmar a minha suspeita, desta vez, dos dezesseis tubarões expostos, ela não pegou o que tinha o seu nome – e ainda reclamou quando eu tentei trocá-lo pelo certo.

– Não, papai!  Não!

Tudo bem, não quer trocar, não troca.  Mas era preciso deixar o tubarão ali para que outras pessoas o vissem – especialmente a mãe do Gustavo, cujo nome estava escrito no tubarão.  Foi difícil, mas ela topou.  Topou quando eu – que já havia visto a exposição toda antes – perguntei a ela:

– Cadê o pinguim?  Papai quer ver o pinguim…

Havia uma sala congelada (ar condicionado ligado no máximo) do outro lado da creche, um percurso que demandava a circulação por corredores e pelo menos duas opções certas de caminho a seguir.  Ela novamente me pegou pela mão e me puxou, com força, guiando por entre pessoas e pelos tais corredores, até chegar na sala congelada – onde bonecos de neve, ursos de isopor, pinguins de garrafas pet de diversos tamanhos cobertas com meias brancas estavam expostos.  O caminho até lá foi feito com tal rapidez e confiança que eu fiquei boquiaberto.  Ela sabia exatamente onde estava e onde queria ir, como se estivesse em casa.  Foi até difícil acompanhar em determinado momento, quando o corredor ficou congestionado, ela se metendo entre as pernas das pessoas e eu bloqueado pela multidão.  Sorte a minha que ela voltou para me guiar.

– Vem, papai!  Vem!

Lá fui eu ver os pinguins.

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3 Comments

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  1. Ah, eu já estava pensando que ela tinha reconhecido as obras dela…

    Que nada!

  2. O mais legal de perceber nessas horas é a empolgação dela em querer mostrar as coisas e a segurança em saber pra onde ir.

    Exatamente!

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