Aún en los carriles

Prometi, no último post desta série, falar sobre o transporte rodoviário de Santiago.  Bem, ainda não é a hora.  Esqueci-me, naquela oportunidade, de falar dos trens suburbanos que servem a cidade.

Além do metrô, Santiago também é servida por um trem suburbano, que interliga a cidade a alugns arredores mais distantes. Aliás, bem distantes.   Só para se ter uma ideia, o Ramal de Japeri, o maior do Rio de Janeiro, tem aproximadamente 62km de extensão; o tronco mais longo a partir do centro de Paris tem aproximadamente 90km de extensão.  O trem, em Santiago, percorre 135km, sempre na direção sul, em 2:20h, aproximadamente – com aquele conforto típico de trens suburbanos.

Não cheguei a fazer a viagem toda, mas gastei pelo menos uma hora no trem quando fui ao Zoológico de Buin – falaremos sobre ele outro dia.  Foi uma experiência não muito animadora.

O preço da passagem é um pouco além do razoável: $950 (equivalente a uns cinco reais) para um percurso de 30km feito em 42 ou 54 minutos, dependendo do trem.  O trem não é lá muito pontual (o meu trem saiu com uns vinte minutos de atraso) e a frequência é baixíssima (um trem a cada 90 minutos, mais ou menos).  Some-se a isso obras que estavam em curso nos trechos mais próximos de Santiago e se verá rapidamente que o transporte ferroviário de média distância em Santiago segue o padrão latino americano.

Além disso, o ambiente lembra muito o da Central do Brasil – exceto pelo fato de que há muito menos gente circulando na linha do que por estas bandas tupiniquins.  A estação de Alameda em si, a estação terminal  de Santiago, equivalente à nossa Central do Brasil, não passa de uma Gare do século XVIII, tão funcional e confortável quanto a estação de São João del Rey ou do Engenho de Dentro.  Ou a própria Central do Brasil.  Com uma grande vantagem, porém: há um minishopping adjacente, com lojas e mercado.  Além disso, as saídas do metrô são dentro da estação – facilitando muito a conexão – e há ainda um terminal rodoviário gigantesco também integrado à estação.

Os trens também não ficam muito atrás da nossa realidade suburbana.  O asseio não é dos melhores, embora eles aparentem ser mais novos e bem tratados.  Há vendedores ambulantes perambulando pelos vagões como aqui, vendendo quinquilharias, bebidas, chocolates e outras guloseimas.  Não vi ninguém pregando, o que não significa que isso não aconteça.

Além dos trens suburbanos, de Alameda também saem os trens intermunicipais, que chegam a percorrer 400km até a estação final de Chillán – em pouco mais de cinco horas – a um custo que varia de $5.600 (mais ou menos trinta reais) a $23.180 (mais ou menos cento e vinte reais), conforme o tipo de tarifa, o grau de conforto, o número de paradas e a sazonalidade (alta ou baixa estação).  Serviços que parecem ser, por esses números, razoavalmente melhores que os dos trens suburbanos, mas que eu não cheguei a conferir.

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One Comment

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  1. Quer dizer que o serviço é tão ineficiente que só é utilizado por quem não tem alternativa, né?

    Digamos que me pareceu tão bom quanto o da Supervia.

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